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Mundo Lusíada

Documentário retrata a história de madeirenses no Brasil

Publicado em 11 abril 2017

A pós-doutoranda em História, Nelly de Freitas, começou há alguns anos um projeto para resguardar a história dos madeirenses: “Escrever a história da mobilidade madeirense no Brasil”.

A ideia é reunir entrevistas com madeirenses que vieram para o Brasil nos anos 50 e 60, e depois compilar todas as entrevistas em vídeo num documentário que será apresentado na Casa Ilha da Madeira de São Paulo. O projeto tem planejamento para ser apresentado entre final de 2018 e início de 2019.

“Antes de ter este projeto, comecei as entrevistas e já são mais de 40 pessoas. Alguns deles vêm sempre na Casa Ilha da Madeira, e outros que moram longe nunca vêm. Tem de tudo, homens e mulheres” diz ela que usou ainda como critério para seleção dos entrevistados não ter chegado ao Brasil muito jovem para ter lembranças da Madeira.

“Dessas pessoas que chegaram nos anos 50 e 60, a maioria veio para São Paulo, a maioria tinha algum parente, tio, primo, vizinho que o chamaram através da Carta de Chamada, e começaram a trabalhar com os familiares. Depois foram juntando dinheiro e chamando a própria família, muitas vezes os homens vinham sozinho e depois chamavam as mulheres e os filhos, compravam seus próprios negócios” diz a historiadora que chama a atenção para exemplos de sucesso no empreendedorismo, como exemplo do Sr. Acácio que infelizmente veio a falecer, mas participou do projeto, e era dono de uma empresa de mármore.

“Todo mundo se deu muito bem, o estudo mostra uma ajuda familiar, de vizinhança, também da própria comunidade, uma vez que se chegava aqui para começar a vida. E muitos não se naturalizaram, continuam portugueses até hoje” conta.

A ideia é exibir o documentário na Casa Ilha da Madeira, para toda a comunidade, e também na faculdade da Nelly Freitas, que é a PUC de São Paulo, além de levar para fora. “Na Madeira tem um centro de pesquisa, a ideia é levar para lá também”.

Nelly, que conta com uma bolsa da FAPESP do Governo de São Paulo para realização do estudo, conta ainda com Maria Izilda Santos de Matos, professora de história da PUC SP, na supervisão desse trabalho.