Notícia

Jornal Floripa

Doenças do Aedes

Publicado em 06 janeiro 2016

Após exames em um recém-nascido, na manhã de ontem, em Goiânia, foi constatado que o bebê nasceu com microcefalia. A mãe da criança, que veio de Querência (MT), sabia que a filha nasceria com um problema de má formação e preferiu dar à luz na Capital goiana por acreditar que teria mais recursos de tratamento. A princípio, a mulher teria contraído zika vírus no segundo mês de gestação.

A informação de microcefalia foi confirmada pela equipe médica do hospital. Na ocasião, ficou constatado que o crânio do bebê mede 29 centímetros. Conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), a medida certa é de 32 a 38 centímetros. Até o fechamento desta edição, a recém-nascida passava bem.

O Ministério da Saúde (MS) orienta às gestantes que elas mantenham o acompanhamento e as consultas de pré-natal, com a realização de todos os exames recomendados pelo médico. A pasta reforça ainda a orientação de não consumirem bebidas alcoólicas ou qualquer outro tipo de drogas, não utilizar medicamentos sem orientação médica e evitar contato com pessoas com febre ou infecções.

É importante também que as gestantes adotem medidas que possam reduzir a presença de mosquitos transmissores de doença, com a eliminação de criadouros, e proteger-se da exposição de mosquitos, como manter portas e janelas fechadas ou teladas, usar calça e camisa de manga comprida e utilizar repelentes permitidos para gestantes.

Terror

Em entrevista coletiva, na tarde de ontem, a gerente estadual de Vigilância Epidemiológica, Magna Maria de Carvalho, divulgou o balanço de casos de pessoas afetadas pelas facetas do mosquito Aedes aegypti, em Goiás. As informações são referentes aos dados do primeiro semestre de 2015 até o dia 2 de janeiro de 2016. Desde o início das investigações, foram notificados 51 casos suspeitos de microcefalia e sete envolvimentos da doença possivelmente associado ao vírus Zika.

Em Goiânia, até a semana 52 (04/01/2015 a 02/01/2016) foram notificados 29 casos suspeitos de Zika, sendo que seis foram descartados, um confirmado e 22 permanecem em sentinela, informou a Secretaria Estadual de Saúde (SES).

Por outro lado, Goiás registrou no total, no ano passado, 62 casos do vírus Zika e aumentou, recentemente, para três situações confirmadas. Os dois últimos casos acometeram uma mulher em Goiânia e uma criança em Santo Antônio do Descoberto, que foi atendida e diagnosticada em Brasília.

Outros dados preocupantes revelados pela secretaria de saúde são referentes aos casos de dengue em 2015. Foram 187.448 pessoas acometidas pela doença e 81 óbitos confirmados. Os números são ainda mais estarrecedores quando registra 53 envolvimentos por febre amarela e três casos de mortes confirmadas. Também são contabilizados 147 casos de chikungunya (confira tabela com notificações de outras doenças).

Detecção

Atualmente, a circulação do Zika é confirmada por meio de teste PCR, com a tecnologia de biologia molecular. A partir da confirmação em uma determinada localidade, os outros diagnósticos são feitos clinicamente, por avaliação médica dos sintomas. Até o momento, estão com circulação autóctone do vírus Zika 19 estados. São eles: Mato Grosso do Sul, Roraima, Amazonas, Pará, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná.

Conforme a gerente estadual de Vigilância Epidemiológica, Goiás vive uma situação de guerra aos Aedes aegypti e um trabalho de intensificação nos 246 municípios goianos. “Uma das situações de contenção é a realização do bloqueio, ou seja, é a utilização do inseticida num raio de 150 metros em volta daquele caso notificado. A intenção é matar o mosquito adulto e evitar a disseminação do vírus”, disse.

Não associados

Magna Maria de Carvalho explicou que os 51 casos suspeitos de microcefalia, no Estado, ainda precisam passar por uma série de avaliações investigativas. “Ainda não podemos confirmar se os casos de microcefalia estão associados à infecção por Zika vírus. Há muitos casos registrados, porém não confirmados, de microcefalia em que a criança não tem a doença. Por isso, é importante averiguar a medição. Existem situações em que a criança nasce antes do momento, com o peso baixo, obviamente terá uma cabeça menor. Tudo isso deve ser avaliado.

