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Bynss (China)

Destruição de detritos da Mata Atlântica aumenta a temperatura local

Publicado em 01 março 2020

Um estudo realizado no Brasil por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Campinas (UNICAMP) mostrou que se 25% de cerca de 1 hectare de detritos da floresta atlântica forem reduzidos, as temperaturas locais subirão 1 ° C. Um corte nítido de todo o chip pode aumentar a temperatura local em até 4 ° C. Os resultados foram publicados na revista PLOS ONE.

Humberto Ribeiro da Rocha, o principal investigador do estudo, disse: "Podemos detectar o impacto do aquecimento devido ao desmatamento de detritos da Mata Atlântica, enquanto Os detritos da floresta tropical são numerosos. "Rocha é professor da Escola de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG-USP) da Universidade de São Paulo.

A pesquisa foi realizada sob os auspícios de dois projetos apoiados pela Fundação de Pesquisa de São Paulo (FAPESP), um relacionado ao Programa Global de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas (RPGCC) e outro relacionado à caracterização, conservação e restauração da biodiversidade. Programa de Pesquisa em Uso Sustentável (BIOTA-FAPESP).

Segundo Rocha, já existem evidências científicas de que a destruição de florestas tropicais causou aquecimento do ar em escala local, mas as evidências são baseadas em medições feitas em larga escala, principalmente através de estudos na Amazônia.

"Ninguém forneceu informações detalhadas sobre a destruição de pequenos fragmentos ou estudos que levaram em conta diferentes níveis de atividade humana. [Transformação do ambiente por atividade humana]", disse Rocha, membro do comitê diretor do RPGCC.

Para preencher essa lacuna, os pesquisadores analisaram a relação entre o desmatamento de resíduos da Mata Atlântica na cordilheira do Therado, localizada no litoral norte do estado de São Paulo, e o aumento da temperatura local.

A temperatura da superfície terrestre (LST) é estimada usando dados de fluxo de calor global continuamente registrados, usando sensores ópticos infravermelhos, como os do satélite de observação Landsat Earth da NASA.

Com base nesses dados, os pesquisadores calcularam a média anual de LST de milhares de amostras da Mata Atlântica, cada uma medindo cerca de 1 hectare. A cobertura florestal nessas áreas varia de toda a área coberta até a área sem cobertura florestal (desmatamento). Essas áreas também mostram diferentes graus de humanização, com um gradiente de 1%.

Os cálculos foram feitos durante o doutorado. Pesquisa de Rocha sobre Raianny Leite do Nascimento Wanderley. Eles mostram temperaturas mais altas em áreas com menos floresta. Para cada aumento de 25% na destruição da vegetação nativa, o LST aumenta em 1 ° C; portanto, o desmatamento total está associado a um aquecimento de 4 ° C.

"Esse padrão de resultados é interpretado para caracterizar o impacto da perda de cobertura florestal no microclima", afirmou Rocha.

Impacto na floresta

Segundo os pesquisadores, os detritos da Mata Atlântica estudados estão localizados a uma altitude relativamente alta e o carbono armazenado no subsolo é proporcionalmente aumentado em comparação com a área da floresta amazônica. Como resultado, o desmatamento na área da Mata Atlântica pode colocar em risco o balanço de carbono dos biomas.

Carlos Joly disse: "A Mata Atlântica está atualmente em equilíbrio e pode até absorver uma pequena quantidade de carbono da atmosfera, mas pode se tornar uma fonte de emissões de carbono". Bv.fapesp.br/en/pesquisador/28… carlos-alfredo-joly / ), professor da UNICAMP e um dos autores do estudo. Joly é membro do Comitê Diretor da BIOTA-FAPESP.

Temperaturas elevadas nesses detritos da floresta têm um efeito maior na respiração das plantas do que na fotossíntese. Jolly explicou que isso também ajuda a liberar mais carbono da floresta na atmosfera.

"Esses dois processos juntos criam uma sinergia prejudicial, levando ao aumento das emissões de carbono da floresta para a atmosfera", disse ele.

Ele acrescentou que os efeitos do aquecimento causado pelo desmatamento nos detritos da floresta tropical do Atlântico podem variar de acordo com as espécies de árvores. As espécies pioneiras que vivem em condições adversas devido à alta fertilidade geralmente mostram maior adaptabilidade às mudanças de temperatura.

"Não temos dados suficientes para prever quanto tempo levará, mas, a longo prazo, o aumento da temperatura dos detritos da floresta atlântica causados ??pelo desmatamento pode afetar definitivamente a sobrevivência de espécies arbóreas na floresta, embora algumas sejam mais severas que outras. ... ", ele disse.

"A proporção de espécies típicas de árvores florestais maduras pode diminuir, enquanto a proporção de mais pioneiros plásticos ou espécies secundárias primárias pode aumentar".

Função prejudicada

A Mata Atlântica é considerada uma das florestas mais ricas e ameaçadas de extinção do mundo, representando 15% da área total do país em uma área que responde por 72% da população. De acordo com o monitoramento contínuo realizado pela organização não governamental Fundação SOS Mata Atlântica em colaboração com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), de acordo com os dados mais recentes do Atlas da Mata Atlântica, os biomas diminuíram 113 quilômetros quadrados entre 2017 e 2018.

Além dos impactos na biodiversidade, os pesquisadores enfatizam que mesmo o desmatamento em pequena escala pode danificar importantes serviços ecossistêmicos prestados pela Mata Atlântica, como a regulação térmica.

"As florestas são extremamente importantes para manter temperaturas mais amenas, local e regionalmente. Mudanças em sua função podem atrapalhar esse serviço ecossistêmico", afirmou Jolly.

O abastecimento de água também pode ser afetado. A Mata Atlântica abriga sete das nove maiores bacias hidrográficas do Brasil, onde os rios se originam de rios responsáveis ??por quase 60% da geração hidrelétrica do país e abastecem 130 milhões de pessoas.

"A floresta tropical do Atlântico não produz água, mas protege a água da nascente e permite que a água seja armazenada em reservatórios para consumo, geração de energia, irrigação agrícola e pesca e outras atividades", disse Jolley.

A Mata Atlântica está localizada no terreno extremamente irregular de Saki, ajudando a evitar deslizamentos de terra durante fortes chuvas. "Destruir ou alterar a função desses fragmentos florestais pode enfraquecer bastante essa proteção", afirmou Jolly.

Ele acrescentou que o desmatamento do bioma no Estado de São Paulo foi reduzido para 12,4% do seu tamanho original devido à construção de estradas, gasodutos e outras infra-estruturas, mais severa do que em outras áreas. A área também é afetada pela expansão urbana, incluindo a construção de favelas e comunidades fechadas de alta renda.

Como uma das comunidades biológicas mais ameaçadas da América do Sul, nos últimos anos, a Mata Atlântica tornou-se o foco de muitas pesquisas sobre restauração. Jolly disse que a maior parte da pesquisa foi realizada por pesquisadores da BIOTA-FAPESP.

A maior iniciativa para restaurar os biomas é regida pela Convenção de Restauração da Mata Atlântica, lançada em 2009 e é um movimento de várias partes interessadas que visa restaurar 15 milhões de hectares de terra até 2050.

"Muito conhecimento foi adquirido sobre a restauração da floresta atlântica. Obviamente, não poderemos substituir tudo o que perdemos, mas pelo menos alguns biomas podem ser restaurados para funcionar", disse Jolly.