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Doenças - Governo apóia criação de sete redes de pesquisa genética

Publicado em 26 abril 2001

Por Isabel Braga
O presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou ontem o apoio financeiro do governo federal e de governos estaduais à criação de sete redes de pesquisa genética no País. As redes desenvolverão projetos nas áreas de saúde pública e agricultura, seqüenciado o código genético de alguns microorganismos dentro do Projeto Genoma Brasileiro. O objetivo é oferecer alternativas para a prevenção de doenças como Chagas e Leishmaniose e aumentar a produtividade e qualidade de produtos agrícolas, entre eles o cacau. Ao todo, as redes receberão investimentos de R$ 26 milhões, envolverão laboratórios de biologia molecular de 48 instituições e pesquisa e mobilizarão cerca de 240 cientistas brasileiros. Cada um dos sete projetos terá dois anos para finalizar o seqüenciamento genético do microorganismo pesquisado. No Nordeste está sendo estudado o código genético da Leishmania chagsi para tentar encontrar uma vacina contra a doença que provoca (leishmaniose). Os outros seis projetos são Rede Genoma de Minas Gerais (pesquisa sobre o parasita que provoca a esquistosomose); Rede do Centro-Oeste (pesquisa sobre fungo responsável por micose endêmica coordenada pela Universidade de Brasília); Rede Paraná (desenvolver o código genético do Trypanosoma cruzi, que provoca a doença de Chagas), Rede Bahia (estudos sobre o genoma do fungo Crinipellis, que causa a doença "vassoura de bruxa" nas plantações de cacau). Rede Paraná e Rio de Janeiro (para estudo de duas bactérias fixadoras de nitrogênio). Em dezembro do ano passado o governo lançou a rede nacional do projeto Genoma e hoje existem 25 laboratórios trabalhando em outros projetos. "Nosso esforço é garantir que cientistas de todo o País participem das pesquisas, sem se sentir obrigados a migrar para os grandes centros como São Paulo ou Rio de Janeiro", explicou o ministro da Ciência e Tecnologia Ronaldo Sardenberg. No ano passado, o MCT investiu R$ 11 milhões na área de pesquisas de biotecnologia e para este ano estio previstos R$ 50 milhões. "Estes recursos devem crescer rapidamente no ano que vem, porque enviaremos ao Congresso a proposta de criação de um fundo para a biotecnologia", acrescentou Sardenberg, destacando que o governo contribui com bolsas de estudos para o projeto vitorioso e pioneiro de Seqüenciamento de código genético desenvolvido pela fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) Dos R$ 26 milhões a serem investidos nas sete rede regionais, metade dos recursos serão bancados pelo Ministério de Ciência e Tecnologia e o restante pelos governos estaduais. "Houve competição entre os Estados para a escolha dos projetos a serem financiados e a gestão compartilhada com os governos estaduais permitirá maior transparência na aplicação dos recursos", disse Sardenberg.