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Documentário abre baú de memórias

Publicado em 13 julho 2016

Por Angela Kuhlmann e Sheila Vieira

O documentário Baile para matar saudades, de Érica Giesbrecht, abre o baú da memória de cinco artistas negros de Campinas e resgata capítulos da história da cidade. O filme será exibido no Largo do Rosário, hoje, às 19h, com entrada gratuita.

Para o projeto, a diretora conversou com os artistas Carlos Augusto Ribeiro, José Antônio, Rosária Antônia, Aluízio Jeremias e Leonice Sampaio, todos com idade entre 70 e 90 anos e engajados no movimento cultural negro da cidade, do qual participam com sua música, dança e oralidade. O documentário é resultado da pesquisa etnográfica, realizada junto ao Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo (USP), com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e do LISA (Laboratório de Imagem, Som e Antropologia - USP).

“Embora sejam considerados mestres nas comunidades musicais atuais, suas memórias de mocidade não remetem diretamente a jongos, sambas de bumbo ou maracatus, mas a bailes de gala”, destaca Érica, lembrando que “como uma resposta elegante ao racismo, esses bailes reuniam centenas de pessoas, fortalecendo a própria experiência comunitária dos negros da cidade”.

Segundo ela, na conjuntura marcada pela segregação dos anos 1940 a 1960, no interior de São Paulo, esses bailes, frequentados majoritariamente por negros, são revisitados, evidenciando-se sua importância para a formação de uma comunidade negra iniciada no passado e continuada no presente. A recriação do evento contou com o apoio do Clube Cultural Machadinho.