Notícia

Página Rural

DF: instituições do Mercosul discutem parcerias em agroenergia

Publicado em 13 novembro 2012

Aproveitamento de resíduos, produção de biogás e de biocombustível de aviação foram os temas de energias renováveis mais enfatizados durante a visita que representantes dos países do Mercosul fizeram à Embrapa Agroenergia (Brasília/DF) em 5 de novembro.

O tema agroenergia foi tratado na reunião do Mercosul do Grupo Ad hoc sobre Biocombustível - GAHB - no início deste mês, em Brasília. A visita fez parte da agenda da IX reunião do grupo, que aconteceu em Brasília, coordenada pela Casa Civil da Presidência da República. “Uma das atividades do grupo é aproximar instituições de pesquisa similares dos países membros do Mercosul para futuras parcerias”, disse Rodrigo Rodrigues, representante da Casa Civil e Coordenador Nacional do Gahb .

O Chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroenergia, Guy de Capdeville começou sua apresentação falando do Plano Nacional de Agroenergia e da criação da Unidade. “Trabalhamos em consonância com a visão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento”. Na Unidade são desenvolvidas ações com melhoramento genético clássico e utilizando biotecnologias das culturas de interesse energético, com sistemas de produção adaptados para diferentes regiões, com o desenvolvimento de processos para aproveitamento dessas culturas, além da gestão sustentável de resíduos agroindustriais, urbanos e do aproveitamento de coprodutos.

Capdeville enfatizou que em relação aos resíduos urbanos, uma demanda da comitiva, que nossa estratégia é de produzirmos, por exemplo, bio-óleo a partir dos resíduos dos lixões, biogas a partir de resíduos orgânicos, briquetes de resíduos de jardinagem e biodiesel de óleo de frítura e entre outros produtos. “Para desenvolver essas ações, contamos com a estrutura de quatro laboratórios e uma planta piloto, além da parceria com outras unidades da Embrapa e instituições externas tanto nacionais quanto internacionais”.

Em relação aos biocombustíveis de aviação, a Unidade está participando de uma série de workshops organizados pela Boeing, Embraer e Fapesp, com participação da Embrapa, que discute desde as biomassas e processos industriais para produção de bioquerosene até a sua comercialização. Além disso, a Embrapa Agroenergia está realizando estudos de caracterização do potencial de biomassas para produção de biocombustível de aviação, com palmáceas e pinhão-manso entre outras culturas.

Os estudos tem sido focados, principalmente, no potencial de resíduos agroindustriais, agrícolas e urbanos para a produção de bioquerosene. Outra frente de pesquisa para a qual a Unidade está se estruturando, diz respeito à produção de biocombustíveis a partir de microalgas. “Também estamos interagindo com o setor privado para desenvolvimento ou adaptação de processos industriais para uso das biomassas disponíveis no Brasil”, salientou Capdeville.

Na Argentina, destacou Miguel Almada, representante do Ministério de Agricultura, Ganadería Y Pesca daquele país, “temos dois focos fundamentais: biogás e biocombustível de aviação”. Em relação ao biogás, o País tem um programa para geração elétrica, principalmente, para atender às agroindústrias. “O que a Embrapa está pretendendo com biocombustíveis de aviação nos interessa fortemente”, enfatizou Almada. “Achei interessante o trabalho com resíduos sólidos urbanos. Temos todo o interesse em colaborar nesse assunto”, adiantou.

Na Argentina, a mistura de biodiesel ao diesel é de 7%. “Em pouco tempo, queremos chegar a 10%”, informou Almada. “Cerca de 85% da matéria-prima é oriunda da soja, da canola, do girassol, do sebo bovino e mais recentemente com óleo de fritura que vem de Santa Fé, Córdoba e Buenos Aires”, concluiu.

A representante do Ministério de Indústria, Energia e Minério do Uruguai, Olga Otegui, salientou que eles também tem interesse em utilizar e valorizar os resíduos, especialmente de plantações florestais, e das agroindústrias. “Temos ações para utilização de resíduos das indústrias de leite e da lã”. Nessa linha de energias renováveis, o ministério do Uruguai, está com linha de financiamento para o setor acadêmico e para o Instituto Nacional de Investigación Agrícola (Inia), ressaltou.

Olga Otegui destacou a parceria que o Governo Uruguaio está organizando com instituições brasileiras. “A parceria com Itaipu e a Eletrobrás para desenvolver ações com o biogás é muito importante”. O trabalho é feito em um Condomínio de Agroenergia para a Agricultura Familiar com demonstração de geração de energia elétrica a partir do biogás. Guy de Capdeville enfatizou que a iniciativa tem parceria com a Embrapa Suínos e Aves (Concórdia/SC).

“Nós acreditamos nessa forma de trabalhar em rede. Assim conseguimos otimizar os resultados e atingimos todos os setores”, salientou Capdeville. “Recentemente, trabalhamos em rede com os INIAs com o Projeto Babethanol, entre países da América Latina e da Europa, que caracterizou o bagaço de cana-de-açúcar” continuou. Nos países da América, as culturas em pauta são a cana-de-açúcar, oliveira, macieira, cereais, madeira e uva. No Brasil, a cana-de-açúcar foi a cultura selecionada para esse estudo.

Os laboratórios

Após as discussões, a comitiva do Mercosul conheceu os laboratórios de Genética e Biotecnologia, de Processamento de Biomassa, de Coprodutos e Resíduos e de Qualidade de Biocombustíveis e Análises Instrumentais da Embrapa Agroenergia que foram inaugurados em maio deste ano. “ Dispomos de equipamentos de última geração que são fundamentais para viabilizar as pesquisas”, disse o chefe de pesquisa e desenvolvimento da Unidade.

Capdeville salientou que a Unidade tem interesse em articular outras parcerias com os países da América do Sul. “Nós, da América do Sul temos condições de produzir biocombustíveis para exportação e também de negociar com outros blocos, como a União Européia no mesmo patamar, pois temos tecnologia e produção para isso”, concluiu.

Fonte: Embrapa Agroenergia