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Doces, gula e dopamina

Publicado em 13 junho 2008

Publicado em 13/06/2008 | camargo@gazetadopovo.com.br Fale conosco RSS Imprimir Enviar por email Receba boletins Aumentar letra Diminuir letra Mamão com açúcar. Mineiro com botas, incandescente, do Bar Palácio. Brigadeiros e beijinhos do Capitu, sob a regência do trio Márcia, Marcos e Antônio. Sonho (pode ser o do “olha o sonho, é o sonho que está passando”), recheado com marmelada, é claro. Banana na chapa com açúcar e canela. Existe algo melhor? Até morrer no mar é doce, como diz a canção, mas, por favor, evite essa tentação. Quanto às demais, como resistir? Quem diz que consegue é porque, muito certamente, está acima do peso, briga com a balança e come escondido.

Com todo o respeito ao adoçante dietético e, principalmente, a Federico Garcia Lorca, que canta “verde que te quero verde/ verde vento/ verdes ramas”, poderíamos sapecar “doce que te quero doce”.

Doce é como ternura, assume muitos significados e variedades. Não nos deixa mentir Luís de Camões, em Os Lusíadas, III, 134: “tal está pálida a donzela/seca do rosto as rosas, e perdida/a branca e viva cor, coa doce vida.”

Mas, antes que cheguemos ao docetismo*, vamos mudar de assunto, posto que ele é “lamoso e escorregoso”, como diria o Beronha. Aliás, Bê achou estranho misturar Camões com doces, mas Natureza Morta reagiu e foi mais longe, jogando neurologia à mesa, ou melhor, um exemplar da revista Pesquisa Fapesp:

– Neurologia. Leia o artigo “O doce da vida”, de Maria Guimarães, explicando neurologicamente por que adoramos comer tortas, bolos e etc.

De fato: descobre-se que as glândulas salivares ficam em polvorosa não por causa da gula. Os neurocientistas têm outro nome para gula: “sistema dopaminérgico de recompensa”.

O gosto açucarado na língua leva o cérebro a produzir dopamina, neurotransmissor que estimula neurônios responsáveis pelo prazer. A absorção de calorias também fomenta o sistema de recompensa. Dá para entender, aí, a atração por doces na origem de muitos problemas de obesidade. Depois da aula sobre a “neurofisiologia da gustação”, Beronha arriscou de novo:

– Será que dá pra chegar na banquinha e pedir “sistema dopaminérgico de recompensa” e levar a revista Gula?

A conferir.

O esporte de cada um

Professor de educação física com doutorado em fisiologia do exercício, Carlos Mosquera, irmão do jornalista Jorge Eduardo, prepara um livro sobre a prática esportiva e qualidade de vida. Lá tem gente tipo Zé Beto, outro amigo jornalista, Sérgio Brandão, Ney Mecking (judô), Júlio Bassan (caratê), Tadeu Natálio (maratona) e outros. Carlos começou juntando depoimentos de amigos para iniciar a obra, financiada pela lei de incentivo ao esporte. Por isso, não será vendida, mas distribuída a escolas e bibliotecas.

Beronha ficou entusiasmado, já que o cachê aos colaboradores será uma chopada. Mas terá de refugar o obstáculo: não vale como prática esportiva o halterocopismo, arremesso de xepa ou cuspe a distância.

* Nota: docetismo é doutrina gnóstica do século 2.