Notícia

Galileu

Diálogos sobre os Dois Máximos Sistemas do Mundo

Publicado em 01 dezembro 2001

Livros - Discurso Editorial e Fapesp. SP. (11) 3034-2733. 882 págs. R$ 68 O livro que levou a Santa Inquisição a processar Galileu Galilei (1564-1642), o gênio que dá nome a esta revista, acaba de ganhar uma cuidadosa tradução para o português. Acompanhada de uma introdução sobre o vínculo da obra com a condenação de seu autor, a versão brasileira é obra de Pablo Rubén Mariconda, professor de teoria do conhecimento e filosofia da ciência da USP (Universidade de São Paulo). Para facilitar a compreensão do leitor não especializado, o texto é acompanhado de notas laterais de contextualização, além de extensas notas interpretativas - que ocupam 319 das 882 páginas - com análises do tradutor e opiniões de estudiosos da obra, às vezes conflitantes. Não bastassem todos esses recursos, o tradutor elaborou também um útil sumário analítico, que facilita a localização dos temas, principalmente em um texto organizado em diálogos. Para muitos, o livro, cujo nome todo é Diálogos sobre os Dois Máximos Sistemas do Mundo Ptolomaico e Copernicano, de 1632, é aquele em que Galileu contesta a tese, baseada na filosofia de Aristóteles (384-322 a.C), de que a Terra é imóvel e ocupa o centro do Universo. Mais que isso, é a obra em que ele fundamenta o que já havia dito em sua carta de 1613 ao padre Benedetto Castelli: a Bíblia não tem autoridade nas questões da ciência, que só podem ser resolvidas com o raciocínio matemático aplicado às experiências obtidas pela observação. . A razão humana torna-se autônoma, com Galileu, na busca da verdade na ciência. (MaurícioTuffani '(...) afirmo que temos no nosso século acontecimentos e observações novas e de tal alcance, que não tenho dúvida de que se Aristóteles vivesse em nossa época, mudaria de opinião. Galileu'