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Doença que pode levar gatos à morte e ser transmitida para humanos tem se alastrado pelo país

Publicado em 10 março 2017

Conforme estudo desenvolvido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), uma doença transmitida por meio de arranhões de gatos que causa lesões em humanos e animais tem se alastrado pelo Brasil. Causada por um fungo, a esporotricose ainda é pouco conhecido. O maior número de casos está no no Rio de Janeiro, mas já há casos em todo o sudeste e o sul do Brasil. E outros estão surgindo na região Nordeste e no Exterior, como em Buenos Aires, que em 2015 registrou cinco casos da doença em humanos.

Conforme a veterinária Isabella Dib Gremião, do Laboratório de Pesquisa Clínica em Dermatozoonoses em Animais Domésticos do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fundação Oswaldo Cruz (INI/Fiocruz), apenas na unidade de referência da Fiocruz no Rio de Janeiro, mais de 5 mil casos humanos e 4.703 casos felinos foram diagnosticados até 2015.

Segundo dados da Vigilância Sanitária municipal, apenas em 2015 foram 3.253 casos felinos. Em 2016, houve um aumento de 400% no número de animais diagnosticados. Em pessoas, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro registrou, no ano passado, 580 casos.

Apesar de a doença causar ferimentos em humanos e em outros animais, nestes, as lesões são menos severas e raramente impõem risco à vida. Mesmo assim, é preciso ter cuidado. De acordo com a dermatóloga veterinária Andrea Nagelstein, as lesões se apresentam em nódulos múltiplos que viram úlceras e precisam ser tratadas para que não se tornem infecções mais graves.

A maior vítima do problema é o próprio gato que, após ser contaminado, desenvolve uma micose causadora de lesões sérias e potencialmente fatais quando não tratadas em tempo hábil. O fungo presente nas lesões destrói progressivamente a epiderme, a derme, o colágeno, os músculos e até ossos. A doença tem cura, mas o tratamento é caro e demorado.

No Rio Grande do Sul, conforme Andrea, os casos são mais comuns nas regiões centro-oeste, sudeste e metropolitana.

– Embora haja registro de casos na Capital, a situação está longe de ser alarmante. No entanto, também não pode ser negligenciada. Áreas sem saneamento básico, com acúmulo de lixo, dejetos ou madeiras ficam mais propensas à doença. Além disso, regiões com condições socioeconômicas precárias e desequilíbrio ambiental também se tornam mais suscetíveis – pondera a veterinária.