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Revista Controle & Instrumentação

Drone voa sozinho no meio de florestas

Publicado em 01 outubro 2020

Por Da redação

Obter informações detalhadas sobre uma floresta é fundamental, para orientar o poder público a definir políticas de conservação e a monitorar possíveis crimes ambientais, como queimadas e desmatamentos ilegais. Atualmente, para fazer um levantamento sobre determinada área, especialistas produzem o chamado inventário florestal, estudo que apura o número estimado de árvores de uma floresta, o volume de madeira| disponível, a área coberta por vegetação, as características da bio a diversidade local, a topografia da região, entre outros dados. No entanto, realizar esse trabalho manualmente é praticamente inviável, tendo em vista a dificuldade de acesso a algumas matas, e O longo tempo para execução das tarefas, que podem levar semanas para serem finalizadas, além de exporem os profissionais a diversos riscos, como quedas em buracos e ameaças de animais.

Por esses motivos, pesquisadores brasileiros e norte-americanos desenvolveram um sistema computacional, capaz de controlar um drone de forma autônoma (sem controle humano), no interior de florestas, permitindo que ele desvie de árvores e mapeie grandes territórios, em poucos minutos. “ Além de termos a possibilidade de fazer um inventário florestal em uma área de cobertura muito maior, com a atuação do drone esse processo, se torna muito mais rápido, seguro e preciso ”, explica Guilherme Nard ari, pesquisador do INCT de Sistemas Autônomos Cooperativos (InSAC), sediado na Escola de Engenharia de São BaaR? Carlos (EESC), da USP e um dos auto j A res do trabalho, que foi realizado em, parceria com cientistas da Univers i[ ES ps dade da Pensilvânia, nos EUA, f Para efeito de comparação, com o drone desenvolvido, seria possível mapear uma floresta inteira de 400 mil metros quadrados, em apenas 30 minutos. Já se o mesmo trabalho fosse realizado por uma equipe de engenheiros florestais, por exemplo, o tempo saltaria para 12 dias e meio, considerando que eles trabalhassem 24 horas por dia, missão impossível para um único grupo. Pela dificuldade da tarefa, os profissionais optam por avaliar pequenos trechos da floresta, Guilherme Nardari/Arquivo pessoal= € fazer uma estimativa dos dados 7; totais, gerando informações muito “+: menos precisas e detalhadas.

Com peso aproximado de kg, e autonomia de voo de 20 minutos, o drone, que está sendo testado nos EUA, é composto por quatro hélices, uma câmera, um computador de bordo, um controlador de voo,' e um sensor a laser, responsável por calcular, em tempo real, a distância* entre O drone e as árvores ao seu| redor. Pioneira, a utilização de um mM veículo aéreo não tripulado (Vant) estas autônomo para monitorar e mapear florestas possibilitará uma série| de aplicações, entre elas, o comba' te ao desmatamento. Guilherme, que desenvolveu o trabalho durante intercâmbio nos EUA e recebe financiamento da Fapesp- Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo-, afirma que o algoritmo desenvolvido para controlar O drone permite um mapeamento mais preciso, e com informações mais detalhadas sobre a floresta, além de voos menos suscetíveis a interferências, em comparação com outros modelos encontrados na literatura da área. Nos Estados Unidos, os cientistas parceiros já começaram a oferecer serviços de mapeamento com o drone para a iniciativa privada. Segundo Guilherme, há interesse em trazer a tecnologia para Brasil, mas, antes, O sistema de controle do Vant precisaria passar por algumas adaptações, afinal, existem diferentes tipos de florestas no país, com obstáculos distintos, que podem dificultar as missões com o veículo aéreo.