Notícia

Jornal da Unesp

Diálogo com o poder público

Publicado em 01 junho 2015

Por Oscar D’Ambrosio

O Instituto para a Valorização da Educação e Pesquisa do Estado de São Paulo (Ivepesp) promoveu no dia 30 de abril o IX Workshop de Educação e Pesquisa do Estado de São Paulo, no Instituto de Física Teórica da Unesp, com transmissão ao vivo da TV Unesp. O encontro abordou os temas “Educação, Ciência e Tecnologia”, “Logística e Transportes” e “Justiça, Segurança Pública e Ação Social: Problemas e Desafios”. “O objetivo do Instituto é buscar soluções, divulgar informações, desenvolver projetos e buscar uma maior interação da universidade com a sociedade”, disse Julio Cezar Durigan, reitor da Unesp, um dos organizadores do evento, ao lado de Helio Dias, do Instituto de Física da USP.

Márcio França, vice-governador e secretário do Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, lembrou uma frase que ouviu de Miguel Arraes, dizendo que a área de Ciência e  Tecnologia constituía o “Ministério da Pátria”. Ele enfatizou em sua fala a importância da ciência e da tecnologia de São Paulo, responsável por 50% da produção científica do Brasil.

O vice-governador destacou a necessidade de aumentar o impacto social das inovações produzidas na universidade. Comentou que, após recente reunião na Fapesp, criou-se uma nova modelagem nessa relação. Cientistas designados pelas universidades e institutos de pesquisa ligados ao governo paulista começarão a passar períodos nas secretarias acompanhando o cotidiano de cada uma delas. A cada seis meses, reuniões entre esses profissionais, a Fapesp e o governador permitirão aproximar a ciência da política. “Assim, ciência e tecnologia de qualidade podem caminhar ao lado de boa política e boa gestão”, concluiu.

Herman Jacobus Cornelis Voorwald, secretário de Educação paulista e professor da Unesp de Guaratinguetá, discorreu sobre os desafios de gerenciar 5.300 escolas, 4,3 milhões de alunos e 294 mil colaboradores. Voorwald, que ocupou diversos cargos na Universidade, como reitor, vice-reitor e assessor-chefe de Planejamento e Orçamento, analisou em sua fala a necessidade da melhoria da atratividade do ensino médio para o estudante, a busca  de uma melhor formação inicial do docente e uma recuperação do prestígio da carreira de professor. “É preciso melhorar a efetividade na gestão de recursos materiais e financeiros”, ressaltou.

Floriano Pesaro, secretário do Desenvolvimento Social, destacou que as pessoas mais pobres do Estado estão às margens de cidades ricas, como São Paulo, Campinas, Santos e São José dos Campos. “Estamos falando de um universo de 2 milhões de famílias que ganham 25% do salário mínimo e 350 mil que ganham 1/8 dele”, enfatizou. “O desafio é estabelecer políticas públicas e parcerias entre os setores público e privado que combatam essa situação na escala em que ela se apresenta.”

Milton Xavier, representando a Secretaria de Logística e Transportes do Estado de São Paulo, mostrou a importância cada vez maior do setor privado na área. Ele assinalou que a região destacada por Pesaro representa 8% da área do Estado e 75% de sua economia e reúne alguns dos principais problemas do setor, como baixo nível de mobilidade, oferta de emprego dissociada do local de moradia e escassez de recursos para infraestrutura. “O  Rodoanel, o Ferroanel e a intermodalidade rodoferroviária são caminhos a seguir para diminuir a ameaça de um colapso do sistema como um todo”, mencionou.

“Os Problemas e Desafios da Justiça” foram o tema de Eugênio Coutinho Ricas, secretário da Justiça do Espírito Santo. Em sua fala, assinalou que a população carcerária do Brasil é a quarta do mundo em números absolutos e apresenta um crescimento maior que o vegetativo da população. “Educação, profissionalização e trabalho são os pilares das ações que realizamos no Espírito Santo, com ótimos resultados. Mais presos não significa mais segurança”, argumentou. “O que é preciso é que a Justiça faça prisões mais qualificadas.”

A palestra do coronel José Nivaldo Vieira Campos, secretário-chefe de Estado do Espirito Santo, abordou “Problemas e Desafios da Segurança Pública”. Para ele, a solução atual de mais prisão, mais polícia, mais viaturas e mais armas não funciona. “O controle social informal atua na prevenção primária ou precoce. É melhor do que começar com a repressão. A violência precisa ser assumida como um problema de todos. Somente assim cada um poderá contribuir para o benefício da sociedade”, concluiu.

Helio Dias ressaltou o significado do workshop: “Eventos como este são de grande importância para discutir questões essenciais de nossa sociedade, gerando discussões qualificadas e uma aproximação entre aquilo que a u niversidade reflete e aquilo que a gestão pública necessita”, apontou.