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Jornal da Franca

Drones, vacina e pesquisa: como o Estado de São Paulo está enfrentando a dengue (73 notícias)

Publicado em 22 de fevereiro de 2025

A Defesa Civil estadual está comandando o combate ao mosquito da dengue nas ruas e agência de pesquisa apoia estudos e projetos

O Governo do Estado de São Paulo decretou situação de emergência em saúde pública em razão da epidemia de dengue. Com isso, o Estado reforça o combate à doença e ao mosquito proliferador de diversas formas.

Além do repasse de R$ 228 milhões a municípios, o Estado mobiliza a Defesa Civil para atuar no combate a focos de mosquito, além de desenvolver uma nova vacina contra a dengue e apoiar pesquisas científicas.

Os esforços vêm em um período do ano que exige maior atenção da população com a dengue por conta do aumento das chuvas e do calor.

Vacina contra dengue

O Instituto Butantan desenvolve a primeira vacina de dose única contra a dengue do mundo, o que coloca São Paulo e o Brasil na vanguarda. Os estudos sobre o candidato a imunizante começaram em 2016 e terminaram em junho de 2024.

Os resultados, publicados no The New England Journal of Medicine , indicaram que a vacina do Butantan reduziu em 79,6% o risco de adoecer em consequência do vírus da dengue. Além disso, reduziu em 89% o risco de desenvolver formas graves da doença.

A vacina é tetravalente, ou seja, protege contra os quatro sorotipos da dengue, inclusive o DENV-3, que voltou a circular recentemente no estado. Além disso, é também a vacina contra a dengue que cobre a faixa etária mais ampla.

Um milhão de doses em 2025

Em dezembro de 2024, o Instituto Butantan entregou o último pacote de informações para Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, agora, as duas instituições estão em fase de complemento de informações para o registro e autorização de uso do imunizante pela Anvisa.

Em caso de aprovação pela Anvisa, o Instituto Butantan tem condições de fornecer cerca de 100 milhões de doses da Butantan-DV ao Ministério da Saúde nos próximos três anos, sendo 1 milhão ainda em 2025.

“Com certeza nós venceremos a guerra contra a dengue quando tivermos vacina para todos. Esse é um trabalho desenvolvido pelo Instituto Butantan. É uma vacina que nos dá segurança de utilização”, disse o secretário de Saúde de São Paulo, Eleuses Paiva.

Combate ao mosquito

Enquanto a vacina encontra-se em aprovação, o Governo de São Paulo se mobiliza para combater o mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. Para isso, a Defesa Civil do Estado conta com ações de conscientização junto à população e de eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti

Agentes da Defesa Civil visitam imóveis e inspecionam quintais, calhas, vasos e caixas d'água. Os imóveis em condições críticas são registrados para futuras fiscalizações. A Defesa Civil do Estado também faz a limpeza de espaços públicos como praças, terrenos baldios e áreas de convivência para remover entulhos e objetos que possam acumular água.

Além disso, a nebulização, também conhecida como “fumacê”, é outra atividade da Defesa Civil contra a dengue em áreas com maior risco de proliferação do mosquito.

Criadouros do mosquito

Nas ruas de Osasco, por exemplo, agentes da Defesa Civil fizeram vistorias nas residências, limpeza nos espaços públicos e eliminação de criadouros do mosquito no centro da cidade. A ação contou com o apoio de agentes do Controle de Zoonoses, agentes da Via Mobilidade, das Defesas Civis do Estado e do Município de Osasco com apoio dos municípios da região.

Já nas ações de conscientização, a Defesa Civil orienta a população a evitar a proliferação do mosquito da dengue. Em parceria com a Secretaria da Saúde e dos Transportes Metropolitanos, a Defesa Civil foi à estação Palmeiras-Barra Funda, da Linha 7-Rubi, para orientar a população, tirar dúvidas e distribuir panfletos informativos.

Drones

Para complementar a vistoria de possíveis criadouros do mosquito da dengue, agentes da Defesa Civil fazem o uso de drones. Os equipamentos servem para vistoriar imóveis abandonados ou locais de difícil acesso, como o topo de prédios e caixas d'água abertas.

Os imóveis desocupados geralmente escondem diversos pontos de água parada, como caixas d'água sem tampa, piscinas em mau uso e lixo acumulado. Ao constatar o ponto de água parada utilizando o equipamento tecnológico, a prefeitura do município notifica o proprietário do imóvel.

Armadilha contra o mosquito

O Governo do Estado de São Paulo, por meio da FAPESP, investe em pesquisas científicas e desenvolve tecnologias voltadas ao controle da dengue. Além do desenvolvimento de vacinas, as iniciativas abrangem estudos epidemiológicos e soluções tecnológicas para o monitoramento e combate ao mosquito Aedes aegypti

A FAPESP apoia, por exemplo, o desenvolvimento de uma armadilha para capturar e monitorar fêmeas do mosquito da dengue. O equipamento atrai os insetos por meio de uma mistura de água, açúcar e feromônio.

Uma combinação de câmeras com inteligência artificial diferencia o Aedes aegypti de abelhas ou borboletas, por exemplo. Os mosquitos da dengue são aprisionados e os outros insetos são liberados.

Saúde pública

Com a coleta dos mosquitos, a armadilha coleta dados e analisa padrões de movimentação e de densidade populacional do mosquito. Os dados podem ser traduzidos em intervenções de saúde pública e dão mais detalhes do comportamento dos mosquitos.

Tudo isso sem a necessidade de um pesquisador in loco. A armadilha foi desenvolvida por pesquisadores do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), em Santa Rita do Sapucaí (MG) e descrita em artigo publicado na revista Sensors

Uma pesquisa apoiada pela FAPESP identificou o impacto do fenômeno El Niño no aumento da infestação do mosquito no estado. O estudo aponta que períodos com temperatura acima de 23ºC e volume maior que 153 milímetros favorecem o índice de incidência de larvas.

Em outra frente de pesquisa, especialistas alertam para o ressurgimento do sorotipo 3 da dengue, o que pode intensificar os surtos no Brasil, destacando a importância da vigilância epidemiológica.

Dúvidas sobre dengue

Para tirar as principais dúvidas da população, a Secretaria da Saúde criou o site Dengue 100 Dúvidas. O portal reúne as perguntas que as pessoas mais fazem sobre a doença e responde de forma simples e objetiva. Clique aqui para acessar o site.