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A Bookaholic Girl

Diário da Faculdade | Estudar e trabalhar na USP: minhas vivências no campus

Publicado em 09 dezembro 2018

Depois de 2 anos estagiando na Companhia de Engenharia de Tráfego – CET eu precisei trocar de estágio. Infelizmente não trabalho por hobby, até queria só estudar, mas não tenho condições! Anyway… Apesar de trabalhar 6 horas por dia estava muito cansada por ter que ficar pegando trânsito, além de ficar indo e voltando de um lado para o outro, e para quem é de São Paulo sabe como o trânsito é um caos!

A Universidade de São Paulo oferece aos alunos algumas possibilidades de estágio remunerado e eu vi que talvez a melhor opção seria conseguir alguma vaga dentro do próprio campus. Com isso, conforme as vagas eram divulgadas por e-mail me inscrevi em duas e optei por trabalhar na Pró-Reitoria de Pesquisa, um departamento na Reitoria totalmente voltado à pesquisa na universidade, envolvendo todas as unidades, áreas e níveis de formação.

A adaptação foi um processo um pouco difícil para mim. Como eu disse estagiei por 2 anos na CET, um lugar que tinha milhares de coisas para fazer e eu já tinha uma rotina específica de atividades, um tanto estressantes, para desenvolver todos os dias. Claro que iniciar em um novo lugar, conhecer pessoas diferentes é um pouco complicado e demoro um tempo para me socializar e entender exatamente como as coisas funcionam. Mas acho que esse é um processo natural de qualquer coisa que começamos na vida, não é mesmo?

Comecei meu estágio no mês de fevereiro, depois do feriado de Carnaval e a maior diferença que percebi foi não ter uma rotina fixa de atividades. Tudo depende das demandas e necessidades das unidades, e quando é lançado algum edital específico, o que gera picos sazonais de atividades. E nesse segundo caso: uma loucura! rs. Mas enquanto não há demanda eu aproveito para estudar, porque acaba me ajudando muito.

Eu trabalho diretamente com o financeiro, além de ajudar nessas demandas, em algumas reuniões fazendo transcrição de ata (quero morrer, confesso!) e em alguns eventos que são promovidos. Um dos eventos que mais gosto é o USP Talks, realizamos todo mês esse evento no MASP – Museu de arte de São Paulo Assis Chateaubriand e eu adoro! O evento diz respeito às palestras com dois especialistas sobre temas que estão em alta na sociedade, como vacinas, Fake News, etc e todas estão disponíveis no canal no YouTube!

Minha rotina mudou drasticamente. Eu passo quase 12 horas na universidade principalmente nos dias que tenho aula e passei a utilizar diariamente os restaurantes (ou bandejões) disponíveis para os alunos e funcionários, com baixíssimo custo, R$ 2 a refeição, incluindo um cardápio variado com opção vegetariana, salada, suco e sobremesa. Outra mudança drástica que senti é que como os prédios não são tão próximos um dos outros e eu acabo andando mais, e é muito ruim quando chove. Mas passei a admirar a beleza do campus que é repleto de árvores, pássaros e muitas flores na primavera. Pude conhecer alguns lugares que nunca tinha tempo de conhecer, como o Centro de Práticas Esportivas – CEPE, inclusive até comecei a fazer um curso de orientação nutricional, mas por conta da correria do semestre não cheguei a concluir.

Acredito que a maior vantagem de estagiar na própria universidade é a flexibilidade, pelo menos onde eu trabalho. Mudei o horário das minhas aulas sem nenhuma dificuldade depois de conversar com meu chefe, além de conseguir aproveitar os eventos e palestras que disponíveis no campus. Além disso, pude conhecer um outro lado da USP, o lado mais aprofundado da pesquisa, as dificuldades e a relação com as agências de fomento, como FAPESP, CAPES, CNPQ. Eu não tinha ideia de como funcionava os processos de bolsas!

Mas nem tudo é tão maravilhoso! Ficar muito tempo no campus também é super estressante, pegar o ônibus circular lotado e o bandejão também exige muito esforço. Nem todo mundo tem bom senso e é difícil ter que lidar com a falta de respeito e má educação com pessoas com que você divide o espaço público. Mas isso acontece em todo lugar! Outro detalhe é que a Cidade Universitária é isolada de diversas coisas, tirando os bancos (e aqui tem basicamente todos) se precisar correr para alguma você tem que sair e procurar em outro lugar, digo de lojas para roupas, produtos de higiene, supermercado, farmácia, etc. E no caso de atendimento médico, aluno USP e funcionários podem utilizar o Hospital Universitário – HU para atendimentos emergenciais e consultas.

E se enjoar da comida do bandejão se prepara para gastar, porque não há opções muito baratas de restaurantes s quiosques. Um prato básico, tipo prato feito com arroz, feijão, peito da frango grelhado e uma salada custa em torno de R$ 18, no mínimo. Tem várias opções de food truck, como hamburguerias, doces, e até restaurantes por quilo que são mais caros ainda. A minha maior descoberta e o lugar que compensa mais, na minha opinião, é o Dôki-Dôki, o food truck de comida asiática que tem valor menor do que shoppings e é tudo muito fresquinho e uma delícia, apesar de demorar um pouco, porque fazem tudo na hora! É viciante e se você gosta de Temaki, Yaksoba e derivados prepare o bolso! rs Para um lanche rápido ou até mesmo uma lasanha (até tem comida “tradicional”, mas é congelada), outra opção que gosto muito é a lanchonete italiana no prédio do curso de Letras, mas também tem o valor um pouco mais caro se for comparado com as outras que conheço.

Essas foram as mudanças que senti nesse ano. Claro que os pontos positivos foram bem maiores que os negativos. Espero que vocês tenham gostado de conhecer um pouco mais da minha rotina e de como funciona a USP.