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Diversificação das aves amazônicas dependeu dos rios e do clima

Publicado em 08 julho 2019

Por Maria Guimarães | Revista Pesquisa FAPESP

Região oeste da floresta é mais estável e pode ter servido como refúgio, enquanto instabilidade da porção sudeste teria impulsionado a formação de espécies

Os cursos variáveis dos rios e as flutuações climáticas ao longo dos milhares de anos, agindo em parceria, são responsáveis pela grande diversidade de aves na Amazônia, que abriga a maior floresta tropical do mundo. “O clima toca a música, mas quem dá os passos são as aves às margens dos rios”, resume o biólogo Alexandre Aleixo, atualmente professor na Universidade de Helsinque, na Finlândia. É uma mudança de visão em relação ao foco dado aos caudalosos rios como responsáveis por isolar espécies habitantes de margens opostas. Os resultados do trabalho liderado por ele foram publicados na quarta-feira, 3 de julho, na revista científica Science Advances.

Entender a diversidade de animais e plantas que compõem a floresta amazônica tem sido, há décadas, o foco de muitos pesquisadores de áreas biológicas e, mais recentemente, geológicas (ver Pesquisa FAPESP nº 242). Com o recente avanço na capacidade de obter sequências genéticas, os pesquisadores construíram genealogias usando sequências de DNA de mais de mil espécimes de 23 espécies de aves dependentes de áreas de matas úmidas, com ampla distribuição pela Amazônia. De posse dessa genealogia, e dos dados geográficos de onde foram coletadas, além de cerca de 6.500 outros registros de localidades, foi possível fazer o que os especialistas chamam de modelagem de nicho: delinear as condições climáticas nas quais vivem e extrapolar esse mapeamento para o que se conhece do clima amazônico nos últimos 20 mil anos. “Ninguém tinha analisado tantas amostras com uma distribuição tão ampla na Amazônia”, afirma Aleixo.

Veja o texto na íntegra: Revista Pesquisa Fapesp