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Desenvolvimento pode conviver com preservação, afirmam especialistas

Publicado em 18 novembro 2011

Por André Luiz Azevedo - Globo Repórter

No alto de uma torre, uma central de monitoramento espia a floresta noite e dia. "É uma estação meteorológica. Mede precipitação, radiação solar, temperatura e umidade, direção e velocidade do vento".

O técnico colhe os dados todo mês. "Quantidade de CO2 e de vapor de água, medidas a cada um minuto e armazenadas em uma média de 10 minutos. A neblina está bem densa, está piorando, mas ainda dá para trabalhar. Eu meço dentro da mata, fora da mata e acima da mata, para observar o comportamento do ar".

"Essa floresta está retirando da atmosfera mais carbono do que ela está liberando", diz o biólogo Carlos Joly, coordenador do BIOTA - FAPESP.

"Quando se fala em retenção de carbono, está se falando em purificação do ar, porque chegamos a um nível muito elevado de poluição. Devido ao desmatamento, muito carbono foi emitido para a atmosfera", acrescenta o engenheiro florestal Christopher Blum, da UFPR.

As pessoas precisam morar em cidades, as cidades precisam crescer, a agricultura precisa existir. Como coexistir a necessidade de gerar empregos e alimentos com a preservação da floresta? É possível?

"Acho que é perfeitamente possível. O tipo de trabalho que a gente vem desenvolvendo dentro das pesquisas de norte a sul no país foca muito nessa necessidade de como vamos acertar essa convivência".

"Existe o desafio de compatibilizar o desenvolvimento, mas também existe um potencial de usar essas áreas que estão preservadas para o desenvolvimento do país. O principal desafio para quem protege a Mata Atlântica é esse: fazer com que a floresta preservada seja também um negócio", diz Márcia Hirota, do SOS Mata Atlântica. "A geração se renda tendo base a exploração turística, os serviços aliados à conservação."

É o Globo Repórter nos céus do Brasil.