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Dicas Culturais

Publicado em 16 junho 2015

Por Nancy Rozenchan

MAIS RABINAS ORTODOXAS ORDENADAS ESTA SEMANA EM ISRAEL

Dra. Meesh Hammer-Kossoy e Rahel Berkovits foram ordenadas esta semana no Centro Har’el. Elas serão chamadas de raba. Elas se somam a Sara Hurwitz, a primeira a ser ordenada. Ontem, mais seis mulheres foram ordenadas na Yeshivat Maharat. Os títulos obtidos por elas não são reconhecidos pelo rabinato-chefe e nem pelas organizações de rabinos tradicionais dos Estados Unidos. Com relação à denominação, há quem não concorde com o título de raba e prefira utilizar maharat, significando líder espiritual haláchico da Torá.

DESCOBERTA IGREJA DE MAIS DE 1500 ANOS PERTO DE ESTRADA PARA JERUSALÉM

A Autoridade de Antiguidades de Israel informou que a igreja era uma parada para os peregrinos que viajavam para Jerusalém, na época do Império Bizantino. A descoberta aconteceu nas escavações próximas a autoestrada de Tel Aviv a Jerusalém. A Igreja tinha 16 metros de comprimento e uma capela menor, piso de mosaico branco e paredes decoradas com afrescos. Entre os achados estão lamparinas de óleo, moedas, vasos, fragmentos de mármores e uma opia batismal.

TEATRO

No SESC Consolação, Krum [Membrana], peça do dramaturgo israelense Hanoch Levin [1943-1999], direção de Marcio Abreu, com Renata Sorrah, Daniel Granghela, Grace Passô e elenco. Sextas e sábados, 21 h, domingo, 18 h. Até 26 de julho.

CURSO DE ARIEL FINGUERMAN NA PALAS ATHENA

Os evangelhos lidos na cultura de seu tempo, com Ariel Finguerman. De 6 a 29 de julho de 2015, segundas e quartas-feiras, 19h30 a 21h30. Nos últimos anos, cada vez mais as religiões entram em diálogo, a tal ponto que hoje não se pode estudar o início do cristianismo sem consultar fontes judaicas, nem se entender o judaísmo sem abrir o Novo Testamento. Em particular, os estudos sobre Jesus, seu ensinamento e o tempo em que viveu são cada vez mais entendidos sob o pano-de-fundo da cultura, sociedade e política da Terra Santa no século I. Este curso abordará e refletirá sobre alguns dos grandes temas dos Evangelhos – o reino de Deus, o batismo, as parábolas, a questão da pureza, o sábado, o legado de João Batista -, contextualizando-os na cultura bíblica da Israel antiga e no judaísmo do século I. Veja mais em http://www.palasathena.org.br/curso_detalhe.php?curso_id=437

MARTÍN KOHAN NA COMPANHIA DAS LETRAS

A guerra e o medo na ficção de Martín Kohan. Martín Kohan: escritor argentino, autor do premiadíssimo Ciências morais (Companhia das Letras), Segundos fora (Companhia das Letras), e Duas vezes junho (Amauta Editorial). Vivian Schlesinger: escritora, tradutora, resenhista, colunista do jornal Rascunho, jurada em 2013 e 2014 do Prêmio Jabuti, além de mediar clubes de leitura e ministrar oficinas de escrita. Material Incluso: Ciências morais, de Martín Kohan. Inscrições e informações: cursos@companhiadasletras.com.br – Data: 22 e 24 de junho de 2015 – Horário: 19h às 21h – Valor: R$ 250,00 – Local: Companhia das Letras (Auditório) – Endereço: Rua Bandeira Paulista, 702 – Itaim Bibi

MARTÍN KOHAN NA USP

A disciplina de Literatura Hispano-Americana da FFLCH convida para a palestra do escritor Martín Kohan: “Literatura, realismo, política”. Dia 26 de junho, 14,30 h. Sala 8, Prédio de Filosofia e Ciências Sociais.

MARTÍN KOHAN NA HEBRAICA

Clube de Leitura Livro: Ciências morais, de Martín Kohan – 20/06/2015 – 16:00 – 18:00 – Auditório. Clube de Leitura do Livro: “Ciências morais”, de Martín Kohan. Mediadora: Vivian Schlesinger.

CELEUMA EM EXPOSIÇÃO NO EGITO

A exposição do novo museu Mulheres Pioneiras na cidade faraônica de Giza, aberta no sábado, causou celeuma ontem quando a foto da ex-Primeira-Ministra israelense Golda Meir, uma das setenta fotos de mulheres expostas, foi retirada da mostra. O responsável pelo museu, Dr. Abdel-Salam Ragab, declarou que a foto foi retirada devido aos protestos no dia da abertura. Diversas personalidades da cultura egípcia manifestaram-se contra a retirada da foto de Golda Meír.

