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Domínio do idioma japonês abre a porta para pesquisas

Publicado em 18 junho 2008

O pai da socióloga e pesquisadora Elisa Sasaki, Yomei Sasaki, é o monge budista que vai rezar a missa de cem anos da imigração japonesa, momento solene das comemorações no Anhembi, no dia 18 de junho. A mãe, Midori, também concluiu a formação universitária, o que foi uma proeza em tempos de guerra. Por causa principalmente da ascendência dos pais, Elisa lê, escreve e fala o japonês culto, o que possibilitou seu primeiro contato com o tema dos dekasseguis e vem sendo fundamental para a continuidade de suas pesquisas.

O interesse da pesquisadora surgiu por acaso, em 1991, quando atendeu a um telefonema para o irmão, Eduardo Sasaki, geógrafo que também se tornou monge. “Era um amigo do Japão, Toru Watari, que eu também conhecia. Veio fazer uma pesquisa sobre dekasseguis, uma das primeiras mais sistematizadas realizadas no Brasil, financiada pela Fundação Toyota. Como eu estava de férias do curso de ciências sociais da Unicamp e as entrevistas seriam em japonês, entrei como voluntária”.

A pesquisa de campo baseava-se em exaustivo questionário com 179 perguntas e resultou em um livro proporcionalmente volumoso, intitulado O brasileiro nikkey dekassegui e publicado em 1995. “O trato para ser voluntária foi de que eu teria acesso aos dados. Como leio em japonês, minha monografia de graduação foi praticamente um trabalho de tradução e compilação”.

A partir daí, Elisa Sasaki iniciou contatos com professores e pesquisadores envolvidos com o tema da emigração de brasileiros, como Teresa Sales, Rossana Rocha Reis, Bela Bianco, Michael Hall e Antonio Arantes. “Foi quando se começou a institucionalizar os estudos migratórios. O primeiro grupo brasileiro de pesquisa foi formado na Unicamp”, diz socióloga, que para o doutorado realizou pesquisa de campo em Nagoya, com bolsa da Fapesp.