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DNA contra crimes

Publicado em 06 setembro 2006

Por Eduardo Geraque

Agência Fapesp

Com o DNA cada vez mais requisitado para a geração de provas legais contra criminosos, a constatação inicial é de que há muito trabalho pela frente para os pesquisadores.

Isso cresce ainda mais de importância quando se nota que, entre centenas de trabalhos apresentados em Foz do Iguaçu no 52º Congresso Brasileiro de Genética, apenas dois referiam-se ao tema da genética forense.

"Essa é uma área importante, mas ainda pouco conhecida no Brasil", disse Sidney dos Santos, pesquisador da Universidade Federal do Pará (UFPA), que organizou, nesta terça-feira (5/9), uma mesa-redonda bastante concorrida sobre o tema.

Se no caso da análise de paternidade muitos testes comerciais dão conta da demanda, alguns desafios científicos, mesmo nesses casos, ainda estão sendo perseguidos.

Na UFPA, por exemplo, o que se estuda atualmente é o desenvolvimento de um kit que possa elucidar a paternidade quando o pai estiver morto e o filho for do sexo feminino.

"Isso porque análises para o cromossomo X ainda não estão disponíveis no mercado", explicou Santos.

Outro trabalho em curso no laboratório coordenado pelo pesquisador em Belém é o desenvolvimento de um teste que permita identificar a etnia de um suposto assassino.

"Essa é uma informação muito útil para o investigador no caso, por exemplo, de um estupro", disse.

Apesar de avanços em pesquisas laboratoriais, a área da genética forense ainda carece de muitos avanços políticos e jurídicos, segundo pesquisadores presentes em Foz do Iguaçu.

Uma das unanimidades foi a necessidade imediata que o Brasil crie um banco de dados criminal de DNA. Mas, para isso, além de vontade do governo e de recursos, é preciso que se discuta a questão legal.

Hoje, ninguém é obrigado a gerar provas contra si mesmo. De outro lado, dezenas de mortes poderiam ser evitadas todos os meses se essa ferramenta estivesse disponível.