CELEUMA EM FESTIVAL DE FILMES EM LONDRES

Os organizadores do festival de cinema israelense Seret 2015 de Londres cancelaram a exibição do filme The Gift of Fire do diretor ultra-ortodoxo Rechy Elias. Elias tinha instruído que, por motivos religiosos, a sessão fosse aberta apenas a mulheres. O filme é uma saga romântica sobre uma jovem judia forçada a deixar a família no século XV quando se vê ameaçada pelos horrores da Inquisição.

SOBREVIVÊNCIA DO LADINO

El Amaneser, único jornal em ladino, impresso na Turquia, luta para não desaparecer. O jornal circula há dez anos em uma iniciativa do Centro de Pesquisa da Cultura Sefardita Turco-Otomano de preservação da língua. De acordo com a Associação de Tradutores de Israel há atualmente cem mil pessoas falantes de ladino. A maioria vive em Israel. Há quem considere que este número é muito maior. De todo modo, a língua não é transmitida aos descendentes destes falantes porque eles vivem em países dominados por outros idiomas. Em 1996 foi instituída em Israel a Autoridade Nacional Israelense do ladino. A língua é lecionada nas universidades Bar-Ilan e Ben Gurion. El Amaneser é distribuído gratuitamente para 4.500 assinantes na Turquia e tem algumas centenas de leitores em outros países. A editora Karen Sarhon informa que, contrariamente ao que se pensa, os sefarditas não falavam ladino na Espanha e em Portugal; falavam seu dialeto local. Somente quando se estabeleceram no Império Otomano começaram a usar o ladino.

COLEÇÃO ARMAZENADA HÁ 13 ANOS ENCONTRA NOVO ABRIGO EM CINCINNATI

A coleção de mais de 1.500 itens do Museu Klutznick da B’nai B’rith de Washington, guardada em depósito por 13 anos, está sendo transferida para o Museu Skirball, no campus do Hebrew Union College-Jewish Institute of Religion em Cincinnati. Enquanto existiu em Washington, o Museu Klutznick da B’nai B’rith atraía cerca de 100 mil visitantes por ano. A instituição foi fechada quando o prédio principal da B’nai B’rith foi vendido para cobrir as dívidas crescentes da organização. Além dos inúmeros objetos de judaica, o museu abrigou documentos importantes como a carta de George Washington aos judeus de Newport, Rhode Island, considerada o tratado mais eloquente sobre liberdade religiosa escrito pelo primeiro presidente norte-americano.

SHOLEM ALEICHEM – NOS 99 ANOS DE SUA MORTE

Ouça vários trechos de seus contos em ídiche, lidos pelo famoso autor da língua ídiche. Veja aqui: http://blogs.yiddish.forward.com/vayter/187892/sholem-aleichem-s-voice/?

CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE RECORDAÇÃO DO HOLOCAUSTO REALIZADA EM BUDAPEST NO ÚLTIMO FIM DE SEMANA

Janos Lazar, secretário de Estado húngaro presente ao evento que reuniu 200 delegados de 31 países, declarou que a Hungria “jamais poderia ter conseguido o que obteve nos últimos séculos sem os nossos irmãos judeus”. Nesta conferência o holocausto foi debatido como uma questão política contemporânea. Lazar disse que o governo se empenha em achar os nomes dos 600 mil judeus húngaros que morreram no holocausto e colocar os nomes na “árvore rememorativa” no pátio da Grande Sinagoga ou no Muro da Recordação no Centro de Rememoração do Holocausto da cidade. Lazar também reiterou uma promessa feita este ano de que o planejado Museu do Holocausto do governo não será aberto enquanto não for aprovado pelos líderes da comunidade judaica húngara. O museu tem sido criticado por omitir a culpa dos húngaros e por tratar exclusivamente o último ano do holocausto, quando a maioria dos judeus húngaros já havia sido deportada. Dos cerca de 80 mil judeus que vivem atualmente na Hungria, cerca de 7 mil são sobreviventes do holocausto.

