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Doença que provoca a morte de gatos está atingindo humanos

Publicado em 14 março 2017

A esporotricose, uma doença que atinge os gatos e é transmitida a humanos, está se espalhando pelo Brasil.

Essa doença é um tipo de micose que provoca graves lesões e pode ser fatal quando não tratada de maneira rápida. Ela é causada pelo fungo Sporothrix, que vive no solo e é transmitida a felinos, cães e seres humanos através do arranhão.

Até hoje, os especialistas não sabem explicar por que gatos são suscetíveis ao fungo e nem como doença é tão grave. Um felino com este problema pode ter o fungo nas garras. Ao brigar com outro animal, ele passa o fungo pelas unhas. Desde julho de 2013, devido ao surto da esporotricose no estado do Rio de Janeiro, a doença passou a ser de notificação obrigatória. Só no INI/Fiocruz, unidade de referência no Rio de Janeiro, cerca de 5 mil casos em humanos e 4.703 casos em felinos foram identificados até 2015.

De acordo com informações da Vigilância Sanitária, somente naquele ano foram registrados 3.253. O mais surpreendente foi que em 2016, houve um aumento de 400% no número de animais diagnosticados. Esse número contabilizou, só no ano passado, cerca 13.536 atendimentos – por institutos públicos veterinários, em assistência domiciliar ou comunitária. Já em pessoas, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro apontou 580 casos.

Segundo a veterinária Isabella Dib Gremião, do Laboratório de Pesquisa Clínica em Dermatozoonoses em Animais Domésticos do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fundação Oswaldo Cruz (INI/Fiocruz), em nosso país, a esporotricose humana não é uma doença de notificação compulsória, por esse motivo, seu domínio é desconhecido.

A gravidade das lesões em humanos e cães não é a mesma do que a dos felinos – que possuem risco de morte. Nos gatos, a doença tem cura, porém o tratamento é demorado e caro. Normalmente, a doença atinge animais de periferia, o que faz com que a principal dificuldade seja o gasto. O fungo destrói a epiderme, a derme, o colágeno, os músculos, até chegar nos ossos. A doença também pode prejudicar os órgãos internos.

De acordo com o biólogo Anderson Rodrigues, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), não se sabe como o fungo começou a atacar os gatos. Até o aumento significativo de casos no Rio de Janeiro, a doença era considerada esporádica. Algumas vezes, quando o animal chega a essas condições, os donos optam por abandonar o felino. Quando ele vai para a rua, também transmite a doença, e quando é enterrado, o solo também fica infectado.

Isabella alerta que além de identificar todos os casos e disponibilizar medicamentos, o combate ao surto necessita de campanhas educativas governamentais sobre o cuidado e a guarda com o animal de estimação.

[ Fapesp ]

Jornal Ciência