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Disfunção na mandíbula pode agravar casos de enxaqueca

Publicado em 25 novembro 2010

Uma disfunção na mandíbula, chamada Disfunção Temporomandibular (DTM), pode ser uma das causas do agravamento da enxaqueca segundo uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), a USP. Um dos sintomas do DTM é a dor a um estímulo não doloroso (alodínia cutânea), como ao escovar ou prender o cabelo ou ao apoiar a cabeça no travesseiro.

- Isso pode ser considerado um marcador da cronificação da enxaqueca. Nossos dados sugerem que a DTM pode desempenhar um papel determinante no aparecimento da alodínia cutânea na face desses pacientes. Portanto, apresentar DTM pode alterar a sensibilidade dolorosa e predispor à alodinia pacientes com enxaqueca - revela a autora do estudo, a pós-doutoranda Thaís Cristina Chaves, do Curso de Fisioterapia da FMRP.

Para a avaliação, as pesquisadoras dividiram 47 pacientes, com idade entre 18 e 65 anos, com diagnóstico de enxaqueca em dois grupos, de acordo com parâmetros da Sociedade Internacional de Cefaléia: com e sem alodínia cutânea, mensurada por meio de questionário desenvolvido pelos pesquisadores Marcelo Bigal e Richard Lipton, do Albert Einstein College of Medicine, de Nova Iorque, EUA, colaboradores na pesquisa das brasileiras, e instituição onde foram coletados os dados prévios. As pacientes foram submetidas a um teste que avalia a sensibilização dolorosa, o Quantitative Sensory Testing (QST) que por meio de estimulador térmico submete a pele a estímulos de esfriamento e aquecimento a uma velocidade controlada.

Fisioterapia

Para a professora Débora, esses resultados podem alertar para a importância de se avaliar e tratar a DTM em pacientes com enxaqueca.

- O tratamento com fisioterapia pode diminuir a sensibilização desses pacientes e favorecer a redução da intensidade e frequência das crises de dor de cabeça - comenta.

A professora ainda frisa que é a primeira vez na literatura que se avalia a presença da DTM e alodínia em pacientes com enxaqueca.

- Outras pesquisas compararam os valores de sensibilidade dolorosa ao esfriamento e aquecimento da pele em pacientes com e sem DTM, sem considerar a presença de enxaqueca — explica.

O próximo passo é expandir os grupos estudados analisando aspectos que não foram avaliados inicialmente como, por exemplo, a sensibilidade dolorosa da coluna cervical nesses pacientes. A pesquisa teve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) foi adquirida pelos pesquisadores uma bolsa pós-doutorado e o equipamento de avaliação sensorial quantitativa (QST), um dos poucos do País, que está alocado no Instituto de Reabilitação Lucy Montoro, anexo ao Hospital das Clínicas da FMRP.

AGÊNCIA USP

Fisioterapia pode aliviar a intensidade da enxaqueca