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CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico

Dia do Cerrado - Conheça o programa Sisbiota e sua atuação no cerrado brasileiro

Publicado em 11 setembro 2015

Uma rede nacional de pesquisa com a finalidade de aumentar o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira, o programa, lançado em 2010, já investiu R$ 44 milhões de reais, em 39 redes, abrangendo 186 projetos de pesquisa em todo o país.

A riqueza do Cerrado brasileiro é tão reconhecida que o bioma ganhou um dia especial para ser celebrado e lembrado como a maior e mais diversa savana do planeta: o dia 11 de setembro. Além de abrigar as cabeceiras de grande bacias hidrográficas brasileiras (Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata), o bioma é um dos hotspots do mundo, ou seja, uma região natural de elevada biodiversidade.

A preservação do bioma torna-se, portanto, imprescindível e se faz, principalmente, a partir dos estudos que buscam levantar e compreender sua diversidade, detectar seus problemas e propor soluções.

Nesse sentido, iniciativas como o Sisbiota - Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade ¿ contribuem de forma significativa. O programa promove, desde 2010, a integração nacional de redes de pesquisa cooperativas e interdisciplinares, com estudos que abrangem todos os biomas brasileiros.

Ele tem como objetivo melhorar a capacidade preditiva de respostas a mudanças globais, particularmente às mudanças de uso e cobertura da terra e mudanças climáticas; associando as pesquisas à formação de recursos humanos, educação ambiental e divulgação do conhecimento científico.

O programa é realizado a partir de uma parceria entre os ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Meio Ambiente (MMA) e da Educação (MEC), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e agências estaduais.

Pesquisas sobre o cerrado

No âmbito do Cerrado, uma das redes de pesquisa do programa revela a extraordinária biodiversidade química das plantas e fungos do bioma, sob a coordenação da Professora Vanderlan Bolzani, da UNESP, intitulada "Prospecção de moléculas bioativas e estudo de variabilidade infra-específica em plantas e microorganismos endófitos do Cerrado e Caatinga. Contribuição para o conhecimento e uso sustentável da biodiversidade brasileira".

Nessa rede de pesquisa, que conta também com o apoio da Fapesp, houve o estabelecimento de bases de dados de produtos naturais, estudos sobre acervos bibliográficos e botânicos de naturalistas, como o francês Auguste de Saint-Hilaire e os ingleses G. Gardner, A. Burchel e J. Miers. Depósitos de patentes, um deles relacionado ao estudo com frutos do embu, com possibilidades de futuras parcerias para o desenvolvimento de bioproduto fitoterápico ou cosmético.

A prospecção química e biológica de plantas pertencentes ao Cerrado também foi o alvo das investigações da rede de pesquisa sob a coordenação do Professor Paulo Cezar Vieira, da UFSCar e que contou também com o apoio da Fapesp, intitulada "Estudo de Produtos Naturais Oriundos de plantas do Cerrado e Mata Atlântica: conhecimento químico-biológico aliado à preservação".

Foram investigados compostos com atividade biológica, estabelecida uma estratégia consistente e integrada para a documentação de acessos a espécies vegetais da flora brasileira, abrangendo a avaliação de atividades biológicas, isolamento e caracterização de metabólitos secundários, com a descoberta de novos compostos biologicamente ativos a partir de plantas nativas.

O projeto contribuiu, ainda, para a catalogação taxonômica e reconhecimento de plantas do Cerrado e Mata Atlântica, especialmente aquelas com potencial medicinal, e para a construção de um banco de extratos de plantas do Cerrado e Mata Atlântica e avaliação do potencial biológico das mesmas, contribuindo, ainda, para o fortalecimento da capacidade regional de pesquisa.

Também a rede de pesquisa "Diversidade biológica do Cerrado: estrutura e padrões", sob a coordenação da Professora Mercedes Bustamante (UnB), abrangeu a elaboração de protocolos padronizados de inventário e monitoramento da biodiversidade para ambientes terrestres e aquáticos do Cerrado, bem como a avaliação de diversidade funcional nas áreas inventariadas e a criação de um observatório microbiológico da microbiota de solos de Cerrado com potencial para futuro uso biotecnológico.

Com a participação da Rede ComCerrado, houve a montagem de grades permanentes de monitoramento da biodiversidade em Unidades de Conservação em quatro estados e no Distrito Federal, com o aprimoramento das metodologias de inventário e monitoramento, a ampliação do conhecimento da diversidade de espécies e funcional do Cerrado, incluindo a descrição de novas espécies e novas áreas de ocorrência, como por exemplo, de pequenos mamíferos e invertebrados aquáticos,  a formação de recursos humanos, com perspectivas de que a coleta de dados de realizada de forma padronizada nas unidades de conservação poderá subsidiar ações monitoramento da biodiversidade em áreas protegidas.

Outra pesquisa no Cerrado é a realizada pela Rede de Pesquisa Biota do Cerrado (RPBCerrado), sob a coordenação do Professor Guarino Colli (UnB), que conta com o apoio também da FAPDF e inclui interação entre os Programas SISBIOTA e PPBIO, abrangendo estudos de história natural, ecologia, sistemática, biogeografia e conservação da biodiversidade do Cerrado.

A rede tem por objetivo compreender como a biodiversidade se distribui no espaço e no tempo, as suas origens e interações, incluindo a elaboração de listas de espécies ameaçadas e a priorização de áreas para a realização de inventários da biodiversidade.

As pesquisas contribuíram, por exemplo, para a avaliação nacional do risco de extinção da fauna brasileira, que culminou com a publicação da Portarias Nº 443, 444 e 445, de 17 de dezembro de 2014, que tratam das listas nacionais das espécies da fauna e flora ameaçadas de extinção, ressaltando a importância de áreas protegidas e unidades de conservação para a conservação da biodiversidade do bioma.

Destacam-se, ainda, a consolidação de bancos de dados sobre a distribuição da biota, que poderão subsidiar novas pesquisas e aplicações e a realização de análises sobre o impacto de mudanças climáticas e diferentes formas de uso da terra (agricultura, florestas plantadas, queimadas) sobre a biodiversidade do Cerrado, que podem contribuir na formulação de processos e políticas públicas voltados para a conservação do bioma.

Coordenação de Comunicação Social do CNPq