Notícia

Hoje em Dia

Desigualdade cientifica

Publicado em 29 agosto 2011

O Estado de São Paulo é responsável por mais da metade da ciência nacional, eis que a produção científica paulista alcançou 51% da nacional. Esta é uma novidade apenas quanto ao grau, já que a predominância científica daquela entidade federativa é histórica. Basta confirmar que apenas a Universidade de São Paulo (USP) alberga 35% de toda a produção de conhecimento pátrio, concentração inexistente em outro país desenvolvido, seja os EUA ou países europeus.

O fato inovador é que, além de liderar a produção científica acadêmica nacional, agora o Estado de São Paulo vem se destacar por ter sua ciência predominantemente financiada (63%) por investimentos privados, dinheiro injetado pelas empresas paulistas.

No ano fiscal de 2008, as empresas paulistas somaram R$ 9,5 bilhões em investimentos para pesquisa científica, enquanto os investimentos federal e estadual juntos somaram R$ 2,6 bilhões.

Estes números estão na recente publicação "Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação em São Paulo 2010", da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) que, dividida em dois volumes e 12 capítulos, é um retrato amplo do ensino, da pesquisa, da produção científica e da inovação tecnológica paulista, comparado com indicadores semelhantes do Brasil e de outros países.

Quanto ao perfil de seus estudantes, São Paulo tem 16,4% dos jovens com idade de 18 a 24 anos matriculados no ensino superior, inclusive na pós-graduação, enquanto a média nacional é de 12,7%. Mas, estes indicadores ainda são por demais medíocres quando comparados a países como os Estados Unidos da América, cuja taxa de matrícula de jovens em idade universitária no ensino superior está em torno de 81%.

Uma constatação deveras importante: do montante investido em pesquisa científica no Estado de São Paulo, 13% vem do Governo federal, 24% do Governo estadual (dos quais, 1% do PIB é destinado à Fapesp) e 63% do setor privado.

Estes fatos indicam o amadurecimento do sistema de ciência e tecnologia de São Paulo, que chegou ao seu cume devido aos investimentos continuados do governo paulista, há quase meio século, a partir da criação da Fapesp que, ao longo de sua história, integrou pesquisa científica com desenvolvimento industrial.

O exemplo paulista, considerado modelar por outros países, deveria ser seguido por outros estados federativos, a fim de se alavancar o progresso econômico pelo desenvolvimento científico-tecnológico, de modo a contribuir para diminuir a gritante desigualdade social que ainda impera no país.

Membro do Conselho Assessor da revista Acta Bioethica, CIEB/Universidade do Chile e Membro da Academia Mineira de Medicina