Notícia

Folha da Região (Araçatuba, SP)

Desenvolvimento

Publicado em 04 setembro 2007

Por Luís Nassif

A internet e o trabalho em rede já se tornaram ferramentas relevantes nos trabalhos de pesquisa e inovação das grandes companhias. O modelo adotado por muitas companhias é o de plataforma de conhecimento. Primeiro, a companhia mapeia especialistas na Universidade, para o projeto que pretende tocar. Depois, coloca-os em uma rede tipo Orkut, com o intuito de discutir determinados temas. Toda evolução da discussão se dá através de um software de uso controlado.

A lógica básica consiste em reunir conhecimento existente para um certo desenvolvimento tecnológico, montando um grupo de tecnologia. Com isso se consegue agilidade muito maior. Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) está muito mais relacionado com a troca de conhecimento do que com disponibilidade de informação . É o que fez a Braskem, conforme informa seu diretor de Tecnologia e Inovação Luiz Fernando Cassinelli.

O sistema permite, inclusive, interagir com o Sistema Lattes — uma base de dados de 500 mil nomes entre doutores, mestres e especialistas do meio acadêmico, um banco de dados único no mundo. Através do Currículo Lattes, a Braskem consegue mapear linhas de pesquisa nas universidades assim como pesquisadores mais adequados.

As informações foram levantadas em um dos workshops do Projeto Brasil, colocando frente a frente um representante das empresas e um da pesquisa acadêmica — Britto Cruz, ex-reitor da Unicamp e diretor científico da Fapesp.

A maior parte das 159 patentes que a Braskem conseguiu foi nos últimos cinco anos, quando começou a investir internamente em inovação e tecnologia, através desse modelo de plataformas de desenvolvimento. Muitos outros setores já recorrem a esse modelo, como a própria indústria aeronáutica.

O próprio MIT tem uma unidade de contratação de serviços, à qual estão filiadas algumas empresas brasileiras. Elas pagam uma quantia por ano pela possibilidade de discutir determinados assuntos em uma dessas plataformas de desenvolvimento. Esse mesmo modelo é aplicado pela Universidade de Waterloo, no Canadá, e pelo Instituto Holandês de Tecnologia.