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Revista PIB - Presença Internacional do Brasil

É hora de inovar

Publicado em 01 novembro 2017

Por Dario Palhares

Inovar é o verbo mais conjugado pelas empresas, quando querem falar de qualidade, desempenho e expectativas. De fato, no mundo de hoje, crescer e, principalmente, se internacionalizar exigem inovação constante. No Brasil, porém, inovar, no mundo empresarial, aparece mais na retórica do que na prática. Ao contrário do que ocorre nos países desenvolvidos, quem de fato comanda a inovação no país são as universidades, de longe as campeãs em registros de patentes nacionais, sobretudo as estaduais paulistas e as federais. Segundo dados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), entre os vinte maiores solicitantes de patentes de invenções entre 2013 e 2016 a imensa maioria – 15 – desenvolveu seu projeto com recursos públicos, no meio acadêmico. Só cinco instituições são particulares. Uma é um centro de pesquisa em período integral, o CPqD, voltado para as telecomunicações e situado em Campinas (SP). As outras quatro são empresas: a americana Whirlpool, a alemã Mahle e as brasileiras Petrobras e Vale – não por acaso, todas com intensa atuação global. “Algumas companhias do país são extremamente inovadoras”, admite Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), conhecido crítico da timidez com que as empresas brasileiras decidem seus investimentos em pesquisa. “Isso ocorre porque elas estão conectadas com o mercado externo, onde têm de competir com as melhores do mundo.” Ou inovam ou enfrentam a possibilidade concreta de ser esmagadas por concorrentes mais ágeis.

O mesmo Inpi acaba de divulgar os resultados para 2017, em tom de comemoração: recebeu 6.250 pedidos de patentes, 30% a mais que no ano anterior e o maior total desde 2000. No ranking dos mais atuantes na solicitação de patentes no instituto, a campeã disparada é a Whirlpool, com 319 pedidos. Mas as posições seguintes são todas ocupadas por entidades de ensino. A Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual Campinas (Unicamp) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) se revezam no segundo e terceiro lugares, com uma média de 60 por ano. Outras quatro instituições de ensino superior figuram entre os dez mais: as federais do Paraná (UFPR), do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Ceará (UFC) e a estadual paulista Unesp. O segundo pelotão de maiores solicitantes de patentes evidencia a existência de um novo e atuante polo de inovação no Nordeste (veja quadro na página 34), ao incluir quatro universidades federais da região, da Bahia (UFBA), do Rio Grande do Norte (UFRN), de Pernambuco (UFPE) e de Sergipe (UFS).

Segunda colocada no ranking do Inpi entre 2013 e 2016, a USP tem registrados 1.161 pedidos e obteve 150 concessões até dezembro de 2016. Oitocentas solicitações continuam em análise e 176 transcorrem sob sigilo. No exterior, são 146 as patentes já concedidas à universidade. A Escola Politécnica concentra o maior número de requisições, 180, seguida pelo Instituto de Química, com 120. “A maior parte das solicitações de pedidos de proteção de propriedades intelectuais vem das áreas de engenharia, química, física, medicina e ciências farmacêuticas”, diz o professor Eduardo Vieira de Brito, responsável pela Agência USP de Inovação (Auspin) no campus de São Carlos, no interior de São Paulo.

É papel das escolas superiores se debruçar sobre pesquisas e descobertas que promovam o avanço em suas áreas. Mas a indústria tem função crucial a cumprir no aprimoramento constante de seus produtos, um conceito que as empresas brasileiras custaram a apreender, acomodadas pelas décadas em que atenderam quase que exclusivamente o mercado interno com cópias, adaptações e produtos defasados tecnologicamente. “A presença de universidades entre os maiores geradores de patentes no Brasil demonstra uma fraqueza do setor empresarial. O que move a inovação é a competição, mas, como a economia local ainda é muito fechada, as companhias orientam suas atividades para objetivos pouco inovadores”, avalia Brito Cruz, da Fapesp. Quem põe a mão na massa empresarial concorda. “Historicamente, os empresários brasileiros não investem em laboratórios e tampouco contratam mestres e doutores para realizar pesquisas. Muitos deles, por incrível que pareça, ainda criticam o trabalho de investigação científica realizado pelas universidades”, alfineta Luiz Donaduzzi, sócio do laboratório Prati Donaduzzi e doutor em Farmácia pelo Instituto Nacional Politécnico de Lorraine (INPL), na França.

