Notícia

Diário São Carlos

Docentes da UFSCar e da Universidade de York realizam pesquisa sobre cyberbullying de alunos contra professores

Publicado em 10 dezembro 2015

O professor Antônio Alvaro Soares Zuin, do Departamento de Educação (DEd) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e o professor Chris Kyriacou, do Departamento de Educação da Universidade de York, na Inglaterra, realizaram uma pesquisa que investigou as características do modo como jovens alunos praticam cyberbullying contra seus professores. O estudo, intitulado “Characterising the Cyberbullying of Teachers by Pupils", teve seu mérito científico reconhecido, já que foi publicado na edição especial do periódico The Psychology of Education Review após ter sido selecionado como um dos melhores trabalhos apresentados na Conferência Anual da Sociedade Britânica de Psicologia em 2014, na Seção de "Psicologia da Educação".

Durante a pesquisa, realizada de janeiro de 2014 a março de 2015, os pesquisadores analisaram como estudantes brasileiros e ingleses, pertencentes à faixa etária de 14 a 17 anos, praticavam cyberbullying contra seus professores, principalmente por meio da postagem de comentários e imagens humilhantes em redes sociais e de vídeos no YouTube, cujas imagens foram registradas nas escolas ou em seus arredores. Com estes estudos, os professores constataram o agravamento dos casos de cyberbullying contra professores feitos por alunos brasileiros e ingleses e compararam os dados dos dois países. “Embora a pesquisa tenha sido realizada in loco nos dois últimos anos, nota-se que o aumento de casos ocorre, no Brasil, a partir de 2009; na Inglaterra, o aumento acontece a partir de 2010. Não temos números exatos mas, incluindo casos encontrados no YouTube, Facebook e blogs, pode-se dizer que, de janeiro de 2014 a março de 2015, foram centenas”, afirma.

Segundo Zuin, no caso específico do YouTube, a quantidade de vídeos com cyberbullying postados por estudantes brasileiros foi maior do que a postada por alunos ingleses. “Acredito que isto acontece em decorrência do fato de haver mais rigidez no controle da presença dos aparelhos celulares nas escolas inglesas do que no caso das escolas brasileiras”, explica. Por outro lado, há várias fanpages do Facebook elaboradas por alunos ingleses com comentários humilhantes e degradantes em relação a seus professores, o que mostra a situação preocupante também na Inglaterra neste âmbito. “A imagem da autoridade do professor está sendo desconstruída”, alerta.

O pesquisador explica que esse agravamento de casos nos últimos seis anos ocorre por vários motivos. “Um deles se refere ao fato de que a chamada autoridade tecnológica dos aparelhos celulares aumentou nos últimos anos e parece ser bem mais sedutora do que a do professor. Seguindo esta linha de raciocínio, tanto para a sociedade brasileira quanto para a inglesa, a imagem do professor se torna alvo do cyberbullying praticado por seus alunos de uma maneira espantosa”. Na opinião de Zuin, pesquisas nesta área são de extrema relevância para que os agentes educacionais debatam cada vez mais as razões pelas quais o cyberbullying é praticado pelos alunos dentro e fora das escolas com o objetivo de que sejam engendradas políticas educacionais de combate a este tipo violência online. “Temos o intuito de dar continuidade a estes estudos, sobretudo em relação à pesquisa de novas formas de cyberbullying praticadas por alunos em relação aos seus professores. Só assim conseguiremos, a longo prazo, reprimir novos casos”, analisa.

De acordo com o professor Zuin, este trabalho foi um dos resultados do intercâmbio realizado entre os grupos de pesquisa sobre bullying e cyberbullying, coordenados por ele e pelo professor Kyriacou. O intercâmbio foi financiado com recursos obtidos junto à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) no período de pesquisa mencionado – janeiro de 2014 a março de 2015.

Para o docente, o fato de a pesquisa ter sido publicada no periódico Psychology of Education Review é importante para a divulgação do assunto e é também um exemplo do reconhecimento internacional de trabalhos realizados na UFSCar – notadamente no DEd, que tem como uma de suas práticas incentivar o intercâmbio de grupos de pesquisa com universidades do Brasil e do exterior. “A produção conjunta com o docente da Universidade de York foi de grande relevância, principalmente pela possibilidade de se engendrar novas teorias e práticas metodológicas concernentes a fenômenos culturais recentes”, finaliza.

O artigo “Characterising the Cyberbullying of Teachers by Pupils” pode ser acessado na íntegra pelo site da The British Psychological Society, em bit.ly/1ICxePo.