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Do índio ao vira-lata

Publicado em 05 março 2014

Com o impacto do baque sofrido na Copa do Mundo de 1950, Nelson Rodrigues cunhou a expressão “complexo de vira-lata”, referindo-se ao sentimento de inferioridade do brasileiro, que, aliás, permeia não apenas a atividade futebol.

- Por aqui nada funciona, nada vai dar certo… Bom mesmo é o estrangeiro.

Houve um tempo em que, para depreciar alguma coisa ou ridicularizar o comportamento de pessoas, estiveram em voga expressões como “programa de índio”, “terra de índio”, “coisa de índio” e outras baboseiras.

Um certo rival de Darwin

A propósito disso de índio, professor Afronsius sacou do fundo do baú a matéria “As fotos secretas do professor Agassiz”, do jornalista Carlos Haag, Revista Pesquisa Fapesp, número 175, setembro de 2010. Nela, aborda uma exposição e livro que “trazem à luz imagens polêmicas feitas por rival de Darwin”.

- Aqueles que põem em dúvida os efeitos perniciosos da mistura de raça e são levados por falsa filantropia a romper todas as barreiras colocadas entre elas deveriam vir ao Brasil, afirmou o zoólogo suíço Louis Agassiz (1807-1873) em seu livro A journey to Brazil (1867), escrito a quatro mãos com a mulher, a americana Elizabeth Cary, resultado da visita ao país como líder da Expedição Thayer, entre 1865 e 1866.

Resumindo: Agassiz aproveitou a sua estada para recolher provas materiais da “degeneração racial” provocada pelo “mulatismo”, comum na população brasileira, fortemente miscigenada.

De uma boa publicação, a Pesquisa Fapesp, Natureza pulou para outra boa revista, a de História da Biblioteca Nacional, outubro 2007, número 25. Já carta do editor, Luciano Figueiredo ressalta o latente e admirável bom humor dos índios, “que perdiam o amigo, mas não a piada, segundo contam os cronistas coloniais”.

As primeiras piadas ficaram por conta da indumentária dos colonizadores.