Notícia

Revista do Idec

Drogas de risco elevado

Publicado em 01 novembro 2005

Um balanço entre os benefícios e os riscos de um tratamento com drogas antidepressivas deve ser levado em consideração pelos pacientes, seus familiares e terapeutas, uma vez que está sendo retomado com grande intensidade o debate sobre a possibilidade de o uso desses medicamentos aumentar a incidência de suicídio.
Já em 2004, e também agora em outubro de 2005, o Idec encaminhou carta à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) questionando se alguma medida estaria sendo tomada no Brasil, a exemplo do que já ocorre na Inglaterra, no intuito de restringir a prescrição desses medicamentos e de ampliar a divulgação dos riscos decorrentes de seu uso para os profissionais de saúde e o público em geral.
Nos EUA, a Food and Drug Administration (FDA, na sigla em inglês), agência que regulamenta medicamentos e alimentos, já adverte os médicos, pacientes e familiares de adultos e crianças em tratamento, para que observem o surgimento de certos comportamentos associados a essas drogas, como ansiedade, agitação, ataque de pânico, insônia, irritabilidade, hostilidade, impulsividade e mania. No mês passado, a agência solicitou aos fabricantes de dez desses medicamentos alterações no rótulo, advertindo sobre os seus riscos potenciais e trazendo fortes recomendações e cuidados no sentido de observar se houve piora da depressão e ocorrência de idéias suicidas.

Constante nas pesquisas
A Revista no 115 da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), de setembro deste ano, noticiou que adultos que tomam antidepressivo à base de paroxetina (Aropax, Cebrilin, Pondera e Roxetin) apresentam um risco maior de tentar suicídio do que aqueles que não o tomam.
Em fevereiro, David Grunnell, da Universidade de Bristol (Inglaterra), alertou para o risco mais elevado de comportamento suicida entre as pessoas que tomavam antidepressivos inibidores de recaptação da serotonina (SSRIs), o mesmo grupo da fluoxetina (Prozac, Daforin, Deprax, Depress, Eufor, Fluxene, Neofluoxetin, Nortec, Prozen, Psiquial, Verotina e Fluoxetin), mas sem avaliar especificamente a paroxetina.
Outras pesquisas observaram, ainda, duas vezes mais episódios de atos suicidas fatais e não fatais em usuários de SSRI quando comparados com usuários de placebo ou de outras terapias (excluindo os tricíclicos — que são outro tipo de antidepressivo). Outro levantamento indicou que em pacientes menores de 18 anos há evidências de aumento de risco de suicídio por aqueles que usam SSRIs.
Alguns pesquisadores acreditam que os laboratórios que produzem os antidepressivos ocultam dados científicos que corroboram a idéia de que os medicamentos SSRIs podem aumentar o risco de suicídio em adultos. O Estado de Nova Iorque (EUA) moveu uma ação contra a Glaxo-SmithKline, alegando que a empresa suprimiu pesquisas que relacionavam o uso do medicamento ao aumento da possibilidade de suicídio em usuários menores de 18 anos.