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Metal Mecânica

Destino novo para as ligas

Publicado em 01 setembro 2007

O setor de soldagem está vivendo um período de plena prosperidade. Na carona do bom desempenho dos setores de máquinas, auto-motivo e sucro-alcooleiro, as empresas de soldagem comemoram lucros vistosos, apostam em inovações tecnológicas e ainda fazem pianos para ampliar suas estruturas.

Uma das companhias que está aproveitando a maré é a paulista Brastak, que atua no segmento de sol das especiais. 'Estamos vivendo um dos melhores anos de nossa história. Calculamos que devemos ter um crescimento de 15% superior ao do ano passado até o final de 2007', come mora, Anderson de Araújo Fernandes, supervisor de vendas da Brastak.

O crescimento da produção industrial, aliado ao bom momento do setor de bens de capital, está colaborando pan a escalada da Erastak. "Itens de linha branca, computadores, e os setores automotivo e agrícola estão puxando os nossos negócios", aponta Fernandes.

E para enfrentar a concorrência do mercado, a empresa direcionou suas forças para inovações tecnológicas próprias. A liga de cobre e fósforo, ou Foscoper, por exemplo, é um dos métodos de soldagem exclusivos da empresa e tem grande apelo ecológico. "No Brasil este tipo de solda somente é encantada no formato extrudado, processo em que envolve a pressão do material fundido, que passa por uma máquina extrusora e utiliza geralmente produtos químicos. Nós desenvolvemos a Foscoper do tipo trefliado, que dispensa a utilização de ácidos e cianetos para a aplicação dos banhos em peças", explica o supervisor de vendas da Brastak.

Segundo ele, a Foscoper é uma técnica em que se alcança custo ligeiramente mais baixo nas brasagens de cobre e suas ligas, e é utilizada em grande escala nas indústrias de refrigeração e ar-condicionado, devido à capacidade de suportar temperaturas de aproximadamente -50ºC e 200°C. Este tipo de solda é muito utilizado ainda nas indústrias elétricas e na união de tubos em instalações hidráulicas.

Quem também está celebrando os bons presságios é a Weld Inox. "Mês a mês o nosso faturamento vem aumentando em reação às vendas de consumíveis para indústrias de máquinas e do crescimento do setor de construção, de celulose e papel e também pela demanda das petrolíferas. Mas o setor que está contribuindo para uma verdadeira ebulição nos negócios é do etanol, que deve coatar com mais de 100 novas usinas no pais", revela Oswaldo Orfano Filho, supervisor de vendas.

De acordo com ele, a empresa deve atingir um crescimento de 20% este ano nos negócios, o melhor desempenho em 25 anos. Entre as tecnologias mais disseminadas no setor de metal mecânica no País, segundo ele, destaca-se a conhecida solda elétrica. Também chamada de eletrodo revestido, a solda elétrica tem, entre outras vantagens, a capacidade de depositar elementos da mesma liga do material que vai ser soldado. "Em suma, posso fazer a solda com o conjunto de elementos químicos que quiser por causa das facilidades que este processo permite. Basta apenas que haja flexibilidade no processo de fabricação", descreve Orfano. Segundo ele, embora o processo de solda elétrica tenha grande adesão, outras técnicas como a soldagem Mig/Mag e do tipo Tig também vêm conquistando espaços.

Mais utilizado na Europa Ocidental e Japão, o processo Mig/Mag vem se expandindo devido a sua elevada produtividade e facilidade de automação "E um sistema mais rápido e permite que os robôs façam a solda na linha de produção. Enquanto que o eletrodo revestido é mais manual e meticuloso" afirma o executivo.

A flexibilidade é a principal característica do processo Mig/Mag, pois permite soldar aços de baixa liga, aços inoxidáveis e alumínio, em espessuras a partir de 0,5 mm, em todas as posições de soldagem. Outra vantagem do Mig/Mag é sua capacidade de ser compatível com todos os requisitos de proteção ambiental.

Já o tipo Tig, cuja sigla corresponde às iniciais das palavras inglesas "Tüngsten Inert Gas", é uma soldagem com gás inerte e eletrodo de tungstênio. Pode ser utilizada em uniões que requerem peças soldadas de alta qualidade e na soldagem de metais muito sensíveis à oxidação, como o titânio e o alumínio. Seu uso mais freqüente é em aços resistentes ao calor, aços inoxidáveis e alumínio.

As maiores vantagens do processo Tig são estabilidade e concentração do arco elétrico, o que significa poder utilizá-lo em todas as posições de soldagem e tipos de junta, e se obter um bom aspecto do cordão de solda (acabamento suave e liso). Além disso, este método de soldagem se caracteriza também pela ausência de respingos e escórias (o que evita trabalhos posteriores de limpeza) e por sua capacidade de aplicação em espessuras mais finas (a partir de 0,3 mm)

O próximo passo da Weld-Inox será a ampliação de sua estrutura para abrigar novos projetos. "Estamos planejando lançar um novo produto, mas precisamos ainda de um know-how diferente. Para isto, vamos construir um galpão novo e adquirir mais maquinário, além de urna nova equipe", revela Orfano, que pretende dar inícios ao projeto no ano que vem.