Embora o muro que separa universidades e empresas na área da inovação continue de pé no Brasil, buracos vêm sendo abertos com frequência cada vez maior, permitindo que as duas frentes se mesclem, com excelentes resultados. Na própria USP, 5% dos recursos que financiam pesquisas vêm, atualmente, de empresas. Na Unesp são 6%; na Unicamp, 7%. “Não está muito fora dos padrões dos Estados Unidos, onde 12 universidades estão acima dos 12% e 500 ficam abaixo”, observa Brito Cruz, o diretor científico da Fapesp. A Agência USP de Inovação analisa, a cada ano, 150 novas propostas de pesquisa em parceria com empresas. “Tomamos várias iniciativas para conscientizar os pesquisadores de que contribuir com a inovação no país não é opção, é obrigação”, diz o professor Vanderlei Bagnato, coordenador da Auspin. Uma parceria recente firmada pela agência com a Natura resultou na criação do Centro de Pesquisa em Bem-Estar e Comportamento Humano, instalado no Instituto de Psicologia. Outra, com a Shell, criou o Centro de Pesquisa para Inovação em Gás Natural, situado na Poli, com 174 pesquisadores e orçamento de 110 milhões de reais nos primeiros cinco anos de operação. Outra parceria envolvendo a Poli foi capitaneada pelo IPT – Instituto de Pesquisa Tecnológica do estado de São Paulo – e a Gerdau, a maior produtora de aços longos das Américas. Até a década de 90, as atualizações tecnológicas na área de cilindros de laminação da empresa provinham basicamente da aquisição de tecnologia de terceiros. Quando isso deixou de fazer sentido, a Gerdau partiu para outra solução. Um dos objetivos era desenvolver soluções próprias nas áreas de desgaste a quente e oxidação. Bem-sucedida, a parceria com o IPT e a Poli resultou num pedido de patente de invenção depositado pela empresa em 11 países, entre os quais EUA, Suécia e China.

A aproximação entre academia e indústria é mais expressiva ainda na Unicamp, a outra universidade que se destaca no ranking do Inpi. Sua agência, a Inova Unicamp, alcançou, em julho, a marca de 1.000 patentes ativas no Brasil e no exterior, das quais 125 licenciadas – a receita com royalties atingiu 660 mil reais em 2016. “Nossas pesquisas contribuem, em primeiro lugar, para a formação de profissionais, que é a missão da universidade, mas depois são licenciadas para empresas”, assinala Newton Frateschi, diretor-executivo da Inova Unicamp. Nesta frente avançada, no Brasil, de parceiras entre universidade e setor privado no âmbito da pesquisa e desenvolvimento, no ano passado foram firmados 23 contratos de transferências de tecnologia e a Inova intermediou 26 dos 30 convênios acertados com indústrias, a maioria na área de petróleo. O apoio ao empreendedorismo tem aproximado a Unicamp das necessidades do mercado. Uma pesquisa de 2016 contabilizou 434 empresas geradas dentro da universidade ou que contaram com a colaboração dela, um conjunto de negócios que resulta em 22 mil empregos e mais de 3 bilhões de reais em faturamento. “Formamos um ecossistema em que as empresas formadas com o nosso apoio ajudam as novas”, ressalta Frateschi.

