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Dificuldade para engravidar pode estar ligada a causas imunológicas

Publicado em 23 agosto 2007

Pode ser muito mais difícil para uma mulher ter uma gravidez bem-sucedida do que se imagina, de acordo com especialistas reunidos no 13º Congresso Internacional de Imunologia, que está sendo realizado no Rio de Janeiro.

No Brasil, cerca de 5% dos casais que querem ter filhos sofrem de problemas de infertilidade e apenas 35% a 45% obtêm sucesso no tratamento de reprodução assistida, segundo dados apresentados pela médica Sílvia Daher, professora do Departamento de Obstetrícia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A pré-eclampsia - hipertensão durante a gestação - ocorre em 10% dos casos de gravidez no país, enquanto que de 10% a 20% dos casos de gravidez acabam em partos prematuros e 1% das mulheres grávidas têm gestação ectópica, ou seja, como não conseguem criar ambiente no útero, a gestação acaba acontecendo fora dele. O chamado aborto de repetição - que acontece espontaneamente mais de três vezes consecutivas durante o primeiro trimestre de gravidez - é registrado em 0,5% dos casos.

A pesquisadora diz que as patologias podem estar muitas vezes relacionadas a causas imunológicas, o que pode ser detectado com antecedência por meio de testes.

Há casos de reações auto-imunes, quando a mulher, tendo um agente estranho dentro dela, acaba reagindo contra ela mesma, como ocorre na pré-eclampsia. Outra causa estudada atualmente é a reação alo-imune, quando a mulher responde inadequadamente ao feto.

São fatores que podem gerar infertilidade ou um aborto espontâneo de repetição. No entanto, destaca a imunologista, existem estratégias para resolver esses problemas, como a transfusão de linfócitos paternos, tratamento controverso permitido apenas em alguns países.

O problema desse tratamento, segundo Daher, é que o feto tem antígenos paternos, que são a marca do pai. Então, é preciso que a mulher com o sistema imunológico bem equilibrado para poder perceber a diferença e fazer a resposta imune sem abortar.

O papel do pai

Há casais que não conseguem engravidar, mesmo apresentando todas as condições ideais para isso, mas que acabam tendo filhos com outros parceiros. Ou seja, a causa da infertilidade pode ser uma incompatibilidade genética. Nesses casos, de acordo com a professora da Unifesp, a mulher pode estar com baixa quantidade de HLA-G, antígeno importante na gestação, que, se produzido em pouca quantidade, faz com que a mulher não consiga implantar o óvulo fecundado.

O fator paterno também interfere no processo. Ao contrário do que muitos pensam, não é somente o número de espermatozóides que se deve levar em conta. Tanto para a mulher quanto para o homem são importantes as citocinas, que são marcadores que também devem estar presentes no líquido seminal, para que não haja falha na implantação. A imunologista lembra que existem testes que identificam esses marcadores genéticos e revelam que quem tem um determinado gene poderá ter mais chances de apresentar uma determinada doença.

 

Com informações da Agência Fapesp.