O mercado aquecido incentiva o surgimento de novidades tecnologias inusitadas como um equipamento de múltiplas funções, a fresadora Discovery 1250 com quatro eixos, capacitada a desenvolver funções co mo furação, corte e solda a laser que foi lançada recentemente pela Laser TooIs. "A Maquina permite soldar e furar peças micro e macro. Está capacitada a fazer desde um furo em um molde de 100 microns a até um furo em um molde de uma tonelada. Desenhamos a maquina junto com a indústria Romi e ainda contamos com apoio da Fapesp", explica o diretor Spero Morato.

Uma das evoluções desse sistema está na tecnologia de laser que possibilitará a realização de trabalhos em materiais extremamente difíceis. "Uni exemplo é o titânio. F solda em titânio é muito complicado por que requer 100% de limpeza e o uso de proteção de gás inerte auxiliar na zona de resfriamento da solda a altas temperaturas. O laser dispensa isso", aponta Morato.

Conhecida pela sua expertise em laser, a Laser Tools está capacitada a trabalhar com vários tipos de peças, desde dispositivos eletrônicos delicados, instrumentos cirúrgicos e brocas odontológicas, até outras de porte maior.

A solda a laser é uma das grandes novidades que vem revolucionando o setor metal mecânico, principalmente o automotivo. "Nesta indústria, a solda a laser está na mão do robô. A grande vantagem, além da maior precisão, e não haver chama", explica Morato.

As montadoras utilizam a tecnologia a laser para soldar carrocerias que são unidas por meio de costuras estreitas e posicionadas com exatidão, possibilitando a redução de peso na carroceria e uma estabilidade dimensional superior, elevando a rigidez da estrutura final.

"Atualmente, o uso do laser com o Mig está bastante disseminado, unindo as vantagens dos dois processos", afirma Sérgio Brandi, professor do departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

Uma das empresas automotivas que acompanha a evolução tecnológica é a Volkswagen. O novo Golf, por exemplo, já foi concebido dentro dos padrões mundiais da mais sofisticada tecnologia. A carroceria do carro é feita com aço de espessura variável (tailored blank) e solda a laser. Essas condições a tomam perfeita, estável e segura, com boa rigidez torcional.

Outra empresa que também desenvolveu novas tecnologias para o setor foi a White Martins. Este ano, a companhia apresentou ao mercado as soluções inovadoras para soldagem MAG — FastMig e FastRoot que promovem alta produtividade desde o passe de raiz até o fechamento total da junta soldada, pois realiza todo es te trabalho com um único conjunto.

"O bom momento da economia brasileira aquece o mercado com muitas obras de infra-estrutura e estas precisam da soldagem para desenvolver seus projetos. O plano de crescimento do governo traz muitos benefícios para o mercado industrial e também para a soldagem", observa William Macedo, gerente de Tecnologia e Aplicações de Soldagem de Corte Térmico da White Martins. Segundo ele, além de aumentar a produtividade, essas soluções também reduzem o custo final do processo em relação aos sistemas convencionais.

Também está saindo na frente a Rio Negro, empresa da área de ser viços e distribuição de aço do grupo Usiminas, que inaugurou em julho deste ano novas instalações em Tatuaaté (SP) para atender à indústria automobilística. Com investimento de R$ 40 milhões, a Rio Negro adquiriu uma prensa para corte de blanks ir regulares (silhuetas) e unia máquina de solda a laser. Segundo o presidente da Usiminas, Rinaldo Soares, os investimentos visam melhorar o atendimento aos clientes. "Não pode mos pensar somente na expansão da capacidade", comentou.

De acordo com o presidente da  Rio Negro, Carlos José Loureiro, a capacidade de blanks estampados foi dobrada e a de soldados, ampliada em 50%. "A indústria automobilística está terceirizando o acabamento do aço afirma o executivo. Como exemplos, Loureiro cita os casos da Honda e Toyota, que realizam 100% do corte do aço através da Rio Negro. Volks, Fiat e OM também utilizam os serviços da subsidiária da Usiminas.

A capacidade de produção de blanks soldados da empresa passará de 2 mil para 3 mil toneladas. H muito tempo que as grandes siderúrgicas descobriram as benesses da soldagem a laser. A CSN, por exemplo, oferece os blanks soldados sob medi da e montados a partir de soldagem a laser, permitindo a combinação de chapas idênticas ou com espessuras, propriedades mecânicas e acabamentos diferentes. Esta técnica otimiza a produção de componentes para a indústria automotiva, reduzindo custo, peso e aumentando a segurança dos veículos. Somente a produção de seu centro de solda a laser na unidade de Galvasud, em Porto Real (RJ), tem capacidade de produção de 8 mil toneladas/ano.