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Folha de Londrina online

Domínio brasileiro na Internet faz 25 anos

Publicado em 01 setembro 2014

No final da década de 1980, muito antes de se falar em internet no Brasil, um grupo de pesquisadores ligados à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) utilizava uma rede acadêmica de correio eletrônico para trocar informações sobre assuntos científicos. As redes eram formadas por máquinas dos mesmos fabricantes. Num determinado momento, por necessidade de unificá-las, os usuários passaram a utilizar um software para reunir as redes.

Para identificar cada máquina do grupo, optou-se por utilizar o domínio ".br". Nascia assim, há 25 anos, a marca que identifica os domínios brasileiros na rede mundial de computadores.

Quem conta a história é Demi Getschko, diretor-presidente do NIC.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR) e conselheiro do CGI.br (Conselho Gestor da Internet). Conhecido como "pai da Internet" no Brasil, ele declina do título e reforça que toda a equipe da época merece o mérito. "Eu apenas centralizava a parte administrativa dos primeiros registros", conta. No início da década de 90, quando a web começou a se consolidar, os domínios passaram a ser organizados no modelo conhecido até hoje, hierarquizados pelo "ponto" e com os complementos ".com.br", ".gov.br" e ".org.br", entre outros. "Como as universidades foram pioneiras no uso das redes, ficaram apenas com o '.br'", acrescenta.

Com o início da fase comercial da Internet, no começo de 1996, o ".br" já registrava 851 domínios e terminou o ano com 7.507 registros. Em abril de 2014, eram mais de 3,4 milhões de registros.

Getschko lembra que, na época das primeiras redes, os usuários não imaginavam que viviam o embrião de algo tão grandioso que interligaria o mundo. "A gente achava que as redes jamais iriam interessar o público não ligado à área acadêmica. Acreditávamos que os 'leigos' teriam dificuldades para utilizar, não enxergamos como uma possibilidade viável a todos", conta.

O veterano da Internet relata que a popularização da web ocorreu através de organizações não governamentais, que passaram a usar as redes de correio eletrônico para se organizarem. "A web chegou em 1991. Desde então, vem causando rupturas em várias áreas, porque permite compartilhar conhecimento", diz.

Questionado sobre o futuro da tecnologia, ele ressalta que o Brasil tem muitas oportunidades no setor de desenvolvimento de novos aplicativos. Pontua, entretanto, que o desafio do País é levar conexão em locais onde a população ainda enfrenta dificuldades para se conectar por falta de investimento em infraestrutura, dificultada pela existência de barreiras físicas. "O problema é levar Internet para lugares que não despertam interesse econômico nas empresas", afirma, lembrando que tal iniciativa é fundamental para disseminar conhecimento e despertar a cidadania. "A mudança esperada é que as pessoas se conectem e se organizem em grupos motivados por interesses em comum e saiam do isolamento, formando comunidades que não existiam no 'mundo anterior' à rede."

Comércio eletrônico

Vivaldo José Breternitz, professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie, afirma que ninguém sabe ao certo o número de usuários da Internet no Brasil. A partir de diferentes pesquisas, entretanto, é possível dizer que há 80 milhões de pessoas que podem acessar a rede regularmente e 60 milhões que efetivamente o fazem. "É um fenômeno irreversível", avalia.

Para ele, um dos setores que mais expõe o impacto da tecnologia é o comércio eletrônico. Até julho deste ano, foram movimentados R$ 16 bilhões em compras pela internet no Brasil, um aumento de 26% com relação ao mesmo período do ano anterior. "O crescimento do comércio tradicional não atingiu nem a décima parte deste índice", compara. A previsão é chegar a R$ 35 bilhões até o final do ano, com crescimento de 21% em comparação a 2013.

Para o especialista, a popularização dos dispositivos móveis vai acelerar ainda mais este processo. Hoje, no Brasil, existem 271 milhões de celulares e tablets em uso, sendo que 25% estão aptos a acessarem a internet. O crescimento joga luz sobre a falta de infraestrutura para acesso. "As operadoras não conseguem aumentar a capacidade de atendimento na mesma velocidade que as vendas de dispositivos móveis", justifica.