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Diagnóstico de esclerose tem nova técnica

Publicado em 22 abril 2020

Pesquisa feita na UFSCar de Sorocaba permite que doença seja descoberta precocemente

Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), campus Sorocaba, desenvolveram uma técnica para diagnosticar precocemente a esclerose múltipla, que é uma doença do sistema nervoso central. Além disso, a técnica ainda permite distinguir a esclerose múltipla de outra doença, a neuromielite óptica.

O resultado da pesquisa foi divulgado recentemente em importantes revistas científicas como a Nature e a Ultramicroscopy. O estudo é coordenado pelo pesquisador Fábio de Lima Leite, do Centro de Ciências e Tecnologias para a Sustentabilidade da UFSCar, campus Sorocaba, e coordenador do Grupo de Pesquisa em Nanoneurobiofísica (GNN) da universidade.

Leite afirma que iniciou a pesquisa em nanobiossensores há mais de 10 anos, com auxílio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por meio do programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes.

O pesquisador disse que em pessoas acometidas por esclerose múltipla e neuromielite óptica o sistema imune produz anticorpos que atacam e danificam parte da camada da bainha de mielina que envolve os neurônios e auxilia na transmissão de impulsos nervosos. Com o tempo, surgem lesões permanentes em regiões do cérebro.

A partir de um nanobiossensor originalmente desenvolvido para detectar herbicidas, metais pesados e outros poluentes, o grupo da UFSCar criou um método que permite observar a interação entre os anticorpos presentes nas amostras de pacientes depositadas em um microscópio de força atômica e os peptídeos que compõem a bainha de mielina.

O equipamento utiliza para isso uma técnica, conhecida como espectrometria de força, para medir a força das interações entre essas moléculas.

“O sensor para a detecção da esclerose múltipla foi desenvolvido pelas pesquisadoras Pamela Soto Garcia, e Jéssica Cristiane Magalhães Ierich, sob orientação do coordenador da pesquisa. E o sensor para detectar a neuromielite óptica foi desenvolvido pela pesquisadora Ariana de Souza Moraes”, diz Leite.

“Com o microscópio de força atômica é possível detectar a presença de anticorpos específicos para cada uma dessas duas doenças no líquor e no soro sanguíneo. Se os anticorpos forem atraídos pelos peptídeos que depositamos no sensor durante o teste, é sinal de que o paciente tem a doença. O equipamento é muito sensível e capaz de identificar uma quantidade pequena desses anticorpos, ou seja, é capaz de diagnosticar ainda nas fases iniciais da doença”, conta Leite.

O pesquisador explica ainda que a migração da detecção de herbicidas para a identificação de anticorpos se deu principalmente por causa da atual dificuldade em diagnosticar as doenças desmielinizantes. “Geralmente, a esclerose múltipla é diagnosticada clinicamente, a partir de sintomas relatados pelo paciente e exames de ressonância magnética, que identificam lesões em determinadas áreas do cérebro”, diz.

Método mais barato e preciso

O pesquisador relata ainda que o microscópio de força atômica, além de ser mais preciso e evitar erros de diagnóstico, é um método mais barato.

Segundo ele, o microscópio de força atômica custa R$ 100 mil, já o equipamento de ressonância magnética está em torno de R$ 2 milhões.

Além disso, outra vantagem do estudo é que, quanto antes essas doenças forem diagnosticadas, mais cedo se inicia o tratamento e menor será o risco de sequelas. E como não existe cura, o diagnóstico precoce pode dar qualidade de vida e um tratamento mais adequado a esses pacientes, aponta a pesquisa.

Também são parceiros do estudo a pesquisadora Doralina Guimarães Brum, da Unesp de Botucatu; Paulo Diniz da Gama, do Instituto do Cérebro de Sorocaba; Maria Teresa Machini da Universidade de São Paulo (USP); e a empresa RheaBioetch. (Ana Cláudia Martins)