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Diretor da Fapesp: "SP não tem grande universidade federal"

Publicado em 13 julho 2011

Por iG São Paulo

O diretorte da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique de Brito Cruz, criticou o governo federal por investir pouco em São Paulo. Segundo ele, isso ocorre por causa do menor número de universidades federais instaladas no Estado.  “São Paulo é o único estado brasileiro que não tem uma grande universidade federal”, afirmou.

Segundo ele, o esforço que o governo federal dedica ao ensino superior no estado de São Paulo representa apenas 8% do total do esforço de apoio ao ensino superior federal que o governo faz no País todo. "E isso é muito pouco porque São Paulo tem 21% da população brasileira”, disse. Para o pesquisador, todos esses fatores combinados provocam a falta de pesquisadores nas universidades, nos institutos de pesquisa e nas empresas brasileiras.

Em 2008, o volume total de investimento em pesquisa em São Paulo foi de R$ 15,5 bilhões, o que representou 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. Segundo ele, esse percentual vem crescendo e o ideal seria chegar a 2,3%. Desse valor, 63% foi feito por empresas. Quanto ao financiamento público à pesquisa produzida em São Paulo, a maior parte provém de recursos estaduais. “O recurso estadual em São Paulo é quase duas vezes maior do que o recurso federal. E a principal razão para isso é o fato de haver poucas universidades federais em São Paulo”, disse.

O Estado conta atualmente com 1,2 mil pesquisadores a cada milhão de habitantes, enquanto a média brasileira é de 600 pesquisadores por milhão de habitantes. O número, quando comparado com o de outros países, é baixo. O Japão, por exemplo, tem 5,5 mil pesquisadores por milhão de habitantes, enquanto a Espanha tem 2,6 mil na mesma comparação.

Ensino médio é gargalo

Para ele, outro limitador é o baixo acesso de jovens brasileiros ao ensino médio. Segundo ele, 67% dos jovens em São Paulo chegam ao ensino médio, mas a média nacional é de apenas 40%. “O grande desafio para o Brasil é melhorar a qualidade da educação fundamental, melhorar a qualidade e a quantidade da educação média e usar mais a capacidade instalada de pesquisa nos principais centros para formar pessoal científico para o país inteiro”, afirmou.

*com entrevista à Agência Brasil