SEGUNDA EDIÇÃO DA INTERCONTINENTAL ACADEMIA SERÁ SOBRE DIGNIDADE HUMANA

Fernanda Rezende [Fone: boletim do Instituto de Estudos Avançados da USP. II edição Intercontinental AcademiaA segunda edição da Intercontinental Academia já tem tema, datas e locais marcados. O projeto estudará a dignidade humana em duas etapas: a primeira de 6 a 20 de março de 2016, em Jerusalém, Israel; e a segunda de 1 a 12 de agosto, em Bielefeld, Alemanha. Esta edição é organizada pelo Instituto Israel para Estudos Avançados da Universidade Hebraica de Jerusalém e pelo Centro para Pesquisas Interdisciplinares (Zentrum für interdisziplinäre Forschung – ZiF) da Universidade de Bielefeld. Abordado na pesquisa de diversas disciplinas, o tema envolve o debate sobre terrorismo internacional, tortura, guerra civil, proteção de dados, redução da pobreza e seguridade social, minorias, história dos direitos humanos, entre outros. Durante os encontros em Israel e na Alemanha, os participantes assistirão a aulas magnas com expoentes na pesquisa sobre esses assuntos. Algumas das conferências já estão definidas: “O direito constitucional à dignidade humana”, “Dignidade como núcleo dos direitos humanos”, “Reconhecendo a dignidade humana após a sua negação” e “Dignidade humana na religião”. Entre os palestrantes confirmados estão: Aleida Assmann, professora de literatura inglesa da Universidade de Konstanz; Lynn A. Hunt, professora pesquisadora ocupante da cátedra Eugen Weber Endowed em História Moderna Européia da Universidade da Califórnia; Gertrude Lübbe-Wolff, professora de direito público na Universidade de Bielefeld e ex-membro da Corte Constitucional Federal Alemã de Justiça; Ralf Poscher, professor de direiro constitucional e filosofia legal da Universidade de Freiburg; e Mordechai Kremnitzer, professor “Bruce W. Wayne” de direito internacional da Universidade Hebraica de Jerusalém e vice-presidente de pesquisa do Instituto Israel de Democracia. Mais informações: http://intercontinental-academia.ubias.net/

PUC-SP ABRE CURSO SOBRE HISTÓRIA JUDAICA

A PUC-SP abriu inscrições para o curso “História Judaica: da Inquisição à Modernidade”, que pretende mostrar a importância da história judaica na formação da civilização ocidental, delinear a história das civilizações judaicas da idade moderna ao mundo contemporâneo com seus reflexos na atualidade. O curso narra a trajetória histórica e apresenta as diferenças entre as comunidades judaicas da Europa ocidental, oriental e dos países árabes. Ao mesmo tempo, aborda aspectos pouco conhecidos como as condições sociais que esse povo vivia em cada região. O curso tem como público alvo pesquisadores, professores e estudantes de graduação e pós-graduação nas áreas de História, Geografia, Ciências Sociais, Economia, Serviço Social, Relações Internacionais, Teologia e professores do Ensino Médio, bem como interessados em geral. As inscrições vão até 25 de junho de 2015 e custam R$ 50,00. Inscrições a partir de 26 de junho de 2015: R$ 75,00. Aulas expositivas serão acompanhadas de sugestões bibliográficas e contarão com visitas programadas ao Centro de Cultura Judaica e sinagoga.

DIPLOMATAS NO LABORATÓRIO – PROJETO INVESTIGA O INTERCÂMBIO CIENTÍFICO ENTRE O BRASIL E A ALEMANHA NAZISTA
[FONTE: BOLETIM FAPESP – JULIANA SAYURI | ED. 231 | MAIO 2015]

Nas Olimpíadas de Berlim, em 1936, a cidade alemã recebeu mais do que delegações de atletas e turistas. Desembarcaram também na “nova” Alemanha os primeiros estudantes latino-americanos atraídos por cursos, congressos e visitas a instituições médicas do país. As excursões cresceram nos anos seguintes, tornando-se itinerantes. Do Brasil, jovens graduandos, principalmente da Escola Paulista de Medicina, visitaram hospitais, laboratórios e órgãos oficiais, em missões médico-diplomáticas manejadas por ministérios à época dominados pelo Partido Nazista. Algumas eram promovidas pela Academia Médica Germano-ibero-americana, fundada em 1935. O objetivo era fomentar as relações médicas entre Alemanha e países da América Latina.

“A medicina teve papel importante nessas relações diplomáticas porque gozava de grande prestígio internacional, embora não fosse uma ferramenta tão visível de propaganda cultural”, diz o historiador André Felipe Cândido da Silva, da Casa de Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz). “Durante o nacional-socialismo, a corporação médica alemã foi um dos segmentos que se alinhou mais estreitamente ao novo regime. Os médicos, como representantes da arena acadêmica, eram porta-vozes convictos do intenso nacionalismo vigente. E havia a dinâmica indústria farmacêutica, com interesse em consolidar seus laços com clientes estrangeiros.” Silva explorou o papel da ciência na diplomacia cultural alemã entre 1919 e 1950, com ênfase na década de 1930, durante pós-doutorado realizado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Por diplomacia cultural entenda-se o esforço germânico que congregou diplomatas e cientistas, universidades, empresas e companhias de navegação, entre outros atores.

