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Universia Brasil

Docente e ex-aluno da UNESP Rio Preto lançam livro sobre armadilhas da tradução

Publicado em 19 novembro 2008

Comumente considerado um terreno arenoso, o processo tradutório exige de seu agente não só o conhecimento do par de línguas em questão, mas também a capacidade de desconfiar daquilo que, à primeira vista, parece óbvio. Para auxiliar tradutores - aprendizes e experientes - nessa tarefa, Claudia Zavaglia, docente do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce) da UNESP, campus de São José do Rio Preto, e o ex-aluno Reginaldo Francisco lançaram, em outubro, o livro "Parece mas não é: as armadilhas da tradução do italiano para o português" (Claraluz, 2008, R$ 25,00).

Segundo Claudia, a obra não é um manual sobre como traduzir, mas um material que reúne as principais dificuldades encontradas na tradução do italiano para o português. "Apresentamos as causas das inadequações mais comuns, que vão de problemas de efeito estético em textos literários até problemas práticos em textos técnico-científicos", afirma. Dentre os casos apresentados, estão fenômenos lingüísticos freqüentes (como homonímia, polissemia e paronímia), falsos cognatos, expressões idiomáticas e diferenças culturais.

Resultado de um estágio de iniciação científica realizado por Francisco, sob orientação de Claudia e com financiamento da Fapesp, o livro utiliza como corpus traduções de alunos do curso de Bacharelado em Letras com Habilitação de Tradutor do Ibilce. "Como os aprendizes de tradução são um público potencial do livro, consideramos adequado tomar como base os problemas enfrentados por eles", explica a docente.

Segundo Francisco, seu interesse em estudar as armadilhas da tradução do italiano para o português surgiu, em grande parte, por conta das suas próprias dificuldades enquanto aprendiz desse ofício. "Quando fazia alguma tradução no curso, muitas vezes caía em 'armadilhas' como as descritas no livro. Com o tempo, encontrei comentários sobre dificuldades de tradução, mas não havia nenhuma obra que tratasse da questão tendo em vista a tradução da língua italiana. Essa constatação nos levou definitivamente a iniciar o trabalho", diz.

Embora a obra enfoque o processo tradutório do italiano para o português, os autores acreditam que ela possa ser útil a tradutores de outros idiomas. "Muitos pontos abordados podem ser generalizados para a tradução entre outros pares de línguas", afirma Claudia.

Armadilhas - Segundo os autores da obra, a análise das traduções dos aprendizes mostrou que as armadilhas lingüísticas mais recorrentes estão relacionadas à linguagem comum, e não a terminologias. "O tradutor tem à sua disposição o dicionário para descobrir o significado de palavras técnicas. Só a experiência, no entanto, pode ajudar o profissional a desenvolver a capacidade de desconfiar daquilo que parece simples, passando, em seguida, a refletir suas decisões com mais cuidado", avalia Claudia.

A docente afirma que a proximidade entre o português e outras línguas latinas, como o italiano e o espanhol, é mais um fator que pode levar o tradutor a cair nas armadilhas lingüísticas. Mas adverte: "A tradução é um terreno arenoso em todas as línguas e para todos os tradutores, dos aprendizes aos experientes".

Fonte: Unesp