Criada em 1976, o que faz dela a caçula entre as três universidades mantidas pelo governo paulista, a Unesp conta, desde 2010, com um órgão encarregado de promover a criatividade de professores e pesquisadores e zelar pelos direitos intelectuais de seus trabalhos. No decorrer desse período, a Agência Unesp de Inovação (Auin) apresentou um total de 305 pedidos de patentes e obteve 20 concessões, das quais sete foram licenciadas. “Notamos um aumento do interesse de empresas estrangeiras por nossas tecnologias e invenções. Essa demanda vem sendo incentivada, em boa parte, pela atuação de startups de ex-alunos no mercado internacional”, explica o analista de tecnologia Vitor Koop. Também presente no alto do ranking de pedidos de patentes do Inpi, a Universidade Federal de Minas Gerais (885 solicitações no Brasil, 332 no exterior e 91 contratos de licenciamento) criou uma coordenadoria especialmente para lidar com a burocracia dos processos de registro de propriedade intelectual e cuidar do licenciamento de tecnologias desenvolvidas em seus laboratórios. “Entendemos que precisamos estar mais próximos do setor privado”, diz a coordenadora Juliana Crepalde. “Parcerias são valiosas para ambos os lados.”

Para o empresário Donaduzzi, um inovador por natureza que toca pesquisas de ponta em seu negócio no Paraná, “o Brasil tem muito a aprender com outras nações emergentes, em particular com a China e Coreia do Sul, que se firmaram em diversos segmentos do mercado internacional graças a investimentos maciços em pesquisa e desenvolvimento”. Foram justamente as empresas brasileiras que estenderam suas ambições para fora das fronteiras as que mais se destacam atualmente na área da inovação, movidas pela necessidade de competir com quem investe pesado em pesquisa e desenvolvimento. Sexta colocada no ranking nacional de pedidos de patentes entre 2013 e 2016, a Petrobras, presente em quatro continentes, foi das primeiras a fazer a lição de casa e colhe os frutos do bom desempenho, com uma sólida reputação global na exploração de poços de petróleo em grandes profundidades. O ponto inicial desta trajetória foi a descoberta, em 1984, dos campos gigantes de Marlim e Albacora, na Bacia de Campos, a 1.000 metros de profundidade. “Criamos, aí, um programa especialmente dedicado a desenvolver as tecnologias necessárias para colocar aqueles campos em produção”, diz Joper Andrade, gerente executivo do centro de pesquisas e desenvolvimento da Petrobras.

Dez anos mais tarde, em abril de 1994, entrava em operação o poço Marlim 4, o primeiro do planeta a extrair petróleo abaixo de 1.000 metros do nível do mar. O próximo foi Roncador, a 1.730 metros, e partir daí o mundo se abriu – muito auxiliado pelo sinal verde dos Estados Unidos, no início desta década, para o uso da tecnologia da Petrobras na exploração dos campos de Chinook e Cascade, no golfo do México, 2.500 metros abaixo do nível do mar. Apesar da crise interna vivida pela empresa desde a explosão do escândalo da Lava-Jato, seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento continuam expressivos, somando 6,4 bilhões de reais nos últimos três anos. Detentora de cerca de 930 patentes no Brasil e mais de 1.400 no exterior, a Petrobras reúne 460 bacharéis, 281 mestres e 195 Ph.Ds. no Cenpes, o seu centro principal de pesquisas no Rio de Janeiro (possui mais seis menores em outros estados). Um bom exemplo de como a tecnologia pode aumentar a eficiência de uma empresa pode ser constatado na exploração do pré-sal na Bacia de Santos. Até 2010, o tempo médio para a construção de um poço marítimo na região era de, aproximadamente, 310 dias. Com o avanço do conhecimento e eficiência, esse tempo baixou para 128 dias em 2015. No ano seguinte, caiu para 89 dias. O foco das pesquisas sobre inovação agora é viabilizar a extração de petróleo do pré-sal a estonteantes 5.000 metros de profundidade. “Nosso maior desafio, atualmente, é produzir muito a custo baixo, no cenário de queda dos preços do petróleo”, diz Andrade. “Estamos desenvolvendo novos sistemas de dutos de coleta submarinos e soluções para a construção de poços e concebendo sistemas de separação e injeção de CO2 que não comprometam o meio ambiente”.

