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Desvendamos o Diabetes

Publicado em 01 janeiro 2010

De acordo com a mestre em endocrinologia e médica do Centro de Diabetes da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Mariana Porciúncula, além da hereditariedade, o sedentarismo e a obesidade são responsáveis pelo aumento dos casos de diabetes. Por isso, se você se enquadra em algum destes fatores, fique ligada. Primeiramente, procure um endocrinologista e faça um check-up, em seguida, leve uma vida saudável em todos os sentidos e tente manter seu estresse sob controle. Se conseguir seguir essas dicas, viverá melhor.

Estudos sobre o assunto estão sendo realizados na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) para compreender as bases moleculares dessa enfermidade. "O objetivo é descobrir como e quando os genes funcionam. Ao saber como um gene atua em uma doença, podemos desenvolver drogas específicas para atenuar o seu avanço e até mesmo estimular a expressão de outros genes na tentativa de controlar a enfermidade", explica o professor e coordenador do projeto Geraldo Passos. Enquanto isso, faça sua parte. Fique por dentro dos mitos e das verdades que envolvem a doença e cuide-se!

Estresse pode provocar diabetes.

EM PARTE. O estresse está relacionado aos altos níveis do cortisol, GH (hormônio do crescimento) e adrenalina, hormônios que aumentam a glicemia (taxa de glicose no sangue), ou seja, causam oscilação de açúcar no corpo. "No entanto, não podemos afirmar que seja um fator desencadeante isolado. É preciso haver predisposição também", explica Renato Zilli.

O consumo excessivo de doces desenvolve a doença.

MITO, "O açúcar e a gordura presentes nos doces levam à obesidade, e esse sim é um dos fatores que desencadeiam o diabetes", afirma o presidente do departamento de diabetes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Saulo C. da Silva.

Excesso de peso e diabetes não devem andar juntos.

VERDADE. A obesidade, segundo Mariana, da Unifesp, contribui para o aumento da resistência à insulina, um hormônio que facilita a entrada da glicose nas células atuando no equilíbrio dos níveis de glicose no sangue. "Por este motivo, o excesso de peso atrapalha o controle da insulina e é um dos fatores desencadeantes", conclui.

A hipoglicemia, muito comum em diabéticos, pode levar à perda de memória.

VERDADE. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Edimburgo, na Escócia, revelou que os episódios graves de hipoglicemia (queda dos níveis de açúcar no sangue) podem provocar perda de memória, lógica e concentração. O endocrinologista e metabologista do Hospital Israelita Albert Einstein (SP), João Roberto de Sá, explica que isso acontece porque a hipoglicemia é potencialmente lesiva aos neurônios, células do cérebro que necessitam de glicose para seu funcionamento. "Portanto, episódios graves e repetidos podem trazer danos", alerta.

Essa enfermidade aumenta o risco de doenças cardíacas.

VERDADE. O aumento da glicose no sangue (hiperglicemia) cronicamente causa inflamação e lesão nos vasos sanguíneos, acelerando o processo de aterosclerose (placas de gordura que se formam nas paredes das artérias, obstruindo a passagem do sangue) que leva às doenças cardíacas.

A atividade física é grande aliada.

VERDADE. O exercício estimula a produção de insulina, faz com que os músculos consigam captar melhor a glicose e, segundo Mariana, há uma melhora importante nos níveis glicêmicos. "Além disso, ajuda a manter o peso, essencial para o controle e prevenção do diabetes", diz. Entretanto, é essencial ter o acompanhamento de um profissional que conheça a sua história para evitar a hipoglicemia.

O açúcar mascavo é melhor que o refinado para o diabético.

MITO. Ele não apresenta nenhuma vantagem para o diabético. "Pois também é de rápida absorção e isso provoca picos de glicose no sangue", esclarece Silva. Quem tem diabetes deve consumir adoçantes, com moderação. "Qualquer um deles não há contraindicação", ressalta o médico.

Diabéticos podem comer produtos diet à vontade.

MITO. "Isso só pode acontecer se o alimento for 100% diet (ou zero açúcar). Esse dado precisa estar na embalagem, pois há produtos que apenas tiram essa substância parcialmente", alerta o médico da SBEM.

Diabetes tem cura.

MITO. Até hoje não. Mas, com o tratamento correto, dá para viver bem. "Isso envolve uma alimentação saudável, atividade física e monitorização da glicemia para evitar os picos", diz Mariana, que completa: "No tipo 1, a insulina é sempre necessária. No tipo 2, prescrevemos medicamentos orais e, quando necessário, ela é introduzida". Renato Zilli explica que a insulina pode ser ministrada através de injeção ou bomba (um cateter é implantado na barriga e trocado a cada três dias). "E imprescindível fazer exames periódicos para checar a retina, os rins, os pés e o coração, que sofrem impactos com a doença", ressalta Sá.

A alimentação deve ser restrita.

MITO. "Como regra geral é preciso fazer cinco refeições ao dia, ingerir muita frutas e verduras, reduzir as gorduras (saturadas principalmente) e evitar açúcar", explica o endocrinologista do Hospital Israelita Albert Einstein. A dieta deve conter cerca de 50% do total de calorias de hidratos de carbono (pães, arroz, macarrão na versão integral). "As fibras também são essenciais porque retardam a absorção de açúcar e gordura", fala Zilli.