O Estado de Pernambuco, o primeiro a identificar aumento de microcefalia, continua com o maior número de casos suspeitos (1.185), o que representa 37,33% do total registrado em todo o País. Em seguida, estão os estados da Paraíba (504), Bahia (312), Rio Grande do Norte (169), Sergipe (146), Ceará (134), Alagoas (139), Mato Grosso (123) e Rio de Janeiro (118).

Dengue

Apesar de todos os anos governos concentrarem esforços para diminuir casos de dengues, tanto no Brasil quanto em Goiás, os números não deixam de serem alarmantes. Sobre isso, a gerente estadual de Vigilância Epidemiológica, Magna Maria de Carvalho explicou que o clima predominantemente quente no Estado goiano contribui para a proliferação da doença.

“Diferente da Região Sul, por exemplo, quando chega o período frio, o mosquito dificilmente sobrevive a temperaturas inferiores a 15º C. Aqui (Goiás) é difícil atingir essa temperatura mesmo na época de inverno. Então, clima quente, estação chuvosa bem definida, além de ser um problema complexo, e ter de contar com a participação popular são fatores importantes para proliferação do mosquito”, disse.

Contudo, é preciso esforço de toda a sociedade no combate ao mosquito transmissor de diversas doenças, o Aedes aegypti, que muitas delas são mortais. Medidas simples como evitar água parada ainda são fundamentais para findarmos esse agente transmissor das moléstias dengue, zika e outras. Manter a caixa d’ água bem fechada; encher de areia até a borda os pratinhos das plantas; remover tudo que impeça a água de correr pelas calhas; guardar garrafas vazias sempre de cabeça para baixo; nunca jogar lixo na rua e em lotes baldios são algumas das maneiras de evitarmos os transtornos.

Saiba mais

Números das doenças do Aedes aegypti em Goiás/2015

 

Casos de dengue: 187.448

 

Óbitos confirmados: 81

 

Casos de Zika: 62

 

Em investigação: 45

 

Descartados: 14

 

Confirmados: 3

 

Casos de microcefalia notificados: 51

 

Casos possivelmente associados a infecção por Zika vírus: 7

 

Casos de chikungunya: 147

 

Em investigação: 40

 

Descartados: 97

 

Confirmados: 0

 

Inconclusivos: 10

 

Casos de Febre Amarela: 53

 

Confirmados: 5

 

Descartados: 39

 

Óbitos: 3

 

Casos de Mayaro: 57 confirmados

 

Casos de Guilain Barre: 51

Reação contra o transmissor em Goiás

Assessoria SES

A Secretaria de Estado da Saúde e o Corpo de Bombeiros promovem hoje, nova rodada de reuniões com prefeitos e secretários de saúde de 40 municípios goianos com o objetivo de mobilizá-los para o combate ao Aedes aegypti e orientá-los sobre as ações do dia D do “Goiás contra o Aedes”, que serão realizadas nos dias 12 e 14 de janeiro. Outros 40 prefeitos serão capacitados no dia 13 a fim de organizarem as mobilizações em suas cidades, com visitas a todos os imóveis.

“Estamos sugerindo aos municípios que utilizem ferramentas como autorizações judiciais para entrada em imóveis fechados e aplicação de multas a proprietários reincidentes na negligência à presença de focos de Aedes em suas propriedades”, explica o superintendente executivo da SES Halim Girade.

Durante as reuniões, realizadas na Sala de Situação Conecta SUS, os prefeitos, secretários e representantes de saúde recebem informações sobre o cenário em Goiás das doenças transmitidas pelo Aedes, incluindo números de casos e óbitos. Eles também são informados sobre os fluxos de atendimentos a gestantes com suspeita de zika, recém-nascidos com microcefalia e pacientes com Síndrome de Guillain-Barré.

As mobilizações são simultâneas e padronizadas, seguindo dinâmica especial do Corpo de Bombeiros que monta nos municípios, um Posto de Comando Unificado responsável por coordenar e monitorar o trabalho das equipes de campo. A meta do Comitê Executivo Estadual de Combate ao Aedes é visitar até 31 de janeiro todos os cerca de 3,2 milhões de imóveis em Goiás à procura de focos do mosquito Aedes aegypti,

Pesquisadores fazem testes com células-tronco e animais para entender vírus Zika

Bruno Bocchini, Agência Brasil

Pesquisadores estão usando células-tronco e animais, como camundongos e macacos, para tentar entender como o vírus Zika afeta as células nervosas do cérebro humano. Os experimentos estão sendo feitos por uma rede de estudiosos, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A coordenação é do professor Paolo Marinho de Andrade Zanotto, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), Paolo Marinho de Andrade Zanotto. “Tentamos entender o que está acontecendo no cérebro. Estamos usando modelos com camundongos e um modelo humano de microencéfalo, que são células-tronco modificadas, reprogramadas em laboratório, em uma condição onde elas se desenvolvem tridimensionalmente em uma estrutura parecida com um microencéfalo”, disse o professor.