Além das expedições científicas de estudantes, enfermeiros, docentes, pesquisadores e até pacientes, algumas estratégias articulavam médicos e diplomatas entre Brasil e Alemanha. Havia periódicos especializados, como a Revista Médica de Hamburgo, fundada por Ludolph Brauer, organização de encontros científicos internacionais, campanhas sanitárias, consolidação de produtos da indústria farmacêutica alemã e construções de hospitais por vezes voltados à assistência de imigrantes.

Enquanto no Brasil – especialmente no circuito Rio-São Paulo – as faculdades de medicina ganhavam corpo, com maior especialização e interesse tecnológico, sofisticação das técnicas de intervenção cirúrgica e avanços em procedimentos de diagnóstico e profilaxia, a Alemanha já era ponta de lança do desenvolvimento científico. Ali foi elaborado o modelo médico que alicerçou a formação contemporânea com o tripé ensino, assistência clínica e pesquisa universitária em Berlim, Göttingen, Heidelberg e Munique. Descobertas clínicas e inovações cirúrgicas vinham de laboratórios de universidades, indústrias e institutos alemães, que contavam com expoentes como Robert Koch, Rudolf Virchow, Paul Ehrlich, Emil Kraepelin, Emil von Behring, August von Wassermann, entre outros.

As ciências tiveram impacto no contexto político, às vésperas da Segunda Guerra Mundial. “Tornaram-se ingredientes importantes do prestígio nacional, ainda mais no ambiente de intenso nacionalismo”, diz Silva. Na análise do historiador, a experiência da Primeira Guerra já tinha demonstrado a importância de estruturar complexos nacionais de pesquisa científica, aliando instituições acadêmicas, indústrias, militares e Estado. “Além disso, o discurso científico contribuiu para legitimar ambições territoriais e pretensões de superioridade nacional e racial importantes para conquistar a adesão interna e a externa, de aliados”, observa.

Superioridade cultural

De acordo com Silva, médicos alemães se envolveram na propaganda cultural, persuadidos pela superioridade de sua cultura. Entretanto, após a Primeira Guerra, a ciência alemã ficou relativamente isolada quando parte dos cientistas se manifestou a favor do militarismo germânico. Ademais, físicos, médicos e químicos participaram de estudos como o desenvolvimento de gases letais. A instrumentalização do conhecimento para fins bélicos levou vários países a boicotar a ciência alemã até meados da década de 1920. “É importante, no entanto, distinguir os diferentes níveis da cooperação científica transnacional para ter clareza de que muitos pesquisadores continuaram mantendo contato informal com seus pares de países outrora inimigos. Embora repercutisse internacionalmente, para os latino-americanos não teve praticamente nenhum efeito uma política de boicote levada a cabo por organizações das quais muitos deles não faziam parte”, pondera.

O patologista e microbiologista carioca Henrique da Rocha Lima, por exemplo, se tornou um dos principais colaboradores da diplomacia alemã nas décadas de 1920 e 1930. Rocha Lima descobriu a origem do tifo exantemático em 1916, no Instituto de Doenças Marítimas e Tropicais de Hamburgo. Na volta definitiva ao Brasil, em 1928, foi uma liderança marcante do Instituto Biológico de São Paulo. O patologista Walter Büngeler, alemão de Danzig (atual cidade polonesa de Gdansk), escolhido para a cátedra da Escola Paulista de Medicina, pretendia ali iniciar um núcleo alinhado à ciência alemã – e correspondeu às expectativas dos oficiais da chancelaria e do Partido Nazista, transformando a escola num celeiro científico para as iniciativas da Academia Médica Germano-ibero-americana, especialmente com as excursões de estudantes.

O intercâmbio expressivo incluiu nomes como o oftalmologista Antônio de Abreu Fialho, o psiquiatra Antônio Pacheco e Silva, o dermatologista Adolfo Lindenberg, que foram convidados a visitar a Alemanha. Do outro lado, vieram ao Brasil médicos como Franz Volhard, Helmut Ulrici e Walter Unverricht, Heinrich Huebschmann e Karl Fahremkamp, entre outros. Diretor do Hospital Eppendorf, Ludolph Brauer visitou o Rio, Salvador e São Paulo – ali ainda passou pela distante colônia de Presidente Epitácio, onde existia uma ativa célula do Partido Nazista. A deflagração da Segunda Guerra Mundial, em 1939, abalou o intercâmbio científico, que acabou a partir da entrada do Brasil no conflito, ao lado dos Aliados, em 1942.

Projeto

As relações científicas germano-brasileiras no contexto da medicina paulista (1919-1950) (nº 2011/51984-5); Modalidade Bolsa de Pós-doutorado; Pesquisadora responsável Maria Amélia Mascarenhas Dantes (FFLCH-USP); Bolsista André Felipe Cândido da Silva; Financiamento (FAPESP).