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"É nossa responsabilidade buscar o novo, ir além do que foi feito"

Publicado em 26 agosto 2011

Mariano Francisco Laplane deixou a direção do Instituto de Economia da Unicamp para assumir um novo desafio: ser presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). Empossado há um mês, o pesquisador de origem argentina, radicado no Brasil há 25 anos, fala ao Notícias.CGEE sobre as organizações sociais e os órgãos de controle, o momento atual da ciência, tecnologia e inovação no país, as tendências mundiais e seus planos para o Centro. Confira a entrevista:

Como o senhor vê o papel do CGEE atualmente?

Laplane: O Centro tem uma importância muito grande pelo próprio estágio de desenvolvimento do Sistema Nacional de Ciência Tecnologia e Inovação. Ele cresceu e se tornou bastante complexo nos últimos anos, se tornou de maior escala, de maior complexidade, incorporou novas funções. E, na medida em que se torna mais complexo, aumenta a importância das instâncias de coordenação. O Centro é uma dessas instâncias, por suas características, o modelo a partir do qual foi formado, de Organização Social, que permite autonomia, independência no exercício das encomendas que nos são confiadas, além de conseguir desempenhar um papel articulador e mobilizador de maneira peculiar. Embora seja uma instituição relativamente jovem, de dez anos, tem no atual momento uma identidade institucional bastante reconhecida na academia, nos órgãos públicos e crescentemente também no setor empresarial. Isso permite, por exemplo, que o Centro desenvolva uma enorme quantidade de estudos e trabalhos, tanto de prospecção, de avaliação de políticas quanto de gestão da informação com recursos relativamente escassos.

O senhor exaltou a flexibilidade das organizações sociais, mas sabemos que a interpretação da operação do Centro pelos órgãos de controle ainda é vista de maneira difusa. Como o senhor vê a questão da constitucionalidade do formato OS?

Laplane: É natural que tenham surgidos questionamentos, mas acredito que poderemos vencer isso e fixar a imagem de legalidade e legitimidade do modelo, que não é apenas nosso. É uma novidade no sistema institucional e tenho a expectativa de que o pronunciamento positivo do STF (Supremo Tribunal Federal) nos fortaleça, embora reconheça que tenha criado um grau de incerteza e ansiedade, principalmente pela demora. Quanto aos órgãos de controle, existe uma tensão permanente, mas não a ponto de nos impedir de desempenharmos as atividades, nem de colocar em perigo nossas especificidades. Entendo que nós vamos ter que defender permanentemente o que achamos as virtudes do sistema OS. Devemos ser sensíveis às preocupações legítimas dos órgãos de controle, afinal trabalhamos com recursos públicos e devemos garantir a transparência do seu uso, algo que já fazemos. Ao mesmo tempo, devemos defender o modus operandi necessário e indispensável para que possamos desenvolver o que a sociedade espera de nós.

O senhor é o terceiro presidente do CGEE e o primeiro da área de humanidades...

Laplane: Eu sempre vi o CGEE, muito antes de pensar em presidir a instituição, como um lugar que conseguia praticar a interdisciplinaridade. Aliás, acho que essa é uma de suas virtudes, é a sua peculiaridade. Eu, pessoalmente, tenho uma trajetória interdisciplinar. Formado em Ciências Sociais, fiz mestrado em Planejamento Urbano e Regional e um doutorado em Economia. Trabalhei, nos vários momentos da minha carreira acadêmica, em distintos âmbitos, com cientistas das mais diversas áreas, tanto na gestão universitária na Unicamp, quanto em outros órgãos do Sistema de Inovação, na Capes, na Fapesp. Dessa forma, vejo com naturalidade alguém da área de humanas presidir o CGEE.

E como já foi dito aqui, o CGEE promove a interação entre academia, governo e setor privado para subsidiar políticas públicas de longo prazo, em um País que tradicionalmente não tem cultura de planejamento estratégico e visão de futuro. Podemos dizer que o Centro é uma organização à frente do aparato brasileiro?

Laplane: Em alguns aspectos, creio que os trabalhos que desenvolvemos estão na ponta da prática do planejamento e mesmo da avaliação de políticas aqui no Brasil. Ainda bem, porque esse é o nosso papel. É nossa responsabilidade buscar o novo, ir além do que foi feito. Acredito que o Brasil vem avançando a passos largos na reintrodução do planejamento, na percepção da importância da coordenação das ações, tanto no âmbito do Estado brasileiro quanto entre o setor público e o setor privado.

Confira a entrevista na íntegra no site www.cgee.org.br.

(Notícias CGEE)