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Doutoranda da Unesp ministra aula na Universidade de Lisboa

Publicado em 01 fevereiro 2013

A doutoranda Márcia Regina Rodrigues (bolsista da Fapesp, atualmente desenvolvendo a sua pesquisa em Portugal, na Universidade de Lisboa), orientanda da professora Renata Junqueira, da Faculdade de Ciências e Letras (FCL) da Unesp, Câmpus de Araraquara, no Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários, ministra aula na Universidade de Lisboa, em Portugal, dia 6 de fevereiro.

O tema é ‘O teatro de Prista Monteiro nos palcos portugueses e no cinema de Manoel de Oliveira’. Márcia é autora do projeto intitulado “Absurdo e Censura na Cena Portuguesa: O Teatro de Prista Monteiro”. Helder Prista Monteiro (1922-1994) é um dos mais representativos do chamado Teatro do Absurdo em Portugal.

Serão abordados na aula diversos tópicos:

Prista Monteiro (1922-1994): “escritor e médico”

Trata-se da apresentação do autor e de sua produção dramatúrgica, especialmente das peças que foram encenadas na década de 1960 – A rabeca, O meio da ponte e O anfiteatro –, altura em que o teatro português, devido à censura salazarista, era mais lido que encenado.

Do CITAC à CTA

Abordagem das peças de Prista Monteiro que foram levadas à cena por importantes companhias que fizeram a história do teatro português do século XX como o Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra (CITAC), com direção de Luís de Lima – encenador e também ator que trabalhou em Portugal e no Brasil, apresentando o teatro de Ionesco nesses dois países –; o Teatro Estúdio de Lisboa (TEL), com direção de Luzia Maria Martins, encenadora que atualmente vem recebendo reconhecimento dos historiadores do teatro português; o Teatro Experimental do Porto (TEP), companhia que renovou a cena portuguesa; a Companhia de Teatro de Almada (CTA), sede do mais importante Festival Internacional de Teatro em Portugal, com direção de Joaquim Benite.

Bengala, tremoços e castanhas: a dramaturgia de Prista Monteiro revelada pela câmara de Manoel de Oliveira

O título desse último tópico refere-se a duas peças de Prista Monteiro que foram adaptadas para o cinema pelo renomado realizador português. A “bengala” é um objeto importantíssimo nas cenas da peça Os imortais, “inserida” no filme Inquietude, e que foi escolhida pela pesquisadora porque também remete ao título de outra peça do dramaturgo, A bengala, escrita em 1960 e proibida, pela censura salazarista, de subir aos palcos.

“É com uma bengala que o Papá de Os imortais, um velho ex-acadêmico com mais de 90 anos, empurra pela janela o filho, de 70 anos, matando-o, a fim de livrá-lo da decrepitude causada pela velhice”, afirma Márcia Regina.

Já tremoços e castanhas são, respectivamente, para a professora, referências ao primeiro e ao segundo ato da peça A caixa (escrita em 1979 e publicada em 1981), na qual, dentre as várias personagens, há uma que se torna marcante na peça e no filme homônimo de Oliveira: a vendedora (Isabel Ruth, no filme) de tremoços (no verão) e castanhas (no inverno).

Em A caixa, segundo Márcia, todas as pobres personagens que vivem nas casinhas construídas ao longo de uma escadaria têm como única ambição possuir uma caixa de esmolas igual à do cego. “Logo que começa o inverno em Portugal, é comum vermos nas ruas vendedores ambulantes de castanhas assadas na hora, provocando uma grande fumaça, imagem característica das cidades nessa época do ano”, conta.

“Manoel de Oliveira aproveita muito bem essa imagem, esfumaçando e enfatizando uma das cenas finais do filme em que a filha do cego assume uma atividade igual à do falecido pai e relata como foi o seu dia à vendedora de castanhas”, diz a doutoranda. “Os filmes de Oliveira A caixa (1994) e Inquietude (1998), em certa medida, para a doutoranda, revelam a dramaturgia de Prista Monteiro para o cinema e do cinema para o mundo.”