Notícia

Jornal da Ciência online

Doação da NSF dos Estados Unidos acelera desenvolvimento do megatelescópio GMT

Publicado em 17 setembro 2020

Por Agência FAPESP

Agência governamental norte-americana aportará US$ 17,5 milhões para acelerar a prototipagem e o teste de alguns dos mais poderosos sistemas ópticos e tecnologias infravermelhas já projetados

O consórcio GMTO anunciou ontem (16/09) ter recebido uma doação de US$ 17,5 milhões da National Science Foundation (NSF), dos Estados Unidos, para acelerar a prototipagem e o teste de alguns dos mais poderosos sistemas ópticos e tecnologias infravermelhas já projetados. O aporte da agência governamental norte-americana permitirá avançar a construção do Telescópio Gigante Magalhães (GMT) no Observatório Las Campanas, no deserto do Atacama, no Chile. O GMT deverá entrar em operação em 2024, possibilitando aos astrônomos ver mais longe no espaço com mais detalhes do que qualquer outro telescópio óptico anterior.

A concessão da NSF posiciona o GMT para ser um dos primeiros de uma nova geração de grandes telescópios com, aproximadamente, três vezes o tamanho de qualquer telescópio óptico de solo construído até hoje, afirma o comunicado divulgado pelo GMTO.

A FAPESP investirá US$ 40 milhões no GMT, o que equivale a 4% do custo estimado. O apoio garantirá aos pesquisadores brasileiros 4% do tempo de operação do telescópio para o desenvolvimento de estudos.

O GMT e o Telescópio de 30 Metros (TMT) integram o programa americano de Telescópios Extremamente Grandes (US-ELTP), uma iniciativa conjunta com o National Optical-Infrared Astronomy Research Laboratory (NOIRLab) da NSF.

“Estamos honrados em receber nossa primeira doação da NSF”, disse Robert Shelton, presidente do GMTO. “É um passo gigante para a realização dos objetivos científicos do GMT e do profundo impacto que terá sobre o futuro do conhecimento humano.”

O Telescópio Gigante Magalhães foi projetado para ter um poder de resolução dez vezes maior do que o Telescópio Espacial Hubble – uma das realizações científicas mais produtivas na história da astronomia. Este avanço na qualidade de imagem é um pré-requisito para que o GMT cumpra plenamente seu potencial científico de expandir o conhecimento do universo.

“Embora cada um dos sete espelhos principais e dos sete secundários tenha óptica praticamente perfeita, a luz refletida em cada um precisa ser alinhada com a dos demais com uma precisão nunca tentada até agora. Esse procedimento, chamado de faseamento, permite que todos os espelhos atuem como um único bloco monolítico”, explica Augusto Damineli, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), no comunicado distribuído pelo GMTO. “Embora o TMT seja, em princípio, concorrente do GMT, ele também tem multiespelhos, e ambos se juntaram para pedir a verba à NSF.”

A concessão da NSF permitirá que o GMT construa dois bancos de teste de fases que permitirão aos engenheiros demonstrar, em um ambiente de laboratório controlado, que seus projetos funcionarão para alinhar e fasear os sete segmentos de espelho com a precisão necessária para alcançar imagens limitadas por difração na primeira luz em 2029.

Os recursos da NSF também permitirão a construção parcial e o teste de um sistema de óptica adaptativa de espelho secundário (ASM, na sigla em inglês) de próxima geração, que é usado para realizar a correção de distorção atmosférica e de fase do espelho primário.

Segundo Claudia Mendes de Oliveira, professora do IAG-USP e representante da FAPESP no Comitê Diretor do Consórcio GMT, “a concessão desta verba pela NSF é preciosa para o GMT, pois possibilita, entre outros objetivos, o desenvolvimento de tecnologia inédita de engenharia de precisão, para colocar em fase os espelhos gigantes”.

Os astrônomos usarão os espelhos adaptativos de alta fidelidade do GMT e outras tecnologias ópticas adaptativas revolucionárias para detectar bioassinaturas fracas de exoplanetas distantes – uma das principais metas de pesquisa do GMT.

O trabalho será financiado por outra concessão maior, de US$ 23 milhões, feita pela NSF para a Associação de Universidades para Pesquisa em Astronomia (AURA) e o GMT nos próximos três anos. O projeto GMT é um consórcio internacional das principais universidades e instituições científicas.

Mais informações sobre o Telescópio Gigante Magalhães: www.gmt.iag.usp.br/.

Agência Fapesp