Notícia

Folha de S. Paulo - Vale (São José dos Campos)

Dores crônicas nas costas podem trazer danos psicológicos

Publicado em 19 março 2005

Pesquisa desenvolvida na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) analisou 154 pacientes, durante dois anos, que chegaram ao Hospital das Clínicas se queixando de dores nas costas. O estudo mostrou que 80% desse grupo realmente sofre de problemas crônicos na coluna.
A maioria dos pacientes era do sexo feminino. O grupo, formado por chefes de família inseridas no mercado de trabalho, tinha média de 43 anos. A pesquisa, realizada por médicos da Escola de Postura, da divisão de Medicina de Reabilitação do Hospital das Clínicas da FMUSP, estudou itens como capacidade funcional, estado geral de saúde, dor, vitalidade e saúde mental.
"Os resultados coincidem com a literatura científica da área, que mostra ser as dores nas costas uma das principais causas de afastamento do trabalho em todo o mundo", disse Carlos Alexandrino de Brito Júnior, coordenador do estudo, à Agência Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo). "E o pior é que o problema pode ocasionar desequilíbrios familiares, pois a diminuição da capacidade de produção acaba afetando o cotidiano de outros integrantes da família, provocando sérios problemas socioeconômicos."
Os pesquisadores constataram ainda que, além das alterações neurológicas e biomecânicas, o problema pode afetar psicologicamente o paciente. A não resolução rápida do problema, mostra a pesquisa, pode causar até sintomas de desânimo e depressão.
Considerando que, em cada dez paulistanos, pelo menos oito têm ou tiveram dores crônicas nas costas, a Escola de Postura passou a dar assistência médica a pessoas que sofrem de dores na coluna. "Nós estimulamos o conhecimento do próprio corpo, para que os pacientes consigam superar seus desvios de postura. A intenção é contribuir para que os portadores da dor lombar não sejam transformados em pessoas doentes. Quanto mais tempo o paciente fica sem tratamento, maiores serão as seqüelas", disse Brito Júnior. (Por Thiago Romero, da Agência Fapesp)