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Diferença genética impede que bactéria causadora de doença grave no exterior contamine carne brasileira

Publicado em 07 novembro 2019

Por Elton Alisson | Agência FAPESP

Entre as bactérias da espécie Escherichia coli, moradoras habituais do trato digestivo humano, existe um grupo capaz de produzir uma toxina chamada Shiga que tem intrigado os microbiologistas.

Em países como Austrália, Estados Unidos, Japão e Argentina, o consumo de carne bovina infectada por cepas dessa bactéria, conhecida como STEC (sigla em inglês para E. coli produtora de toxina Shiga), tem sido associado ao desenvolvimento de uma doença grave denominada síndrome hemolítico-urêmica (SHU), que causa insuficiência dos rins e acomete, principalmente, crianças com menos de cinco anos. No Brasil, por outro lado, um determinado sorotipo de STEC já foi encontrado na carne e nas fezes de bovinos – reservatório natural dessas bactérias –, mas nunca em pacientes diagnosticados com SHU.

Por meio de um estudo feito em colaboração com pesquisadores do Instituto Butantan e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), cientistas da USP desvendaram, agora, alguns mecanismos moleculares que tornam a STEC “estrangeira” mais virulenta e patogênica que a cepa brasileira.

As descobertas, feitas no âmbito de um projeto apoiado pela Fapesp, foram publicadas e ganharam destaque de capa na revista Microorganisms.

“Os resultados do estudo podem ajudar a identificar novos marcadores moleculares de virulência e patogenicidade para bactérias STEC, que serão úteis para traçar estratégias de vigilância epidemiológica. O risco é a cepa brasileira sofrer alguma modificação genética que a torne capaz de também causar a doença”, disse à Agência Fapesp Carlos Alberto Moreira Filho, professor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina (FM) da USP e coordenador do projeto.

Confira aqui o texto na íntegra, por Elton Alisson/Agência Fapesp