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Diabetes sem controle afeta força muscular em pessoas acima de 50 anos

Publicado em 08 fevereiro 2020

Por Agência FAPESP

Manter o diabetes sob controle ajuda a evitar a perda de força muscular em pessoas acima de 50 anos, principalmente entre os homens, sugere estudo desenvolvido na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e divulgado em The Journals of Gerontology Series A Biological Sciences and Medical Sciences.

A investigação foi conduzida com apoio da FAPESP durante o mestrado de Clarice Cavalero Nebuloni. O trabalho integra o International Collaboration of Longitudinal Studies of Aging (InterCoLAging), consórcio de estudos longitudinais que envolve Brasil, Estados Unidos e Inglaterra e tem sede na UFSCar, sob a coordenação de Tiago da Silva Alexandre, do Departamento de Gerontologia (DGero-UFSCar).

“As altas concentrações de glicose no sangue danificam partes dos nervos periféricos, afetam a capacidade de condução do impulso nervoso, causam atrofia do axônio motor, diminuição do potencial regenerativo e perdas de fibras nervosas, alterando a capacidade de contração e geração de força muscular”, explicou Alexandre à Assessoria de Comunicação da UFSCar.

Foram usados na pesquisa dados de 5.290 ingleses com mais de 50 anos de idade, extraídos de um estudo longitudinal sobre envelhecimento conhecido como Elsa (English Longitudinal Study of Ageing). Nessa amostra, os cientistas analisaram a associação entre diabetes não diagnosticado, diabetes controlado e diabetes descontrolado com baixa força neuromuscular – condição definida como dinapenia.

Os níveis de hemoglobina glicada no sangue dos voluntários foram usados como marcador, pois permitem avaliar se a doença estava ou não sob controle nos meses anteriores à coleta. “Quanto maior o valor da hemoglobina glicada, pior o controle glicêmico”, explicou Alexandre.

As análises indicam que o diabetes descontrolado aumenta o risco de dinapenia tanto em mulheres (67%) quanto em homens (137%), que se mostraram mais suscetíveis ao problema. Neles, a perda de força muscular foi observada a partir de níveis da hemoglobina glicada de 6,5%, enquanto para as mulheres foi somente a partir de 8%.

Segundo Alexandre, a diferença pode estar relacionada com o fato de as mulheres serem mais sensíveis à insulina e apresentarem maior porcentagem de fibras musculares responsáveis pelo metabolismo da glicose e dos ácidos graxos.

“Ao usar a glicose de forma mais eficiente, as mulheres precisam ser expostas a valores mais elevados de glicemia para terem sua força comprometida”, disse. O estudo considerou as diferenças entre os sexos, uma vez que os homens apresentam maior força neuromuscular que as mulheres no ponto inicial.

Na avaliação de Alexandre, o controle da glicemia é fundamental para minimizar as complicações decorrentes da perda de força muscular, “altamente associada à mortalidade, incapacidade física, maior chance de hospitalização e maiores gastos para o sistema de saúde e para as famílias”.

Além disso, o docente reforça a importância da atividade física e da alimentação adequada para o tratamento do diabetes, diminuindo a resistência à insulina e auxiliando no controle glicêmico. “O treinamento deve ser prescrito por profissional habilitado e deve ser individualizado considerando as diferenças entre homens e mulheres”, afirmou.

O artigo Uncontrolled diabetes as an associated factor with dynapenia in adults aged 50 years or older: sex differences pode ser lido em https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/mdl-31665234.

* Com informações da Assessoria de Comunicação da UFSCar.