Notícia

Esteta

Diferenças de gênero e sexualidade:

Publicado em 08 setembro 2014

A tese de doutorado Entre ditos e não ditos: a marcação social de diferenças de gênero e sexualidade por intermédio das práticas escolares da Educação Física, de Vagner Matias do Prado, sob orientação da Profa Dra Arilda Ines Miranda Ribeiro, foi defendida no Programa de Pós-Graduação em Educação da Unesp de Presidente Prudente. A linha de pesquisa é Processos Formativos, Diferença e Valores, e a pesquisa conta apoio da Fapesp - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo

A Educação Física se encontra inserida em sistemas discursivos que constroem representações sobre condutas normalizadas em nossa sociedade. Ostentar um corpo diferente dos padrões de saúde e beleza instituídos, não se adequar aos comportamentos sociais “apropriados” segundo seu gênero, ou transgredir o sistema de inteligibilidade cultural que prediz uma relação causal e ordenada entre sexo, gênero e sexualidade são marcadores que denunciam algumas “diferenças” durante aulas de educação física na escola.

Ao contar com o aporte teórico de estudos pós-estruturalistas e da teoria queer, a pesquisa objetiva compreender de que maneira os discursos utilizados pela disciplina produzem marcas associadas ao gênero e a sexualidade tendo a heterossexualidade como base normativa. São investigados como sujeitos que questionam os padrões de normalidade heterossexual são representados nos espaços escolares e como constroem resistências para transitarem por eles.

A pesquisa foi desenvolvida junto a jovens adultos gays no município de Presidente Prudente – SP. Através de aplicação de questionários socioeconômicos e da elaboração de seis (6) entrevistas semiestruturadas, analisamos relatos sobre vivências de sujeitos, que se autorrepresentam enquanto homossexuais, a partir de suas rememorações sobre aulas de educação física na Educação Básica.

Os resultados obtidos apontam que a Educação Física escolar é gerenciada pelos mecanismos reguladores de gênero na qual a heterossexualidade é tomada como padrão de normalidade. Sujeitos que não performatizam a masculinidade hegemônica, ou pautada na noção de virilidade e subjugação do feminino são alvos constantes de marcações de diferenças que objetivam “materializar” suas “não adequações” no cenário escolar e, mais especificamente, durante aulas de educação física nesse contexto.

Orientador e Membros da Banca: Profa Dra Arilda Ines Miranda Ribeiro (Orientadora); Profa Dra Maria de Fátima Salum Moreira (Unesp - Presidente Prudente); Profa Dra Helena Altmann (FEF/Unicamp); Prof. Dr. Wiliam Siqueira Peres (Unesp - Assis); Prof. Dr. Márcio Rodrigo Vale Caetano (FURG).

Portal Unesp