Notícia

O Estado do Paraná

Desengenharia

Publicado em 17 fevereiro 2002

Consegui o título: A Engenharia Sem Engenho. Disso não passou o meu livro, projeto que projeto faz vários meses. Se um dia ficar pronto, escrito em pegas de um parágrafo por dia, em algum horário livre que tenho da meia-noite às seis, há de apontar incoerências da indústria, da agricultura, do planejamento, da arquitetura, da construção, do saneamento e tantas outras atividades que realizamos de modo rigorosamente técnico e freqüentemente estúpido. Um livro despretensioso (diferente do meu...), publicado pela Universidade de São Paulo (USP), mostra um dos pontos fracos da construção de toda indústria: a desconstrução. Vamos montar uma fábrica, ótimo, e quando ela ficar obsoleta, quando os seus produtos não forem mais desejados, quando for melhor levar o capital para outro lugar, o que vamos fazer com ela? Nem sempre é possível transformar fábricas velhas em museus. Algumas, só servem para circo de horrores. A Desengenharia consiste em planejar meticulosamente a desativação dos empreendimentos industriais, de preferência antes de eles serem iniciados. Para o autor do livro, Luis Enrique Sánchez, um engenheiro de minas, interessa o planejamento de desengenharia do ponto de vista do "passivo ambiental". O pessoal da Plumbum, que há décadas abandonou a mineração de Chumbo em Adrianópolis, Nordeste do Paraná, e agora é ameaçado com multas milionárias por causa do passivo ambiental (leia-se milhares de toneladas de resíduos, inclusive radioativos), devia ler essa obra. A Engenharia que tem engenho planeja com antecedência a recomposição ambiental e a retribuição social de todo empreendimento. Sai mais barato, ou, quando menos, distribui o investimento ao longo de vários anos, em vez de concentrá-lo numa única multa impagável. Serviço: Desengenharia - O Passivo Ambiental na Desativação de Empreendimentos Industriais. Luis Enrique Sânchez. Edusp, Fapesp, 2001. Pode ser encontrado em livrarias universitárias.