Na Vale, que nasceu estatal, foi privatizada em 1997 e se transformou em um gigante global de extração de minérios, o Centro de Desenvolvimento Mineral (CDM), em Santa Luzia (MG), conta com uma equipe de cem pesquisadores, dos quais 20 mestres e dez doutores, e orçamento de 15 milhões de dólares ao ano. No decorrer de meio século de existência, acumulou 450 patentes e injetou o vírus da criatividade no organismo da empresa, que atualmente opera outros quatro polos de inovação, sendo um deles no Canadá – o Vale Technology Development Ltda., um laboratório centenário, referência em pesquisas sobre níquel, que ela “herdou” ao adquirir a canadense Inco, em 2006. Entre os feitos dos centros de pesquisa da Vale está a invenção de um método de beneficiamento de minério de ferro sem a utilização de água, dispensando a necessidade de barragens de rejeitos como a de Mariana (MG), cujo rompimento, em 2015, resultou em uma catástrofe humana e ambiental que repercute até hoje. Outra comprovação do ímpeto inovador da multinacional é a introdução de esteiras na operação do recém-inaugurado projeto S11D, o maior empreendimento de extração de minério de ferro já montado no mundo, em Canaã dos Carajás, no Pará. "O minério vai da lavra para a usina de beneficiamento através das esteiras. Com isso eliminamos os caminhões e agilizamos o processo”, ressalta Fabiano Tonucci, gerente de propriedade intelectual e inteligência tecnológica da empresa.

No total, a Vale obteve 6.883 patentes de 1.590 “famílias” de inventos em 111 países, das quais 1.004 permanecem ativas em 61 nações. As demais prescreveram ao vencerem os vinte anos máximos de direitos de propriedade intelectual e também devido a um enxugamento do portfólio, que resultou na liberação para domínio público de dezenas de inventos. “A racionalização teve início nesta década e prevê também o licenciamento de toda tecnologia que não seja estratégica para o negócio”, diz Tonucci.

A empresa que mais registrou patentes no Inpi entre 2013 e 2016 não é brasileira – trata-se da americana Whirlpool, que aparece na lista por ter comprado a Embraco, outro poderoso motor de inovação impulsionado pela competição internacional. Com fábricas no México, China, Itália e Eslováquia, além do Brasil, a líder mundial na produção de compressores para refrigeração apresentou seu primeiro pedido de patente no Inpi – uma tecnologia para a redução do aquecimento do gás nos compressores – em 1983 e não parou mais, sobretudo a partir de 1987, quando criou o primeiro compressor do planeta a usar gases refrigerantes alternativos e dispensar o CFC, que causa sérios danos à camada de ozônio. “Ter tecnologias próprias significava liberdade para explorar o mercado mundial e permitir o crescimento da empresa. Foi naquela época que decidimos criar uma estrutura para proteger nossas criações”, comenta o vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento e novos negócios Eduardo Andrade. “Hoje, contamos com cerca de 1.700 patentes vigentes no Brasil e no mundo.”

O esforço de pesquisa e desenvolvimento das empresas brasileiras preocupadas em inovar vai além do aprimoramento e da concepção de produtos. Faz sucesso entre elas o conceito de inovação aberta, que consiste em levar propostas e técnicas para debate com universidades, startups, consultorias e institutos de pesquisa, e o Scrum, um software de metodologia de gestão que reduz pela metade o cronograma de lançamento de produtos por meio da integração de equipes de trabalho. “Também somos adeptos do design thinking, que testa soluções por intermédio da geração de protótipos e interações com usuários”, explica Andrade, da Embraco. Participante tardia do sistema de patenteamento de tecnologia, a catarinense WEG, fabricante de motores e equipamentos elétricos, tem voltado suas pesquisas para a chamada internet das coisas – a comunicação de máquina com máquina – como forma de monitorar equipamentos a distância.

A exemplo da Embraco, a WEG fez da inovação o carro-chefe de sua estratégia de conquista do mercado externo. Com fábricas em 12 países, seu principal centro de desenvolvimento está instalado na matriz, em Jaraguá do Sul (SC), mas cada linha de produção tem sua própria equipe de pesquisadores. “Só no Brasil contamos com 720 engenheiros voltados em tempo integral ao desenvolvimento de produtos e tecnologias, além de outros 500 que se dedicam à atividade de forma parcial. Os dois grupos reúnem, respectivamente, 126 mestres e 40 doutores“, enumera Milton Castella, diretor de pesquisa e inovação tecnológica. Um de seus projetos mais recentes, assinado em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina e apresentado no ano passado, é o primeiro ônibus elétrico movido a energia solar do Brasil. “Várias tecnologias embutidas nele, como o sistema de acionamento e as estações de recarga, foram totalmente desenvolvidas por nós”, orgulha-se Castella.

