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O Vale online

Documentos de subversivos do Dops são liberados hoje

Publicado em 01 abril 2013

O Arquivo Público de São Paulo libera hoje na internet parte do acervo produzido pelo Dops (Departamento de Ordem Política e Social), órgão que funcionou de 1924 a 1983 e que foi criado para controlar movimentos políticos contrários aos governos federais do período. Ao todo, serão divulgados 274.105 fichas e 12.874 prontuários, o que representa cerca de 1 milhão de páginas de documentação digitalizadas.

Entre os nomes da lista de subversivos estão escritores, músicos e políticos como, por exemplo, Monteiro Lobato. Ele foi levado ao local em 1941.

O acervo poderá ser acessado no site do Arquivo Público. O evento de lançamento acontece entre 10h30 e 15h30 no Memorial da Resistência de São Paulo, museu criado no prédio que sediou o Dops. No encerramento será lançado o livro Memórias da Resistência, do Instituto Praxis.

O lançamento faz parte da Semana Nacional de Memória e Direitos Humanos, que ocorrerá até o dia 6 em diversos lugares do país.

Acervo.

Segundo o governo estadual, a intenção é criar uma fonte de pesquisas sobre a história do país. O acervo pode ser pesquisado no site do Arquivo Público.

O trabalho é resultado da parceria entre a Associação dos Amigos do Arquivo Público de São Paulo e o projeto Marcas da Memória da Comissão de Anistia, do Ministério da Justiça, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Pesquisa.

Parte desses documentos do Dops já está sendo usada pela Comissão da Verdade paulista para apurar o envolvimento de pessoas e entidades em torturas e mortes cometidas dentro do órgão.

Seis livros encontrados registram o movimento de entrada e saída do prédio do Dops entre os anos de 1971 e 1972.

Reparação.

De acordo com o Ministério da Justiça, as informações, além de serem um importante registro histórico, poderão facilitar o trabalho de reparação feito pela Comissão de Anistia, uma vez que poderão ser usadas como ferramenta para que perseguidos políticos consigam comprovar parte das agressões sofridas.

A digitalização dos documentos foi feita em dois anos e deve continuar até 2014.

Para a realização do trabalho, a Comissão de Anistia transferiu mais de R$ 400 mil à Associação de Amigos do Arquivo.

Em dezembro de 2012, o Ministério da Justiça autorizou novo repasse, de mais R$ 370 mil, para digitalização de outros acervos.

Lobato fez críticas sobre política do petróleo

O posicionamento do escritor Monteiro Lobato contra a política estatal para o petróleo levou-o a ser preso pelo Dops em 1941.

Da Redação

"Sou obrigado a continuar na campanha , não mais pelo livro ou pelos jornais, porque já não temos a palavra livre, e sim por meio de cartas aos homens do poder", escreveu Lobato em carta encaminhada ao general Góis Monteiro, chefe do Estado-Maior do Exército. O presidente Getúlio Vargas também recebeu cartas do escritor.

Em uma delas, Lobato denunciava as manobras da empresa Standar Oil para assumir os melhores lençóis petrolíferos brasileiros.

Em janeiro de 1941, uma equipe do Dops, acompanhada de um representante do Ministério da Guerra junto ao Conselho Nacional de Petróleo, invadiu a residência e, em seguida, o escritório de Lobato.

Prisão.

Ele foi levado ao Dops, qualificado e transferido para a Casa de Detenção (Presídio Tiradentes), onde permaneceu incomunicável durante quatro dias e foi liberado posteriormente.

Em março de 1941, o Tribunal de Segurança Nacional decretou a prisão preventiva de Lobato. O escritor foi novamente preso. Ele chegou a ser condenado a seis meses.

Após passar três meses na cadeia, Monteiro Lobato é indultado por Getúlio Vargas.

O escritor ganhou a liberdade, mas a imprensa, sob censura, foi proibida de noticiar o fato.

Folhapress