As estruturas feitas a partir das células-tronco são infectadas pelo vírus Zika e, então, analisadas. Nos experimentos também estão sendo infectadas células de origem nervosa de insetos e de macacos. “Estamos começando a analisar o que que o vírus faz.”

Dados divulgados na terça-feira (5) pelo Ministério da Saúde mostram que já foram notificados 3.174 casos suspeitos de microcefalia relacionada ao vírus Zika em recém-nascidos. Pela primeira vez, está sendo investigado um caso no estado do Amazonas. As notificações estão distribuídas em 684 municípios de 21 unidades da federação. Também estão em investigação 38 óbitos de bebês com microcefalia, possivelmente relacionados ao vírus Zika.

Uma pequena parte dos laboratórios brasileiros já é capaz de fazer testes de detecção do Zika a partir do DNA, mas o processo é complexo e demorado, e não há escala para atender a atual demanda. O desenvolvimento de testes rápidos e simplificados, que possam ser aplicados em grande escala, também está sendo feito pela equipe coordenada por Zanotto.

O pesquisador disse que a meta é ter alguma coisa pronta antes de um eventual surto em São Paulo. De acordo com Zanotto, existe a possibilidade de isso ocorer de forma mais intensa no final do verão. “No entanto, não há garantia de que o teste rápido fique pronto até o fim da estação. Espero que sim, pode ser até antes, pode ser depois. Isso não é como fazer bolo, que tem uma receita pronta”, afirmou.

Rio usa peixe barrigudinho no combate aos criadouros do Aedes aegypti

De rápida reprodução, os barrigudinhos sobrevivem em locais com pouca oxigenação e se alimentam de matéria orgânica, evitando o desenvolvimento das larvas do Aedes (Foto: Divulgação/Prefeitura do Rio de Janeiro)

Flávia Villela, Agência Brasil

Pequenino e faminto, o peixe Poecilia Reticulada é mais que um peixinho bonito para aquários. Também conhecido como lebiste ou barrigudinho, ele vem sendo usado há três anos pela Secretaria de Saúde do município do Rio de Janeiro na eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti.

De rápida reprodução, os barrigudinhos sobrevivem em locais com pouca oxigenação e se alimentam de matéria orgânica, evitando o desenvolvimento das larvas do mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya.

O coordenador de Vigilância Ambiental em Saúde, Marcus Vinícius Ferreira, informou que, juntamente com uma série de ações e a ajuda da população, o peixinho contribuiu para a importante queda do índice de infestação e casos de dengue na capital fluminense.

“Em qualquer epidemia no passado, o Rio de Janeiro contribuía com cerca de 55% dos casos do estado. Atualmente, somente os casos da capital contribuem em cerca de 25%. Proporcionalmente, a participação do Rio é cada vez menor e a população continua crescendo,” afirmou Ferreira.

“O peixinho ajuda na eliminação da proliferação do mosquito. Como ele elimina muitas larvas, acaba com uma geração de mosquitos. O agente tem certeza do controle nos locais onde estão os peixes e podem fazer vistorias com maior qualidade e quantitativo em outros pontos.” Segundo o coordenador, em 2015 foram registrados cerca de 17,7 mil casos de dengue no município. Em 2012 foram 130 mil.

De acordo com Marcus Vinícius, alguns desses peixes têm menos de um centímetro e normalmente são confundidos com larvas. Eles são usados principalmente em depósitos, piscinas abandonadas, fontes, charcos e lagos. As inspeções nesses locais são feitas quinzenalmente. Caso haja necessidade dos peixinhos, a própria população pode procurar a prefeitura.

Ferreira informou que o peixinho não basta no combate à dengue. Acrescentou que a participação da população na eliminação do criadouro é fundamental. “É importante manter a caixa d’água fechada adequadamente, fazer a limpeza do ralo uma vez por semana.”