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O Povo online

Dois genomas humanos por dia

Publicado em 30 agosto 2008

O Instituto Wellcome Trust Sanger, no Reino Unido, anunciou ter seqüenciado o equivalente a 300 genomas humanos em apenas seis meses, dentro do projeto 1.000 Genomas, lançado no início do ano. O total equivale a 1 trilhão de pares de base do código genético que estarão à disposição de cientistas do mundo inteiro, ajudando-os a entender melhor o papel dos genes em doenças e na saúde humana. Segundo o instituto, trata-se de um recurso que permitirá responder questões inimagináveis a apenas alguns anos e que ajudará a transformar a genética médica.

O volume de dados impressiona. A cada dois minutos o instituto britânico produz uma quantidade de seqüências equivalente à que foi depositada nos primeiros cinco anos das primeiras bases internacionais de seqüências de DNA, que tiveram início em 1982. "É uma enorme satisfação ver que a adoção da nova geração de tecnologias de seqüenciamento está permitindo um rápido avanço na pesquisa biomédica", disse Harold Swerdlow, responsável pelo desenvolvimento de novas tecnologias no Wellcome Trust Sanger.

O projeto 1.000 Genomas tem como objetivo produzir um mapa das variações nas seqüências de DNA com precisão inédita. Com período estimado em três anos, o projeto está na fase piloto e adiantado em seu cronograma. Até o momento foram depositados 300 bilhões de bases, o que equivale a mais da metade do total mundial. "O projeto está explorando o genoma com resolução que até então ninguém havia tentado. Nossos objetivos são ambiciosos e todos ainda estamos aprendendo, mas podemos ver que os resultados terão certamente um grande impacto na compreensão da genética e das doenças humanas", disse Richard Durbin, um dos líderes do projeto.

Com as novas plataformas de seqüenciamento, os pesquisadores do instituto buscam não apenas variantes herdadas, mas também genes que sofreram mutações em tipos mais comuns de cânceres nos últimos oito anos. Tal abordagem era possível até há pouco tempo com o foco em apenas um número limitado do genoma, mas as novas tecnologias permitem que todos os genes e suas regiões em muitas amostras de tumores possam ser analisados ao mesmo tempo.

"Publicamos resultados de um estudo com amostras de câncer de pulmão que ilustram bem a complexidade e diversidade de genomas do câncer. Obtivemos mais dados em seis meses do que nos cinco anos anteriores", disse Mike Stratton, outro líder do projeto. "O advento das novas tecnologias de seqüenciamento permite que busquemos por todos os tipos de mudanças somáticas em genomas do câncer e que façamos novamente o seqüenciamento de genomas completos da doença, o que nos permitirá obter catálogos completos das mudanças somáticas", afirmou. (Agência Fapesp)