Notícia

Jornal do Commercio (RJ)

Dúvidas sobre conservação de áreas ricas em espécies

Publicado em 20 agosto 2005

Natureza - Banco de dados ajuda em análise

Pesquisadores voltados para a biologia da conservação trabalham há algum tempo com o conceito de "hotspots", ou áreas ricas em espécies. Dentro desse contexto, e espalhados pelo mundo, surgiram as regiões geográficas com alta biodiversidade, endemismo elevado ou grande número de espécies ameaçadas de extinção. Surgiu também a inevitável pergunta: qual desses três tipos de ambiente mais precisa de uma grande estratégia de proteção?

Artigo publicado na revista "Nature" desta semana mostra que a questão ainda está longe de ser respondida. Mas, pelo menos, alguns novos caminhos surgem no horizonte. O trabalho assinado por David Orme, do Colégio Imperial de Londres, na Inglaterra, e colaboradores usou um banco de dados mundial de aves para tentar testar o comportamento dos três hotspots.

A primeira constatação é que a congruência entre os tipos estudados praticamente não existe. Apenas 2,5% das áreas são comuns às três categorias. Ou seja, os locais com alta diversidade, endemismo e espécies ameaçadas de extinção não são os mesmos do ponto de vista geográfico. Essa revelação já indica importantes subsídios para as políticas públicas no campo da conservação ambiental.

Recursos disponíveis
Na sessão News & Views da revista, o comentário assinado por Hugh Possingham e Kerrie Wilson, ambos da Universidade de Queensland, na Austrália, reflete sobre outro ponto importante. Para a dupla, está claro qual deve ser a escolha de um tomador de decisão, por exemplo, se os recursos disponíveis forem suficientes para apenas um dos três tipos de hotspots.

"Se o dinheiro for gasto apenas na conservação dos hotspots com alto endemismo, é bastante provável que as espécies com mais diversidade e ainda as ameaçadas de extinção dessa mesma área geográfica também acabem tendo algum tipo de proteção", concluíram os pesquisadores australianos. Apesar disso, o estudo mostra que ainda não existe um único tipo de hotspots que deve ser privilegiado.

Apesar de o estudo ter enfocado apenas o universo das aves, foi possível fazer outra afirmação em termos das regiões mais importantes para conservação: as maiores congruências entre os três casos surgiram em alta altitude, como nos Andes, na América do Sul.
Agência Fapesp