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Design: Fornecedores ficam mais competitivos

Publicado em 29 agosto 2014

Por Martha Funke

O setor de máquinas e equipamentos é um dos que estão ganhando diferenciação, capacidade de inovação e maior competitividade graças a investimentos em design. A produtora de equipamentos para sorvetes e chocolates Finamac criou um novo equipamento para a produção de picolés destinado ao mercado americano, esteticamente enriquecido para ficar exposto nas lojas. A Fresnomaq, responsável pela marca Wap, contou com ajuda do Design Export para reduzir custos com treinamento e serviços de manutenção no mercado externo. A Perenne, empresa de engenharia e fabricante de máquinas, equipamentos e prestação de serviços de tratamento de água e de efluentes para sistemas industriais e de abastecimento público, desenvolveu uma nova estação compacta, que pode reduzir a conta de água de empreendimentos como shopping centers e indústrias.

O potencial do setor levou a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) a adotar o tema O design como diferencial competitivo na edição 2013 do Inova. O evento é composto por rodadas de palestras com foco em inovação e apresentou cases de sucesso para ressaltar a importância do olhar criativo do design na competitividade da indústria de bens de capital.

A Finamac foi por esse caminho e aposta no design para distanciar os equipamentos do conceito de máquina, puramente mecânica e até um pouco suja, como descreve o empresário Marino Arpino. Ele gosta de ver o que fabrica como equipamento gerador de coisas gostosas.

A tendências das gelaterias italianas, que valoriza a exposição do produto final, antes fechado em freezers, inspirou o projeto.

O novo equipamento deve atender os requisitos técnicos e sanitários americanos para certificação e aprovação pelas autoridades técnicas e sanitárias, mas deve carregar também charme suficiente para atrair o consumidor final atrás da vitrine, já que a sorveteria deixa de ser um lugar para vender o sorvete e passa a ter a própria produção como atrativo.

Para chegar mais atraente aos EUA, a máquina ganhou nova mistura de materiais e formato mais arredondado. Já notamos que o visual melhor é fator decisório na compra, diz Arpino, que começou a exportar há 15 anos e hoje destina metade das vendas externas para os EUA. As exportações representam metade do faturamento de R$ 10 milhões em 2014 e em outubro a Finamac inaugura show room em Fort Lauderdale, Miami.

Até recentemente, a empresa, detentora de mais de 40 patentes, investia só em design interno. A maestria no uso de softwares especializados chegou a tal ponto que deu origem à escola Alpha Channel, especializada em computação gráfica. O apoio da Apex-Brasil estimulou a contratação do escritório Domus Design para o projeto da picoleteira. Outro projeto em gestação tem subsidio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para o desenvolvimento de um equipamento com funcionalidade inédita: decoração automatizada do produto disposto nas vitrines.

A Fresnomaq, por sua vez, recorreu ao Design Export para financiar um conjunto de aplicações destinadas a treinamento e serviços de pós-venda para sua rede de distribuição no exterior. Para a diretora comercial Édla Pavan, o design, com serviços internos e externos, já é visto na empresa como um conjunto de melhorias contínuas e atributos de marca para produtos e serviços. Agora, vai ajudar a resolver o desafio de alinhar distribuidores e clientes nos países da América do Sul onde a Fresnomaq tem a representação da marca Wap.

A questão é que o desenvolvimento de um processo de exportação carrega um conjunto de serviços a ser prestado ao distribuidor, como treinamento e suporte técnico, que exige custoso deslocamento de profissionais e estava inviabilizando o crescimento das exportações. O Design Export caiu como uma luva para desenvolvermos uma ferramenta on-line prática e amigável, diz Édla.

Além de informações e perguntas frequentes, o aplicativo que vai ao ar em outubro oferece contato com o suporte via site, e-mail e Skype. O custo somou R$ 32 mil, sendo R$ 18 mil da Apex-Brasil, e a perspectiva é que até 2016 a participação das exportações chegue até a 10% do total das vendas hoje fica em torno de 3%.

Já a Perenne buscou o design para encontrar abordagem mais simpática para estações de tratamento de esgoto, que tradicionalmente exigem obras civis.

Com recursos do Finep, desenvolveu um protótipo que está instalado no Senai de São Bernardo do Campo (SP), um módulo com capacidade de tratar o esgoto e recuperar a qualidade de água que ocupa espaço equivalente a duas vagas de estacionamento, não emite odor e não precisa ficar escondido nos fundos de empreendimentos. O projeto da Questto Nó ganhou prêmios internacionais e deve atender a tendência de reúso da água para gerar energia e refrigeração.

Valor, São Paulo, 29/8/2014