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Desenvolvido método mais barato de criação de lambari para isca viva

Publicado em 24 fevereiro 2021

Instituto de Pesca (IP-APTA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, contando com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), desenvolveu uma pesquisa utilizando materiais de baixo custo para construir tanques de recirculação para a criação de lambaris, mais especificamente lambaris da Mata Atlântica (Deuterodon iguape). Essa espécie costuma ser utilizada como isca viva na pesca esportiva, e o IP entende que essa possa ser uma alternativa aos camarões-brancos quando o assunto é a pescaria de robalos.

Segundo Marcelo Barbosa Henriques, pesquisador do IP, como o camarão vivo é muito utilizado como isca na captura de robalos, por conta do ciclo de vida dos crustáceos e da sobrepesca, retirá-los de seu habitat já é considerada atividade predatória. Assim, o pesquisador vem a algum tempo trabalhando para introduzir o lambari como isca-viva na pesca do robalo no litoral sul paulista, já que pode ser criado em cativeiro. Assim, foram feitos trabalhos de comparação de eficiência. “Nesse primeiro projeto, chegamos à conclusão de que o lambari, cultivado nos chamados tanques de recirculação, é mais barato que o camarão e também uma isca mais eficiente para pesca de robalo em rios, por se mostrar mais atrativo nesse tipo de ambiente”, relata Henriques.

Com os avanços nos estudos, o pesquisador entende que, além de diminuir a extração do camarão de seu ambiente, cultivar o lambari também é uma possibilidade de renda para produtores da região. Um dos pontos vantajosos levantados por Henriques é na hora da venda dos peixes. Como serão vendidos para isca-viva, a venda acontece por unidade, não por quilo, favorecendo os pequenos aquicultores. “Se o produtor for vender lambari por quilo, teria que trabalhar com viveiros grandes, escavados, onde são colocados centenas de milhares de lambaris. Vendendo por unidade, o pequeno produtor pode trabalhar com tanques de recirculação de 8 a 10 mil litros, com cerca de 4 mil peixes por tanque”, projeta.

Tendo por objetivo tornar a criação de lambaris viável para os produtores e comunidade de baixa renda, Henriques e a sua equipe trabalharam para o aperfeiçoamento dos métodos existentes. “No nosso sistema, especificamente, adaptamos uma tecnologia desenvolvida pela Embrapa, originalmente para cultivo de tilápia, e aplicamos ao lambari”, diz o pesquisador.

Com a adaptação dos sistemas de criação, foram feitos comparativos entre o sistema convencional, que utiliza equipamentos em escala industrial, e o alternativo, desenvolvido com materiais de baixo custo, como lona plástica, redes de pesca usadas, madeiras entre outros. “Nosso intuito era mostrar que, numa densidade não muito elevada, a atividade é vantajosa para gerar renda para o pequeno produtor, que precisa ter um domínio total do processo para não haver mortalidade”, detalha Henriques.

Comparando ganho de peso, crescimento e taxa de sobrevivência dos lambaris, os dois sistemas (alternativo e tradicional) tiveram resultados similares. “No nosso sistema, tivemos uma taxa de sobrevivência de 97%”, comemora o pesquisador.