Do lado de fora do seleto grupo de empresas com forte atuação no exterior, porém, a inovação continua no pé das prioridades das companhias do Brasil – o que é uma pena. No exterior, as patentes são dominadas por indústrias. Na Alemanha, quinta colocada no ranking global da World Intellectual Property Organization (WIPO), com 175.057 pedidos apresentados em todo o mundo em 2015, dos 20 maiores solicitantes de patentes dentro do país só dois não são empresas privadas. A número 1 é a Bosch, com 3.693 requisições, seguida pela Schaeffler (2.316), a Daimler (1.946) e a Ford (1.790). Em contrapartida, as universidades alemãs, juntas, somam 670 pedidos. O protagonismo das corporações na proteção à propriedade intelectual e industrial também é regra nas duas maiores economias do mundo, China e Estados Unidos. Na China, campeã da WIPO, o maior número de pedidos de patentes vem dos setores de tecnologia e petróleo e as duas empresas que mais apresentaram requisições em 2016 foram a Huawey Technologies (4.906) e a China Petroleum Chemical Corporation (4.405). Nos Estados Unidos, a IBM lidera, com 8.023 pedidos – quase 85% a mais que todas as empresas brasileiras juntas —, seguida pela Samsung (5.504). O Brasil está em 25º lugar no ranking de pedidos de patentes da WIPO em 2015, com 6.554 solicitações.

A posição das empresas brasileiras no mundo da inovação parece ruim, e é mesmo, mas já foi muito pior. A Lei de Patentes, instrumento fundamental para incentivar empresas a investir na área, uma vez que resguarda seu direito sobre a inovação gerada, entrou em vigor só em 1997. Seguiu-se a ela outro instrumento importante, a Lei da Inovação, em 2004, que estabeleceu os parâmetros para a transferência de tecnologia. O sucesso da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa, hoje uma referência mundial em seu ramo, impulsionou a formação, há quatro anos, de seu espelho industrial, a Embrapii, empenhada em promover a aproximação e intercâmbio entre centros de pesquisa tecnológica e empresas. Um movimento decisivo surgiu em 2013 com a criação da rede nacional dos 25 Institutos Senai de Inovação – iniciativa que mobiliza recursos de 1 bilhão de reais para promover a pesquisa aplicada e o uso do conhecimento com o fim de gerar produtos inovadores e fazer frente aos desafios de uma época em que se antevê a Indústria 4.0. A rede de centros de PD – 21 já operam plenamente e os quatro restantes serão abertos até o fim deste ano – é iniciativa de um grupo de 200 executivos das principais empresas industriais do país sob a coordenação da Confederação Nacional da Indústria. De lá para cá, já entregou mais de cem produtos e processos inovadores, entre os quais tintas cicatrizantes para veículos e esmaltes de unha; um robô que inspeciona dutos de exploração de petróleo e implantes de titânio personalizados para reconstrução facial feitos com impressoras 3D. “Ninguém inova sozinha”, diz Rafael Lucchesi, diretor-geral do Senai. “A rede de Institutos Senai de Inovação é um parceiro fundamental para a indústria ser mais competitiva e se inserir na quarta revolução industrial.” Todas estas iniciativas criaram um ambiente mais favorável aos investimentos em pesquisa. Petrobras e Vale puseram lenha na fogueira, a competição internacional se intensificou e o resultado disso tudo é uma sacudida na pasmaceira das empresas. Quanto mais elas avançarem no ranking de registros de patentes do Inpi, inclusive por meio de parcerias com as campeãs históricas, as universidades, mais a indústria como um todo ganhará ferramentas para competir dentro e fora do país. E o Brasil será uma nação mais moderna, o que é bom para todo mundo.