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A Crítica (AM)

Desenvolvimento exige concentração de esforços

Publicado em 15 agosto 2018

Qual o papel do setor empresarial e da inovação e novas tecnologias no desenvolvimento sustentável na Amazônia? As respostas para esta e outras perguntas, que envolvem o progresso da região, a conservação da floresta e da biodiversidade, devem ser apresentadas amanhã durante o workshop “Dimensões Científicas, Sociais e Econômicas do Desenvolvimento da Amazônia”.

O evento será realizado entre 8h30 e 17h, no auditório do Bosque da Ciência, bairro Petrópolis, na Zona Sul. Em entrevista ao A CRÍTICA, o gerente regional de sustentabilidade da Alcoa, Fábio Abdala, um dos palestrantes do workshop, disse que o desenvolvimento sustentável na Amazônia exige união de esforços entre a iniciativa privada, o setor público e a sociedade civil. Sem uma convergência entre essas partes, para ele, as práticas sustentáveis na maior floresta tropical do planeta não acontecem. “É preciso trabalhar uma agenda comum. A sustentabilidade passa pelo social, público e privado e não ocorre de um dia para o outro. Os passos são dados aos poucos. Mas é uma coisa possível de ser feita, basta haver uma atuação em conjunto”, afirmou. Abdala usou como exemplo a atuação da Alcoa em Juruti (PA), onde a empresa, líder mundial de produção e transformação de alumínio, tem uma mina de bauxita.

A exploração do minério, geralmente, traz impactos negativos significativos ao meio ambiente e as populações do entorno, mas, conforme ele, não foi o que se viu na região. Os resultados dos quase dez anos de operação têm sido positivos para toda a sociedade e demonstram que é possível conciliar a atividade mineral e o desenvolvimento das comunidades tradicionais na Amazônia de forma sustentável, considerando os fatores socioambientais e econômicos.

INVESTIMENTOS EM JURUTI

Entre as contribuições da Alcoa ao desenvolvimento de Juruti, o gerente regional de sustentabilidade da empresa apontou a geração de emprego e renda. Atualmente, são 1.792 funcionários diretos e indiretos, dos quais 85,27% são paraenses, sendo 47,38% jurutienses; a arrecadação de royalties por parte das comunidades locais no valor de R$ 50 milhões; a entrega de 50 das 54 obras da “Agenda Positiva”, nas áreas de saúde, educação, assistência social, cultura, segurança, justiça e infraestruturas rural e urbana do município, o investimento de R$ 9,5 milhões em 88 projetos comunitários, entre outros. Na questão do cuidado ambiental, Abdala destacou que empresa utiliza técnica inovadora na reabilitação das áreas mineradas: a nucleação. O método acelera o processo de formação natural do solo e deixa o ambiente mais próximo do original. Além disso, as comunidades jurutienses têm participação direta no processo, com cultivo, venda e plantio das mudas.

Clima, ecossistemas e biodiversidade

O workshop “Dimensões Científicas, Sociais e Econômicas do Desenvolvimento da Amazônia” será promovido pelo Brazil Institute do Wilson Center e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/ MCTIC).

O evento irá explorar aspectos do clima, funcionamento do ecossistema e biodiversidade, bem como questões socioeconômicas relacionadas ao atual projeto de desenvolvimento da Amazônia. Também será debatido iniciativas do setor privado e organizações não-governamentais, que desempenharam um papel importante na construção da compreensão dos processos que afetam o desenvolvimento da Amazônia. A participação é gratuita, mas os interessados devem se cadastrar antes no site: http://www.fapesp.br/eventos/ amazonia/inscricao.

Resultados serão apresentados

O diretor do Brazil Institute do Wilson Center, Paulo Sotero, enfatizou que o workshop “Dimensões Científicas, Sociais e Econômicas do Desenvolvimento da Amazônia” é uma oportunidade para divulgar a sociedade o resultado de importantes pesquisas sobre o bioma amazônico, que foram realizadas nos últimos anos.

É também, segundo ele, uma forma de mostrar a importância que a região tem não só para as populações que nela vivem, mas para o Brasil e o mundo global. Entre os estudos recentes que serão apresentados no evento estão aqueles que abordam o “balanço do carbono na floresta amazônica e as mudanças ambientais” e a “interações entre o funcionamento da floresta amazônica e o clima”. Em relação ao primeiro tema, o pesquisador Celso von Randow, do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), destacou que muitas perguntas ainda precisam de respostas, a única certeza é que devemos proteger não só o carbono, mas também a biodiversidade.

Ele revelou que uma pesquisa recente do Inpe apontou que as emissões de carbono por incêndios florestais, durante secas extremas, estão superando as emissões associadas ao processo de desmatamento na Amazônia, o que pode afetar o progresso relacionado à redução das emissões de carbono provenientes do desmatamento na região. Além disso, segundo Randow, mostra também a importância de controlar a ação humana em relação ao desmatamento ilegal e de entender que as mudanças climáticas podem impactar a floresta de maneira importante.