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Do resíduo ao revestimento: biofilme de pele de tambatinga amazônica abre caminho para embalagens alimentares 100% biodegradáveis (148 notícias)

Publicado em 29 de janeiro de 2026

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O que antes era descartado como resíduo industrial na indústria pesqueira pode se transformar em aliado estratégico na luta contra a poluição por plásticos. Pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), desenvolveram um biofilme biodegradável a partir da pele do tambatinga, peixe híbrido de origem amazônica, com potencial para substituir embalagens plásticas em alimentos desidratados.

A inovação, apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) no âmbito do Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC), aproveita uma característica singular da espécie: o tambatinga — resultado do cruzamento entre fêmea de tambaqui (Colossoma macropomum) e macho de pirapitinga (Piaractus brachypomus) — possui pele excepcionalmente rica em colágeno. Por ser originário de ambiente tropical, seu tecido cutâneo contém níveis elevados de aminoácidos, conferindo à gelatina extraída propriedades funcionais superiores às de outras fontes.

“Trabalhamos há mais de 25 anos no desenvolvimento de filmes à base de biopolímeros, como proteínas e polissacarídeos, com o objetivo de aplicar esse material em embalagens de alimentos e diminuir o impacto ambiental”, afirma o engenheiro de alimentos Paulo José do Amaral Sobral, professor do Departamento de Engenharia de Alimentos da USP em Pirassununga. O projeto foi conduzido pelos pesquisadores Manuel Antonio Chagas Jacintho (zootecnista) e Fernanda Ramalho Procopio (engenheira de alimentos), ambos da Embrapa.

O processo inicia com a limpeza das peles e a extração da gelatina por meio de hidrólise com água quente e ácido acético. A partir dessa matéria-prima, os cientistas preparam uma solução formadora de filme — com proporção de 2g de gelatina para cada 100g de solução — que, ao secar, resulta em um material transparente, flexível e com superfícies uniformes. Os testes revelaram propriedades promissoras: alta resistência mecânica, excelente barreira contra raios ultravioleta e menor permeabilidade ao vapor de água em comparação com outros biofilmes à base de gelatina descritos na literatura científica.

A relevância ambiental do estudo vai além da substituição do plástico. Ao valorizar um subproduto normalmente descartado — estima-se que a pele represente até 10% do peso total do peixe processado —, a tecnologia fortalece a economia circular na aquicultura brasileira, setor em expansão na Amazônia e em outras regiões do país. “Estamos agregando valor a um resíduo, promovendo uma cadeia produtiva integrada e ambientalmente responsável”, destaca Sobral.

Apesar dos resultados animadores, o biofilme ainda enfrenta um desafio: a sensibilidade à umidade. “Por esse motivo, por enquanto, sua aplicação é viável apenas em produtos desidratados, como nozes, castanhas e grãos”, explica o pesquisador. A equipe já trabalha em novas formulações — como a incorporação de óleos essenciais ou nanocelulose — para melhorar a barreira hídrica e ampliar o uso a alimentos frescos e até produtos farmacêuticos e biomédicos.

Os achados foram publicados no periódico científico Foods no artigo “Sustainable biopolymer films from amazonian tambatinga fish waste: gelatin extraction and performance for food packaging applications”. A iniciativa reforça o potencial da biodiversidade amazônica como fonte de soluções tecnológicas sustentáveis — provando que, muitas vezes, a resposta para os desafios globais está, literalmente, debaixo d'água.

Leia o artigo completo em: mdpi.com/2304-8158/14/22/3866

Via Media Press

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