Notícia

Metalurgia e Materiais

Duplamente Sustentável

Publicado em 01 outubro 2009

Por Juliana Nakamura

Os aprimoramentos que vêm ocorrendo na reciclagem de metais não-ferrosos têm priorizado soluções cada vez mais sustentáveis, inclusive sob a ótica da eficiência energética. Um exemplo é o forno a plasma térmico projetado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), que minimiza impactos ambientais durante o processo de fusão da matéria-prima, otimizando o desempenho operacional.

A nova técnica melhora o controle na atmosfera do forno de recuperação, o que reduz o volume de gases gerados durante o processo. Além disso, dispensa o uso de sais fundentes para evitar a oxidação do metal. Esses insumos são comumente usados na reciclagem convencional do alumínio, buscando aumentar o rendimento, mas o processo não é ambientalmente correto.

Desenvolvido com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), o equipamento também gera óxido de alumínio, um subproduto reaproveitado pela indústria cerâmica. Com isso, elimina-se a necessidade de aterro industrial para dispor os resíduos da reciclagem, como ocorre nos processos correntes.

O engenheiro Antonio Carlos da Cruz, que coordenou o projeto pelo IPT, conta que a inovação incorporada ao forno, com pedidos de patentes já registrados, foi submetida a uma série de estudos que comprovaram a possibilidade de ampliar a capacidade de produção do protótipo, bem como sua viabilidade econômica.

Porém, até agora ainda não foi possível comercializá-lo para recicladores já estabelecidos. O principal entrave, segundo Cruz, é que a instalação das unidades plasma exige maior investimento inicial em comparação com o desembolso necessário para a implantação de unidades convencionais.

Mesmo assim, o engenheiro acredita na eficácia dessa tecnologia, tanto que atualmente está atuando na Recaltech, que se dedica ao desenvolvimento de um forno estático para reciclagem de sucatas leves (cavacos e latas de alumínio), também com o apoio da Fapesp. Focada num equipamento que opera tanto à tocha de plasma como a queimadores industriais, a solução integra o portfolio da Recaltech, empresa incubada no Cietec (Centro Incubador de Empresas de Base Tecnológica), especializada em tecnologia a plasma para reciclagem de metais.

Inovações como as associadas ao uso do plasma reforçam a tendência de se desenvolverem equipamentos com elevada taxa de fusão e tempos de carregamento menores no processamento de sucata de alumínio, aponta Henio de Nicola, coordenador da Comissão de Reciclagem da Abal. Os fornos que promovem maior área de contato para a carga e os que são equipados com caçambas automatizadas e sistemas auxiliares de controle das operações são top de linha, complementa Nicola.